Segundo dados da Jucern, entre
2020 e 2025 (até agosto), o saldo entre aberturas e fechamentos foi de 124
empresas no segmento de restaurantes e similares, e de 78 entre lanchonetes,
casas de chá, de sucos e estabelecimentos semelhantes. O crescimento dos
empreendimentos de alimentação no bairro está ligado a uma série de fatores,
como o investimento do Poder Público na reforma de avenidas e espaços públicos,
bem como à retomada de investimentos pós-pandemia. As obras de alargamento na
faixa de areia da praia também são vistas como fatores que impulsionaram o
desenvolvimento.
Segundo fontes do setor de
alimentação, cada empreendimento tem um investimento médio da ordem de R$ 500
mil apenas para abrir as portas, o que contribui com a geração de emprego e
renda no bairro. Há casos, no entanto, de investimentos mais maciços, atingindo
a casa dos milhões de reais.
“Já é uma região turística, um
bairro vivo. As pessoas quando abrem seus negócios buscam bairros onde existe
vida, onde existem pessoas que andem pelas ruas. Isso está atrelado à
segurança. Existe essa sensação em Ponta Negra, porque o Poder Público tem colocado
postos de polícia. Isso traz segurança, faz com que o morador acabe andando,
consumindo; o turista também impulsiona essa sensação e isso acaba atraindo a
curiosidade e a vontade dos empresários de abrirem os negócios nessas regiões”,
explica Thiago Haddad, presidente da Associação Brasileira de Bares e
Restaurantes no RN (Abrasel). Ele aponta ainda que há desafios para os
empreendedores, como os altos alugueis, a valorização e o IPTU na região.
Para George Costa, coordenador
da Câmara Empresarial de Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo do RN (Fecomercio-RN), o ritmo acelerado dos investimentos em
gastronomia está ligado às obras de infraestrutura feitas no bairro. “A obra da
Av. Praia de Ponta Negra fez com que os empresários que estavam previstos de
fazer investimentos gastronômicos se vissem numa oportunidade grande. Houve o
movimento da retomada econômica do turismo, mas a forma acelerada como foi, se
dá também pelas obras de infraestrutura”, cita.
Segundo dados do Sebrae, os
investidores do setor gastronômico em Ponta Negra têm uma média de idade de 44
anos, com presença feminina e masculina equilibrada, com destaque para faixa
etária entre 30 e 39 anos. Há ainda a presença de empresários estrangeiros, com
registro de 46 empreendedores de outros países.
“O setor de alimentação fora
do lar vem se consolidando como um dos pilares da economia natalense, com
crescimento acelerado em Ponta Negra, hoje um dos polos mais vibrantes da
gastronomia potiguar. Apesar dos desafios enfrentados em anos anteriores, como
inflação dos insumos, redução do consumo e sazonalidade do turismo, os
empreendimentos locais demonstram resiliência e capacidade de geração de
empregos”, afirma Thales Medeiros, gerente da Agência Sebrae Grande Natal.
Setor imobiliário
O impulsionamento da economia
do bairro também é visto com bons olhos pelo setor imobiliário, segundo
avaliação de Renato Gomes Netto, presidente do Sindicato da Habitação do RN
(Secovi-RN). “Temos uma percepção em cima de procura por novas operações de imóveis,
principalmente nessa área gastronômica, mas não só nela, que é vista a olhos
nus”, afirma o presidente.
“Depois da requalificação
feita naquela área do polo gastronômico às margens da Roberto Freire, mas
passando à frente, na região da pracinha, seguindo pela Rota do Sol, é
perceptível a procura não só por pessoas que querem abrir, mas por investidores
que buscam adquirir imóveis para construir e alugar para o setor alimentício.
Há surgimento de rooftoops em alguns prédios também”, acrescenta.
Polo gastronômico com diversas
opções
Uma das mudanças perceptíveis
no bairro foi a requalificação da Av. Praia de Ponta Negra, com um investimento
de R$ 6,3 milhões. A avenida contou com uma reforma de 15 mil metros quadrados
de calçadas requalificadas, garantindo acessibilidade universal, e 4,5 mil
metros quadrados de cruzamentos elevados, que priorizam a segurança dos
pedestres e a organização do trânsito. A via também conta com um sistema de
drenagem, iluminação em LED e 1,6 km de ciclovia.
