Criação de conhecimento e
tecnologia, startups, patentes e sustentabilidade. Fatores como esses, aliados
a um ambiente institucional e educacional em crescimento, colocam o Rio Grande
do Norte na posição de economia mais inovadora do Norte-Nordeste, segundo
levantamento mais recente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial
(INPI), que divulgou o Índice Brasil de Inovação de Desenvolvimento (IBID).
Nele, o estado atingiu uma
nota 0,207 e se manteve na ponta do ranking por mais um ano, posição que ocupa
desde 2021. Em nível de Brasil, o RN é 12º no levantamento. Apesar dos dados,
representantes do setor de inovação e empreendedorismo apontam que o estado
possui desafios e demandas a curto, médio e longo prazos, com o intuito de não
perder posições no ranking e atingir saltos ainda maiores.
Mas afinal, o que torna o RN o Estado com a economia mais inovadora do
Norte-Nordeste? Segundo o relatório, o IBID avalia o desempenho dos estados e
regiões em sete pilares de inovação: instituições, capital humano,
infraestrutura, economia, negócios, conhecimento e tecnologia, além de economia
criativa. Em cada pilar, existem dimensões e indicadores, chegando a uma nota
final média.
Entre os fatores que puxam a
nota do estado para cima estão “Conhecimento e tecnologia”, com o RN ficando na
7ª posição nacional. “Dentro deste pilar, são avaliadas a criação de
conhecimento, o impacto e a difusão tecnológica, incluindo patentes, transferência
de tecnologia e produção científica”, explica o analista de inovação do Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RN), Eugênio Spíndola.
O gestor do Sebrae cita ainda
outras duas áreas de destaque: a “Sustentabilidade”, inserida no pilar
“Infraestrutura”, com o RN ocupando a 3ª posição, fruto da liderança e pujança
na geração de energia solar e eólica no estado; e a dimensão de “Criatividade
online”, que integra o pilar de “Economia criativa”, com o RN ocupando a 8ª
posição nacional.
Por outro lado, no pilar
“Instituições”, que avalia o ambiente institucional, regulatório e de negócios,
o RN está na 18ª posição. “Apesar de ter estados do Norte acima da média
nacional no pilar “Instituições”, o RN, como líder do Nordeste, demonstra que
essa eficiência regional, combinada com focos de excelência em áreas-chave,
contribui para a nossa posição de líder”, acrescenta.
Na avaliação de Rodrigo Romão,
diretor do Parque Tecnológico Metrópole Digital (PMTD), o capital humano
formado dentro das instituições potiguares é um dos diferenciais para que o
estado tenha conseguido melhorar seu ecossistema de inovação.
“Geramos um capital humano
muito importante e, associado a isso, é um estado que temos muita pesquisa, com
pesquisadores de ponta atuando por aqui, com a relação de mestres, doutores,
desenvolvimento de propriedade intelectual. Nessa geração de conhecimento, o
estado se destaca bastante”, opina Rodrigo Romão.
No quesito “Negócios”, o
ranking do IBID coloca o RN em 13º lugar, atrás de Paraíba e Pernambuco no
Nordeste, mas em 9º colocado no indicador “Força de Trabalho Qualificada”, que
avalia quantitativo de mestres e doutores, empregabilidade desses profissionais
e títulos de pesquisa.
Ainda segundo Romão, os
“players” do ecossistema têm compreendido o impacto disso no mercado na chamada
“economia do conhecimento”. “Estamos criando uma geração de novos
empreendedores e empreendedoras que estão ganhando espaço. Quando olhamos, o
número de startups está crescendo bastante. O Parque Tecnológico nos últimos
cinco anos praticamente dobrou o número de empresas e empregos gerados. O
estado despertou para a capacidade que a ciência, a tecnologia e a inovação têm
de potencializar um estado que tem suas fragilidades territoriais”, cita.
Conexões entre pesquisas e
empresas evoluíram no RN
O presidente da Comissão
Temática de Inovação, Ciência e Tecnologia da Federação das Indústrias do
Estado Rio Grande do Norte (Fiern), Djalma Júnior, avalia que as conexões entre
as pesquisas e as empresas favorecem o bom posicionamento do estado em nível de
Nordeste e de Brasil, considerando o ranking IBID 2025. “As conexões evoluíram,
não só em soluções aplicadas, mas também na característica empreendedora que o
nosso povo tem”, afirma.
“Olhando superficialmente, o
que elevou o índice foi uma capacidade intelectual muito grande, uma
conectividade muito grande, mas ainda temos uma baixa condição de
infraestrutura oferecida pelo ambiente público. Ou seja, a nossa entrega é
muito maior do que o que nós recebemos”, completa.
