sábado, 13 de setembro de 2025

Estudos apontam RN como economia inovadora, mas sinalizam desafios

Entre os fatores que puxam a nota do estado para cima estão “Conhecimento e tecnologia”, com o RN ficando na 7ª posição | Foto: Adriano Abreu

Criação de conhecimento e tecnologia, startups, patentes e sustentabilidade. Fatores como esses, aliados a um ambiente institucional e educacional em crescimento, colocam o Rio Grande do Norte na posição de economia mais inovadora do Norte-Nordeste, segundo levantamento mais recente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que divulgou o Índice Brasil de Inovação de Desenvolvimento (IBID).

Nele, o estado atingiu uma nota 0,207 e se manteve na ponta do ranking por mais um ano, posição que ocupa desde 2021. Em nível de Brasil, o RN é 12º no levantamento. Apesar dos dados, representantes do setor de inovação e empreendedorismo apontam que o estado possui desafios e demandas a curto, médio e longo prazos, com o intuito de não perder posições no ranking e atingir saltos ainda maiores.
Mas afinal, o que torna o RN o Estado com a economia mais inovadora do Norte-Nordeste? Segundo o relatório, o IBID avalia o desempenho dos estados e regiões em sete pilares de inovação: instituições, capital humano, infraestrutura, economia, negócios, conhecimento e tecnologia, além de economia criativa. Em cada pilar, existem dimensões e indicadores, chegando a uma nota final média.

Entre os fatores que puxam a nota do estado para cima estão “Conhecimento e tecnologia”, com o RN ficando na 7ª posição nacional. “Dentro deste pilar, são avaliadas a criação de conhecimento, o impacto e a difusão tecnológica, incluindo patentes, transferência de tecnologia e produção científica”, explica o analista de inovação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RN), Eugênio Spíndola.

O gestor do Sebrae cita ainda outras duas áreas de destaque: a “Sustentabilidade”, inserida no pilar “Infraestrutura”, com o RN ocupando a 3ª posição, fruto da liderança e pujança na geração de energia solar e eólica no estado; e a dimensão de “Criatividade online”, que integra o pilar de “Economia criativa”, com o RN ocupando a 8ª posição nacional.

Por outro lado, no pilar “Instituições”, que avalia o ambiente institucional, regulatório e de negócios, o RN está na 18ª posição. “Apesar de ter estados do Norte acima da média nacional no pilar “Instituições”, o RN, como líder do Nordeste, demonstra que essa eficiência regional, combinada com focos de excelência em áreas-chave, contribui para a nossa posição de líder”, acrescenta.

Na avaliação de Rodrigo Romão, diretor do Parque Tecnológico Metrópole Digital (PMTD), o capital humano formado dentro das instituições potiguares é um dos diferenciais para que o estado tenha conseguido melhorar seu ecossistema de inovação.

“Geramos um capital humano muito importante e, associado a isso, é um estado que temos muita pesquisa, com pesquisadores de ponta atuando por aqui, com a relação de mestres, doutores, desenvolvimento de propriedade intelectual. Nessa geração de conhecimento, o estado se destaca bastante”, opina Rodrigo Romão.

No quesito “Negócios”, o ranking do IBID coloca o RN em 13º lugar, atrás de Paraíba e Pernambuco no Nordeste, mas em 9º colocado no indicador “Força de Trabalho Qualificada”, que avalia quantitativo de mestres e doutores, empregabilidade desses profissionais e títulos de pesquisa.

Ainda segundo Romão, os “players” do ecossistema têm compreendido o impacto disso no mercado na chamada “economia do conhecimento”. “Estamos criando uma geração de novos empreendedores e empreendedoras que estão ganhando espaço. Quando olhamos, o número de startups está crescendo bastante. O Parque Tecnológico nos últimos cinco anos praticamente dobrou o número de empresas e empregos gerados. O estado despertou para a capacidade que a ciência, a tecnologia e a inovação têm de potencializar um estado que tem suas fragilidades territoriais”, cita.

Conexões entre pesquisas e empresas evoluíram no RN

O presidente da Comissão Temática de Inovação, Ciência e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado Rio Grande do Norte (Fiern), Djalma Júnior, avalia que as conexões entre as pesquisas e as empresas favorecem o bom posicionamento do estado em nível de Nordeste e de Brasil, considerando o ranking IBID 2025. “As conexões evoluíram, não só em soluções aplicadas, mas também na característica empreendedora que o nosso povo tem”, afirma.

