quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Sem voos regulares, reforma do Aeroporto de Mossoró custará quase R$ 80 milhões

As obras de ampliação do Aeroporto de Mossoró, na região Oeste do Rio Grande do Norte, devem ser concluídas até o segundo semestre de 2026. Em 2024, foram investidos R$ 30,2 milhões nos serviços e, até o final de 2026, esse total será de R$ 60,5 milhões. Já a previsão de investimento total no Terminal de Passageiros é de R$ 18,8 milhões. Uma vez que as obras forem concluídas, a capacidade do novo equipamento será de 800 mil passageiros por ano. As informações são da Infraero, responsável pela gestão do Aeroporto, e foram repassadas à reportagem da TRIBUNA DO NORTE. Até o momento, contudo, não há a confirmação de voos regulares previstos para o terminal.

De acordo com a empresa, vinculada ao Ministério dos Portos e Aeroportos (MPOR), todo o valor investido é proveniente de recursos próprios da Infraero. Além de ampliar a capacidade de passageiros, as obras têm como objetivo permitir o uso de aeronaves amplamente utilizadas no mercado da aviação.

“Desde o início das obras, a Infraero vem preparando o aeroporto de Mossoró para receber operações de aeronaves como B737, A320 e E195, que são os equipamentos mais utilizados no mercado da aviação brasileira e comportam entre 118 e 189 passageiros. Há constante diálogo com as empresas aéreas no sentido de atrair voos e retomar as operações que já existiram no aeroporto”, afirmou a estatal.

A Infraero não informou o percentual exato de execução de cada serviço no terminal, mas listou as obras concluídas ou em andamento:

Reforço e recuperação da pista de pouso e decolagem, do pátio de aviação geral e das taxiways;

Construção de via de inspeção perimetral e muro;

Modernização dos auxílios luminosos da pista de pouso e decolagem;

Instalação de PAPI (Sistema Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão) em ambas as cabeceiras;

Instalação de cercas metálicas (segunda etapa das obras de segurança patrimonial);

Reforma e ampliação do Terminal de Passageiros.

Embora tenha sido necessário aguardar a aprovação do Orçamento Geral da União no primeiro semestre de 2025, ocorrida em maio, a empresa assegura que os trabalhos seguem em ritmo normal. “Os investimentos programados para o Aeroporto de Mossoró visam prepará-lo e qualificá-lo para operações regulares de aeronaves do porte do B737-800, diurno e noturno, garantindo as condições necessárias de segurança operacional nos pousos e decolagens”, complementa.

A Infraero ressalta ainda que as melhorias devem elevar o nível de conforto, segurança e eficiência operacional no embarque e desembarque, além da permanência e circulação de passageiros, tripulantes e demais usuários que transitam pelo aeroporto.

Saída da Azul de Mossoró

Na última segunda-feira, a  companhia aérea Azul publicou um comunicado informando sobre o fim das operações da empresa em Mossoró. Apesar da oficialização, a informação já havia sido antecipada em janeiro deste ano pela companhia e pela Secretaria de Turismo do Estado (Setur/RN). Em resposta à TRIBUNA DO NORTE nessa terça-feira (12), a Setur/RN destacou que desde o início do ano os voos estão suspensos, mas reuniões estão sendo realizadas junto à empresa aérea para abordar a conectividade do Estado. 

Além da cidade potiguar, a Azul informou que outros 13 municípios brasileiros deixarão de receber voos da companhia. De acordo com a empresa, a decisão foi motivada por fatores que vão desde o aumento nos custos operacionais da aviação até o atual processo de recuperação judicial da companhia.

As cidades que não terão mais voos da Azul são: Crateús, São Benedito, Sobral e Iguatu (CE); Campos (RJ); Correia Pinto e Jaguaruna (SC); São Raimundo Nonato e Parnaíba (PI); Rio Verde (GO); Barreirinha (MA); Três Lagoas (MS) e Ponta Grossa (PR).

Em nota, a companhia informou que, desde julho, está racionalizando as rotas operadas atualmente. “Os ajustes levam em consideração, ainda, uma série de fatores que vão desde o aumento nos custos operacionais da aviação, impactados pela crise global na cadeia de suprimentos e a alta do dólar, até questões de disponibilidade de frota, bem como o seu atual processo de reestruturação”.

Em janeiro deste ano, quando  se posicionou sobre fim das operações, a Setur/RN afirmou que a saída da Azul do aeroporto de Mossoró não é definitiva e faz parte de uma ação estratégica da companhia. A pasta destacou ainda que, além da busca por otimização de suas operações, a decisão teria sido influenciada pela falta de peças para manutenção de aeronaves, especialmente dos modelos ATR que operam no aeroporto de Mossoró.

Nesta terça-feira (12), em resposta à Tribuna do Norte, a Setur/RN afirmou que mantém reuniões com a Azul para discutir pautas ligadas à conectividade área do Rio Grande do Norte. Em fevereiro deste ano, por exemplo, a governadora Fátima Bezerra participou de uma reunião com representantes da Azul Linhas Aéreas para tratar da melhoria da malha aérea para  este ano e a manutenção da rota Mossoró/Recife.

Na oportunidade, o CEO da empresa, John Rodgerson, garantiu que a suspensão do voo entre Recife e Mossoró seria temporária. A reportagem da Tribuna do Norte procurou a Azul para confirmar se ainda há possibilidade de reversão da decisão sobre a suspensão dos voos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.

De acordo com a Setur/RN, uma nova reunião está marcada entre representantes da companhia e o Governo do Estado para a próxima quarta-feira (20).  Questionada sobre as obras no aeroporto de Mossoró, que deverão permitir a operação de aeronaves de maior porte, a pasta destacou que os serviços estão em andamento, mas que os detalhes sobre os percentuais de execução estão a cargo da Infraero, responsável pela gestão do aeroporto. 

Recuperação judicial

A Azul está em processo de recuperação judicial nos Estados Unidos desde 28 de maio deste ano.

A companhia firmou acordos de reorganização financeira com alguns parceiros considerados “chave” pela companhia aérea. A medida visa obter US$ 950 milhões em investimentos. A reestruturação da empresa, que inclui parceria com as companhias aéreas norte-americanas United e American Airlines, está estimada em cerca de US$ 1,6 bilhão.

Os acordos de reorganização incluem também credores, um arrendador de aeronaves, entre outros parceiros considerados estratégicos. A Azul informa que suas operações e vendas seguem normalmente, e que todos bilhetes, benefícios e pontos do Azul Fidelidade serão mantidos.

Tribuna do Norte

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