Apesar do índice baixo de
infraestrutura, o RN consegue, com um banco de mestres e doutores, elevar o
índice. “O que a gente gera de conhecimento é muito positivo. O Rio Grande do
Norte está muito bem”, afirma Djalma Júnior. Ele explica que falta oportunizar
a esse conhecimento a aproximação da academia com a atividade empresarial, para
que a atividade empresarial estimule a pesquisa aplicada.
“Fazer pesquisa para a Universidade Federal é excelente, mas para
produtividade, para o grande mercado, para um ambiente econômico fortalecido,
essa pesquisa tem que virar em uma ação que dê resultado, porque senão ela é
uma pesquisa de prateleira”, comenta.
Ele acrescenta que o RN tem um
ecossistema que se conversa (dialoga sistematicamente) o que é um ponto
positivo. “Não é à toa, que no último prêmio nacional de inovação de
ecossistemas de desenvolvimento, nós ficamos em segundo lugar no Brasil”,
exemplificou, destacando a forte conexão entre os variados atores do
ecossistema de inovação e desenvolvimento.
“Você tem o Sistema S, as
instituições de ensino, você tem os institutos técnicos, você tem o governo e
você tem a atividade empresarial, industrial, comercial e de serviço, e há uma
integração muito boa”, comenta. Segundo ele, a Coincitec tem justamente o
propósito de integrar todos os atores do ecossistema para conversar, projetar e
montar estratégias articuladas em relação à ciência, tecnologia e inovação.
“Quando você integra, você
oportuniza não só o empresário colocar as suas dores, mas a academia trazer
soluções. Então, nesse ponto, a gente realmente consegue fazer isso muito bem”,
pontua, acrescentando que o RN tem muito a melhorar em economia criativa,
infraestrutura e instituições.
Inova RN
Esta é a primeira reportagem
da série de matérias intitulada “Inova RN”, que vai mergulhar e entender o
contexto e o ecossistema de inovação para o mercado empreendedor e industrial
do Rio Grande do Norte.
A inovação precisa transbordar
em resultados
Um outro levantamento, também
recente, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice de
Inovação dos Estados 2025, lista o Rio Grande do Norte como o quarto mais
invoador do Nordeste, atrás do Ceará (7º), Pernambuco (12º) e Bahia (13º), e no
país, em 14º lugar entre as 27 unidades federativas.
O ranking analisa dois pilares
– Índice de Capacidades e Índice de Resultados. “Quando a gente avalia um
trabalho de inovação do Estado, a gente avalia capital humano, investimento e
financiamento público em ciência e tecnologia, infraestrutura, instituições, e
tem que olhar as instituições como um todo. A gente avalia isso no índice
Capacidade. Quando a gente vai para o índice Resultados, a gente também avalia
a competitividade global, o empreendedorismo, a produção científica que está
gerando o negócio e a intensidade tecnológica criativa. Não adianta eu ter
produção científica e eu não ter isso transbordando em resultados”, explica.
No índice Capacidade, o estado
fica em 9º no quesito capital humano – graduação e em 10º no item capital
humano – pós-graduação. Em inserção de mestres e doutores, a colocação é a 17ª.
No quesito Infraestrutura, a posição é a 15ª. Os piores indicadores estão em
Instituições (21º) e Investimento e Financiamento Público em C&T (22º).
No índice Resultados, a melhor
colocação é no quesito Sustentabilidade Ambiental (6º). Nos demais itens a
colocação é a seguinte: Produção Científica (10º); Intensidade Tecnológica e
Criativa (14º), Competitividade Global (15º); Propriedade Intelectual (17º) e
Empreendedorismo (18º).
Nesse ranking da CNI, o
Nordeste é classificado como a terceira região mais inovadora. No ranking IBID,
a região ocupa o quarto lugar, e todos os estados apresentam desempenho abaixo
da média nacional nos sete pilares do indicador. Embora as discrepâncias sejam
um pouco menores nas áreas de ‘Infraestrutura’, ‘Instituições’ e ‘Economia’,
nenhum estado supera a média nacional nesses pilares.
Na análise, os pesquisadores
do INPI destacam que a uniformidade de indicadores abaixo da média simboliza
lacunas persistentes no fortalecimento dos sistemas locais de inovação no
Nordeste, apontando para a necessidade de políticas integradas que promovam a
superação dessas defasagens estruturais.
Margareth Grilo/Diretora de
Redação
Ícaro Carvalho/Repórter
Tribuna do Norte

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