O local é considerado polo
gastronômico de Ponta Negra, inclusive, com legislação aprovada na Câmara
Municipal e sancionada pela Prefeitura do Natal. Na época das festas de fim de
ano, o local também ganha iluminação e cenografia específica.
“Quando vim pra cá, só
tínhamos nós e uma pizzaria. Vimos que essa rua, apesar de ser larga, era
subutilizada. Vimos em vários bairros do mundo que exploram polos gastronômicos
que quanto mais estabelecimentos, mais atratividade”, afirma Paulo , proprietário
do restaurante Fogo e Chama.
“Esse polo ajudou e nos
proporcionou a fazermos festivais por aqui. Temos as festas de fim de ano, com
programações; temos no Carnaval um projeto para isso, e o São João. Então são
eventos para dar atratividade. Faltava um local para o turista e para o natalense
andarem a pé, confortavelmente, com segurança e iluminação. É um local para a
família vir”, acrescenta.
Paulo Galindo (Fogo e Chama) atua
no polo gastronômico | Foto: Alex Régis
Em uma visita ao local, é
possível perceber estabelecimentos dos mais diversos perfis: restaurantes com
características distintas, bares, pizzarias, hamburguerias, padarias, casas de
comida oriental, sorveterias, entre outras opções.
Entre os novos
estabelecimentos está a gelateria Originale, da empreendedora Janaína Pereira,
43 anos. Atuando no ramo desde 2001 e antes com lojas em shoppings, a
empresária cita que resolveu “voltar às origens” em Ponta Negra após perceber
as modificações e melhorias sendo feitas no polo gastronômico. Ela abriu o
negócio em maio deste ano junto com uma sócia e divide os custos com uma
doceria que funciona no mesmo espaço.
“Temos clientes fixos que
vieram do shopping para cá, mas estamos abrangendo muito turista. Pessoas de
todo o Brasil. O público é bem diversificado. Espero que o público melhore na
alta estação. O investimento que fizemos já está valendo a pena”, cita.
Originale aposta em sabores
artesanais para atrair clientes | Foto: Alex Régis
Alta no faturamento e
ampliação de investimentos
Aumento de faturamento,
percepção positiva do turista e inclusão da população natalense na dinâmica do
bairro. A chegada de novos investimentos em Ponta Negra tem gerado aumento de
faturamento e inspirado novos empreendedores a recalcularem suas rotas.
O proprietário da padaria Pão
& Companhia, José de Anchieta, conta que sentiu a necessidade de investir e
remodelar sua padaria em virtude das modificações e reformas sentidas no
bairro. Ele criou um deque e repaginou a loja, num investimento de mais de R$
150 mil.
“Nesses últimos anos cresceu
muito o setor de gastronomia. O primeiro imóvel residencial a ser transformado
em comercial foi o nosso, há 20 anos. De lá para cá, está cheio. Virou um
corredor gastronômico. Vem sendo bom. Recentemente a prefeitura fez a parte de
urbanização da avenida, com iluminação, asfalto, estacionamento; melhorou
bastante. O faturamento vem aumentando ano a ano. Estamos investindo também,
acompanhando esse desenvolvimento e crescimento. Naturalmente, o resultado
vem”, cita.
Para Clara Bezerra,
sócia-proprietária do Camarões, que possui duas unidades no bairro há 36 anos,
Ponta Negra tem se consolidado cada vez mais como destino turístico da cidade
de Natal com os recentes investimentos. “Ficamos felizes, porque acreditamos na
força de um polo mais forte. Quanto mais boas operações, bons restaurantes,
bares e hotéis, tudo isso acrescenta para o natalense e para o turista. O polo
se fortalecendo, todo mundo ganha com essas forças reunidas”, declara.
Restaurante Camarões é referência
na gastronomia local | Foto: Adriano Abreu
Tribuna do Norte

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