Dos 13 produtos que compõem a
cesta básica e foram analisados no mês passado, seis apresentaram alta, com
destaque para frutas (6,48%), leite (5,19%) e óleo (4,87%). Também subiram os
preços dos legumes (2,75%), tubérculos (1,70%) e carne bovina (0,32%). Por
outro lado, sete itens registraram queda, com destaque para o arroz (-13,56%),
seguido por farinha (-4,93%), açúcar (-4,68%), pão (-3,02%), café (-2,25%),
margarina (-2,09%) e feijão (-0,04%).
De acordo com Azaias Bezerra, secretário-executivo e chefe da equipe coletora
de dados do Idema, essas variações são influenciadas principalmente pelo clima
e pela entressafra. “A variação dos preços depende muito do clima e das
chamadas entressafras. Por exemplo, a época do caju, a época da manga. Quando
tem muita oferta, o preço cai; quando está em escassez, o preço sobe. A
produção diminui e aí o mercado aproveita pra aumentar”, afirma.
Bezerra também comentou a redução no preço do café, que vinha se mantendo
elevado: “O café ficou alto por muito tempo, R$ 18 o pacote de 250g. Só
recentemente começou a cair, chegando a R$ 14. Quando o mercado sente que vai
chegar mais, os preços começam a ceder”, explica.
Ainda de acordo com o chefe da equipe de dados do Idema, a queda no preço do
açúcar foi reflexo da alta produção em estados produtores do Nordeste. “O
açúcar chegou a custar R$ 4,80, até R$ 4,50, mas esta semana já encontrei por
R$ 3,30. Essa queda é reflexo da grande produção em estados como Pernambuco,
que têm forte cultivo de cana-de-açúcar”, sublinha.
Ainda segundo o levantamento do Idema, considerando uma família de quatro
pessoas, o custo total com a cesta básica — estimado em R$ 615,39 por pessoa —
chega a R$ 2.461,56 no mês. Ao somar esse valor a outras despesas essenciais,
como vestuário, gastos pessoais e transporte, o total mensal pode atingir R$
7.590,52.
O levantamento é realizado dia sim, dia não por uma equipe de oito
pesquisadores que monitora mensalmente o comportamento dos preços, o que serve
de referência para o acompanhamento do custo de vida na capital.
IPC
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da capital potiguar teve alta de 0,29%
em julho na comparação com o mês anterior. Com isso, a variação acumulada no
ano ficou em 2,78% e, nos últimos 12 meses (agosto/2024 a julho/2025), chegou a
5,14%.
O grupo alimentação e bebidas, que responde por 32,43% do orçamento familiar,
apresentou avanço de 0,32% no mês. Entre os itens que mais contribuíram para o
aumento estão hortaliças e verduras (10,04%), frutas (5,67%), farinhas, féculas
e massas (2,58%), carnes (1,72%), enlatados e conservas (1,42%) e aves e ovos
(0,82%).
Já o grupo despesas pessoais apresentou uma variação positiva de 3,26%. Os
itens que mais contribuíram para esse aumento de preços foram: recreação
(5,12%) e serviços pessoais (0,46%). O grupo vestuário também registrou alta de
0,41% em função do aumento de preço nos seguintes itens: tecidos e armarinho
(2,74%), calçados e acessórios (1,39%) e roupa infantil (0,77%).
População sente os efeitos no
bolso
A secretária-executiva Uiara Tinoco tem notado a alta nos preços dos alimentos.
Para tentar driblar a carestia, ela adota algumas estratégias. “Cada dia que
passa tá mais alto, eu venho aqui e pego só no dia da promoção. O produto que
noto que mais aumentou foi o café e hoje tá em um preço ótimo aqui. Carne
vermelha eu cortei, não 100%, mas diminuí, compro sempre que vejo uma
promoção”, disse a consumidora.
A contadora Clara Araújo também passou a adotar estratégias para economizar:
“Estão aumentando os preços, principalmente frango e carne. Eu procuro
promoções nos encartes da internet”, disse.
Já Cláudio Silva, técnico de enfermagem, afirma que tem evitado gastos
supérfluos. “Eu tenho percebido o aumento. Nunca precisei cortar nenhum
produto, porque trabalho e convivo com uma pessoa que dividimos para comprar
tudo que a gente precisa. Mas evito sair para beber, festa, essas coisas”,
disse.
Segundo o economista Ricardo Valério, embora o valor agregado da cesta básica
ainda esteja elevado em relação ao acumulado anual, a variação tem se mostrado
mais estável desde maio, com alguns preços recuando. “Há uma tendência muito
boa de que os preços continuem declinando gradativamente, inclusive da cesta
básica e da nossa própria inflação. Um índice que pode ainda variar e pesar
para a inflação é o aumento da tarifa de energia, com a bandeira vermelha
patamar 2 agora em agosto. Isso influencia diretamente os custos de produção e,
consequentemente, o preço dos alimentos. Mas acreditamos que, até outubro ou
novembro, com a recuperação dos reservatórios, o governo possa reduzir para
bandeira verde ou amarela, o que ajudaria a baixar ainda mais os preços”,
pondera.
Tribuna do Norte

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