“Olhando superficialmente, o que elevou o índice foi uma capacidade intelectual muito grande, uma conectividade muito grande, mas ainda temos uma baixa condição de infraestrutura oferecida pelo ambiente público. Ou seja, a nossa entrega é muito maior do que o que nós recebemos”, completa.

Apesar do índice baixo de infraestrutura, o RN consegue, com um banco de mestres e doutores, elevar o índice. “O que a gente gera de conhecimento é muito positivo. O Rio Grande do Norte está muito bem”, afirma Djalma Júnior. Ele explica que falta oportunizar a esse conhecimento a aproximação da academia com a atividade empresarial, para que a atividade empresarial estimule a pesquisa aplicada.
“Fazer pesquisa para a Universidade Federal é excelente, mas para produtividade, para o grande mercado, para um ambiente econômico fortalecido, essa pesquisa tem que virar em uma ação que dê resultado, porque senão ela é uma pesquisa de prateleira”, comenta.

Ele acrescenta que o RN tem um ecossistema que se conversa (dialoga sistematicamente) o que é um ponto positivo. “Não é à toa, que no último prêmio nacional de inovação de ecossistemas de desenvolvimento, nós ficamos em segundo lugar no Brasil”, exemplificou, destacando a forte conexão entre os variados atores do ecossistema de inovação e desenvolvimento.

“Você tem o Sistema S, as instituições de ensino, você tem os institutos técnicos, você tem o governo e você tem a atividade empresarial, industrial, comercial e de serviço, e há uma integração muito boa”, comenta. Segundo ele, a Coincitec tem justamente o propósito de integrar todos os atores do ecossistema para conversar, projetar e montar estratégias articuladas em relação à ciência, tecnologia e inovação.

“Quando você integra, você oportuniza não só o empresário colocar as suas dores, mas a academia trazer soluções. Então, nesse ponto, a gente realmente consegue fazer isso muito bem”, pontua, acrescentando que o RN tem muito a melhorar em economia criativa, infraestrutura e instituições.

Inova RN

Esta é a primeira reportagem da série de matérias intitulada “Inova RN”, que vai mergulhar e entender o contexto e o ecossistema de inovação para o mercado empreendedor e industrial do Rio Grande do Norte.

A inovação precisa transbordar em resultados

Um outro levantamento, também recente, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice de Inovação dos Estados 2025, lista o Rio Grande do Norte como o quarto mais invoador do Nordeste, atrás do Ceará (7º), Pernambuco (12º) e Bahia (13º), e no país, em 14º lugar entre as 27 unidades federativas.

O ranking analisa dois pilares – Índice de Capacidades e Índice de Resultados. “Quando a gente avalia um trabalho de inovação do Estado, a gente avalia capital humano, investimento e financiamento público em ciência e tecnologia, infraestrutura, instituições, e tem que olhar as instituições como um todo. A gente avalia isso no índice Capacidade. Quando a gente vai para o índice Resultados, a gente também avalia a competitividade global, o empreendedorismo, a produção científica que está gerando o negócio e a intensidade tecnológica criativa. Não adianta eu ter produção científica e eu não ter isso transbordando em resultados”, explica.

No índice Capacidade, o estado fica em 9º no quesito capital humano – graduação e em 10º no item capital humano – pós-graduação. Em inserção de mestres e doutores, a colocação é a 17ª. No quesito Infraestrutura, a posição é a 15ª. Os piores indicadores estão em Instituições (21º) e Investimento e Financiamento Público em C&T (22º).

No índice Resultados, a melhor colocação é no quesito Sustentabilidade Ambiental (6º). Nos demais itens a colocação é a seguinte: Produção Científica (10º); Intensidade Tecnológica e Criativa (14º), Competitividade Global (15º); Propriedade Intelectual (17º) e Empreendedorismo (18º).

Nesse ranking da CNI, o Nordeste é classificado como a terceira região mais inovadora. No ranking IBID, a região ocupa o quarto lugar, e todos os estados apresentam desempenho abaixo da média nacional nos sete pilares do indicador. Embora as discrepâncias sejam um pouco menores nas áreas de ‘Infraestrutura’, ‘Instituições’ e ‘Economia’, nenhum estado supera a média nacional nesses pilares.

Na análise, os pesquisadores do INPI destacam que a uniformidade de indicadores abaixo da média simboliza lacunas persistentes no fortalecimento dos sistemas locais de inovação no Nordeste, apontando para a necessidade de políticas integradas que promovam a superação dessas defasagens estruturais.

Margareth Grilo/Diretora de Redação

Ícaro Carvalho/Repórter

Tribuna do Norte

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