Os números mostram que, embora as mulheres já tenham se conscientizado sobre a
importância de exames para a prevenção de doenças ginecológicas e câncer de
mama, ainda cuidam pouco da saúde do coração. Os principais fatores que
prejudicam o bom funcionamento do coração são má alimentação, estresse, fumo e
sedentarismo, além de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes.
A falta de prevenção e a demora em identificar o problema contribuem para o
alto número de óbitos. Segundo Gustavo Torres, cardiologista do Hospital Onofre
Lopes (HUOL), um dos fatores que contribuem para o equívoco sobre a doença é o
fato de alguns sintomas clássicos serem mais típicos nos homens do que nas
mulheres – como a dor no peito, por exemplo. Quando o homem vai ter um infarto,
costuma sentir uma forte dor no peito que irradia para os braços.
Gustavo explica que, para eles, em geral, há uma percepção mais clássica dos
sintomas, comparado aos sintomas atípicos nas mulheres, o que pode levar a
diagnósticos mais tardios. Para as mulheres, é mais comum sentir náusea,
fraqueza, dores gástricas, falta de ar, e dor que irradia pelas costas, ombros
e mandíbula. “Os sintomas típicos existem nas mulheres também, mas em alguns
casos ocorrem os menos típicos”, ressalta.
Idade e hormônios
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), os riscos ficam ainda
maiores nas mulheres de 50 a 69 anos, faixa etária que apresentou o maior
aumento nas mortes por infarto. Há uma relação direta, neste caso, com os
fatores hormonais. O estrogênio, produzido pelo corpo feminino durante o
período fértil, é um fator de proteção para o coração. Após a menopausa, como a
mulher perde esse fator de proteção, o risco de infarto aumenta, se
assemelhando ao do homem.
“No período da menopausa há uma variação hormonal muito grande no organismo
feminino. Isso leva a uma série de alterações metabólicas, de ritmo circadiano,
e pode aumentar a incidência de alterações tipo angina e infarto”, explica o
cardiologista. Devido a isso, as mulheres na idade da menopausa – que no Brasil
está por volta dos 48 anos em diante – devem ficar mais atentas aos riscos.
A saúde cardiovascular feminina também possui uma relação estreita com fatores
como estresse, sobrecarga mental e emocional. “O estresse e as sobrecargas
tendem a ter repercussões importantes se forem mantidas com frequência no
cotidiano da pessoa”, diz.
A liberação hormonal envolvida nesses quadros, aumenta a frequência cardíaca e
a pressão arterial.
O envelhecimento natural e o estilo de vida moderno também se relacionam com o
aumento de eventos cardiovasculares na mulher. O acúmulo de várias funções,
como no caso da mulher que trabalha fora, mas também cuida da casa e da
família. O ritmo acelerado expõe essa mulher a muito estresse e favorece
hábitos pouco saudáveis, como sedentarismo e má alimentação – condições ideais
para as doenças que acometem o coração.
Outra combinação perigosa, mas comum, é o cigarro e a pílula anticoncepcional,
que costumam triplicar os riscos cardiovasculares. Com o envelhecimento, a
pressão arterial e o nível de colesterol tendem a aumentar. A falta de
atividade física e a dieta inadequada levam ao sobrepeso e à obesidade, que
também aumentam o risco cardiovascular.
Nos casos de uso de anticoncepcionais e mesmo da terapia de reposição hormonal,
o médico afirma que o ginecologista poderá indicar se será necessário o
acompanhamento de um cardiologista para tomar os devidos cuidados.
Prevenção
O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Gustavo
Torres afirma que todos aqueles (mulheres e homens) com alguma queixa de dor
torácica, desconforto ou diminuição da capacidade física, precisam pensar numa
avaliação cardiovascular. “Deve ser dada atenção aos sintomas que sugerem
eventos cardíacos, como dor ou desconforto torácico. Em algumas situações os
sintomas podem não ser típicos”, completa.
A prevenção aos problemas cardíacos passa pela adoção de hábitos de vida
saudáveis, como alimentação balanceada; controle de peso; atividade física
regular; redução do estresse; acompanhamento médico de rotina; e tratamento das
doenças associadas, como hipertensão arterial, diabetes, dislipidemias e
outras. Mulheres com predisposição genética para doenças cardiovasculares devem
ter um cuidado extra.
“A prevenção sempre irá retardar o aparecimento dos problemas em qualquer
cenário”, ressalta o cardiologista. Se há histórico familiar de eventos
cardíacos ou de AVC em parentes de primeiro grau, em idade abaixo dos 60 anos,
a mulher tem maior chance de problemas tipo angina ou infarto.
O acompanhamento cardiológico deve se iniciar precocemente. “Quando falamos de
acompanhamento, a consulta e exames simples conseguem afastar o risco de
problemas”, diz. Na prática, o desconhecimento geral sobre os sinais do infarto
na mulher resulta em falha no socorro, o que pode ser fatal para muitas.
O tempo é fundamental para a preservação da vida. Em situação de infarto,
deve-se logo chamar o SAMU ou seguir diretamente para o hospital. Na emergência
será realizado o monitoramento cardíaco e um eletrocardiograma para verificar
se há alguma alteração no coração.
Caso seja confirmado, serão
tomadas as devidas providências, de acordo com o caso. Entre os principais
procedimentos, estão a medicação, cirurgia (como a angioplastia com stent para
desobstruir a artéria) e internação.

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