Para 13,8%, a chance é
provável, e apenas 2,8% consideram muito provável. Pouco menos de um terço
(29,7%) não soube responder.
Os dados fazem parte da Sondagem do Mercado de Trabalho, realizada pelo Instituto
Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação
Getulio Vargas (FGV).
O responsável pela sondagem,
Rodolpho Tobler, explica que o baixo percentual de trabalhadores que afirmam
ser provável ou muito improvável perder o emprego ou fonte de renda é reflexo
do cenário de mercado de trabalho aquecido.
“Com a taxa de desocupação em
níveis mínimos em termos histórico, é natural que os trabalhadores se sintam
mais seguros na sua ocupação ou em uma realocação caso seja necessário. Esse
dinamismo observado nos últimos anos tende a ser favorável para os trabalhadores.”
No entanto, Tobler aponta que,
com expectativa de desaceleração da economia brasileira e do mercado de
trabalho, “é esperado que essa variável não continue nesse patamar baixo por
muito tempo”, diz.
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Nível de emprego
Os números mais recentes do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre mercado de
trabalho mostram que a taxa de desemprego do segundo trimestre ficou em 5,8%,
a menor já registrada na série histórica do instituto, iniciada em 2012.
A pesquisa do IBGE revelou
também nível recorde no rendimento do trabalhador (R$ 3.477) e no contingente
de empregados com carteira assinada (39 milhões). Os dados do trimestre
móvel encerrado em julho serão conhecidos na próxima terça-feira (16).
A desaceleração comentada por Tobler se refere a efeitos
do juro alto, ferramenta do Banco Central para conter a inflação.
A inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE acumula 5,13% em 12 meses, acima do
teto da meta do governo (4,5%).
Atualmente, a taxa básica de
juros da economia, a Selic, está em 15% ao ano, maior nível desde julho de
2006 (15,25%).
Uma face do juro alto é o
efeito contracionista, que combate a inflação. A elevação da taxa faz com que
empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas ─ e
desestimula investimentos, uma vez que pode valer mais a pena manter o dinheiro
investido, rendendo juros altos, do que arriscar em atividades produtivas.
Esse conjunto de efeitos freia
a economia. Daí vem o reflexo negativo: menos atividade tende a ser sinônimo de
menos emprego e renda.
Faixa de renda
A sondagem da FGV captou ainda
que, quanto maior a faixa de renda, maior a segurança com a ocupação:
renda até um salário mínimo:
32,6% acham improvável ou muito improvável perder o emprego
entre um e três salários
mínimos: 41,3%
acima de três salários
mínimos: 62,4%
Outros temas
A Sondagem do Mercado de
Trabalho está apenas na terceira edição mensal, o que impede fazer comparação
dos dados com períodos mais longos, como no ano anterior. A pesquisa foi
feita
com uma amostra representativa
da população com 2 mil pessoas. O levantamento aborda outros temas, como
satisfação com o trabalho e percepção de proteção social.
A sondagem de agosto aponta
que 59,7% se consideram satisfeitos com o trabalho; e 15,3%, muito satisfeitos.
Para 8%, a resposta foi insatisfeito ou muito insatisfeito, enquanto 17%
responderam neutros.
Sobre proteção social, 33,5%
disseram se sentir muito desprotegidos; enquanto 37,7% responderam parcialmente
desprotegido; e 28,7%, protegidos.
Agência Brasil

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