Esse foi o primeiro recuo após
16 trimestres consecutivos de crescimento no lucro, em comparação com os ganhos
do mesmo período do ano anterior. As novas regras contábeis e a inadimplência
no agronegócio, segmento que o banco lidera, pesaram.
Em nota, o BB informou que a
entrada em vigor de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que
alterou a contabilidade das instituições financeiras, interferiu no resultado.
Aprovadas em 2021, as novas regras só entraram em vigor em janeiro.
A resolução muda o modelo de
provisões (reservas financeiras para cobrir possíveis calotes) para perda
esperada, feita com base em estimativas. Isso afetou a maneira como algumas
despesas e receitas são reconhecidas.
Pelas novas regras, o
reconhecimento das receitas de juros das operações consideradas estágio 3 (com
atrasos acima de 90 dias) pelo regime de caixa fez com que o banco deixasse de
reconhecer R$ 1 bilhão em receitas de crédito. O regime de caixa só permite o
reconhecimento de receitas quando o dinheiro efetivamente entra no caixa da
instituição financeira.
O índice de inadimplência, que
considera atrasos de mais de 90 dias, subiu para 3,86% no primeiro trimestre,
contra 3,32% no quarto trimestre de 2024 e 2,90% no primeiro trimestre do ano
passado. Segundo o BB, o aumento decorre da alta da Taxa Selic (juros
básicos da economia) e de quebras de safra em 2023 e em 2024, que fizeram a
inadimplência no agronegócio atingir 3,04% no fim de março, contra 2,45% em
dezembro e 1,19% em março do ano passado.
Revisão das projeções
Com a queda no lucro, o BB
pôs as projeções de lucro, de margem financeira bruta e de custo do
crédito (perdas esperadas com inadimplência e outros riscos) para 2025. Os
novos números ainda serão divulgados.
Segundo as estimativas
anteriores, apresentadas em fevereiro, o banco projetava lucro líquido ajustado
entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões, margem financeira bruta entre R$ 111
bilhões e R$ 115 bilhões e custo do crédito entre R$ 38 bilhões e R$ 42 bilhões.
Crescimento do crédito
Apesar da queda do lucro, o BB
emprestou mais no primeiro trimestre. A carteira de crédito ampliada encerrou
março em R$ 1,278 trilhão, alta de 1,1% no trimestre e de 14,4% em 12 meses.
Na distribuição por segmentos
de crédito, os resultados foram os seguintes:
• Pessoa Física:
R$ 335,8 bilhões no fim de março, alta de 1,2% no trimestre e 6,6% em um ano,
com destaque para a nova modalidade de crédito consignado para CLT, destinado a
trabalhadores da iniciativa privada.
• Pessoa
Jurídica: R$ 459,9 bilhões, alta de 1,6% no trimestre e de 22,4% em um ano.
Desse total, R$ 141,3 bilhões são para grandes empresas, R$ 123,8 bilhões para
micro, pequenas e médias empresas e 74,6 bilhões para clientes do governo.
• Agronegócios:
R$ 406,2 bilhões, alta 9,0% em um ano, com destaque para as linhas de custeio e
investimento. Nos nove meses do Plano Safra 2024/2025, o Banco do Brasil
desembolsou R$ 174,5 bilhões em crédito ao segmento.
• Carteira de
Crédito Sustentável: R$ 393,5 bilhões, financiando atividades que geram
impactos sociais e ambientais positivos, com alta de 1,8% no trimestre e de
9,6% em 12 meses.
Receitas e despesas
As receitas de prestação de
serviços nos três primeiros meses do ano caíram 9%, mas crescem 0,2% em 12
meses. As despesas administrativas recuaram 0,1% na comparação trimestral, mas
subiram 7% em relação a março do ano passado.
Agência Brasil

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