Guilherme Saldanha: oportunidade fortalece a pecuária do RN | Foto: Adriano Abreu
O Rio Grande do Norte está
perto de se tornar oficialmente um novo corredor de exportação de gado vivo
para o Oriente Médio. Nesta quarta-feira (15), durante a programação da Festa
do Boi 2025, em Parnamirim, a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e
Pesca (Sape) promoveu um seminário para apresentar as perspectivas e os avanços
necessários para que o estado realize seu primeiro embarque de animais ainda em
2025, através do Porto de Natal, com cerca de 3.500 cabeças.
De acordo com o secretário
Guilherme Saldanha, essa é uma oportunidade estratégica para fortalecer o setor
pecuário potiguar e abrir novos mercados. “O Rio Grande do Norte importa cerca
de R$ 1,3 bilhão em carne por ano e comercializa internamente apenas 20% do que
consome. Isso mostra como o mercado ainda é pouco aproveitado pelos nossos
produtores”, explicou. Segundo ele, a exportação de gado vivo permitirá ao
estado acessar um mercado bilionário.
Atualmente, cerca de 1,8
milhão de cabeças de gado são exportadas anualmente pelo Brasil, principalmente
pelo Porto de Barcarena/PA, responsável por 85% desse volume. O RN quer entrar
nesse circuito por meio do Porto de Natal, que já está habilitado e possui
tarifas portuárias competitivas. “Nós não tínhamos frigoríficos atuando no
estado, hoje já temos um em operação e estamos trabalhando para atrair mais.
Também não tínhamos uma estação de pré-embarque; agora temos. Não tínhamos
porto habilitado; hoje o Porto de Natal está pronto para receber essa operação.
O que falta agora é concretizar o primeiro embarque”, destacou Saldanha.
O estado já tem uma Estação de
Pré-Embarque (EPE) aprovada pelo Ministério da Agricultura (MAPA) que permitirá
a exportação de animais vivos para abate. É um espaço no Distrito de Irrigação
do Baixo-Açu (DIBA), em Alto do Rodrigues, destinado à realização da quarentena
dos animais antes do envio para outros países. Nesse local, os rebanhos serão
submetidos a procedimentos de controle sanitário que comprovam a ausência de
doenças nos animais.
Um dos diferenciais logísticos
do RN é a proximidade com o Oriente Médio. Enquanto os embarques feitos a
partir do Sul e Sudeste do Brasil levam de 15 a 21 dias até países como o
Egito, saindo de Natal o tempo de viagem cai para cerca de 11 a 13 dias — o que
reduz custos de combustível, alimentação e manejo dos animais.
O primeiro embarque já está em
fase de planejamento e será conduzido pelo empresário mossoroense Cláudio
Escóssia. “A expectativa é que até o final do ano a gente faça o primeiro
embarque. As coisas estão caminhando bem junto ao Ministério da Agricultura,
Idema e Porto. São vários órgãos envolvidos, mas tudo está bem alinhado”, disse
Escóssia.
A primeira leva deverá contar
com cerca de 3.500 cabeças de gado, com possibilidade de expansão nos próximos
ciclos. Segundo o empresário, o negócio vai além da exportação: deve incentivar
melhorias estruturais e genéticas nos rebanhos locais. “O exportador vai querer
um gado selecionado, com padrão. Isso vai fazer com que os criadores invistam
mais na genética, na alimentação e no manejo”, ressaltou.
O secretário Guilherme
Saldanha reforça que a operação poderá transformar o cenário da pecuária
potiguar. “Abrir o mercado externo é gerar novas oportunidades para os
produtores, criar empregos e movimentar a economia rural. O Porto de Natal está
ocioso e tem condições de assumir esse protagonismo”, afirmou.
Cláudio Oliveira/Repórter
Tribuna do Norte

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