“Eu acho que o Brasil não tem
que focar em qual vantagem a gente vai tirar nisso. Até porque o presidente
Lula é do multilateralismo, propõe acordos. Mas é óbvio que, qualquer analista
vai ver, se os Estados Unidos conseguirem implementar essas medidas, pode ter
como consequência, por exemplo, acelerar o processo do acordo Mercosul-União
Europeia”, disse, em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (3).
“Já ouvimos e vimos
manifestações de líderes europeus que dizem que vão acelerar o processo de
validação do acordo Mercosul-União Europeia”, acrescentou.
De acordo com Viana, as novas
tarifas anunciadas pelos Estados Unidos abrirão novas possibilidades comerciais
para o Brasil e demais países. “Mas acho que, antes das possibilidades,
vão vir as dificuldades. E é um risco grande. É algo que pode construir uma
nova era. Tem alguns analistas que já falam que pode ser que os Estados Unidos
podem estar abrindo agora a era da China”, acrescentou.
Em média, as tarifas aplicadas
por Trump foram de 10% para países da América Latina, de 20% para Europa e de
30% para Ásia, mostrando que o governo americano vê como maior ameaça os países
orientais.
Apesar da taxa menor aplicada ao Brasil, de 10%, o presidente da Apex
disse não ver “vantagem” para o país e afirmou acreditar que o tarifaço não
será benéfico para o comércio global.
“Eu não consigo enxergar
vantagem nenhuma quando o mundo pode piorar a sua relação comercial. Foram os
Estados Unidos que introduziram no mundo, há décadas, a ideia do livre mercado,
dos conglomerados, dos acordos comerciais, foram eles que fizeram, dizendo que
isso era melhor para o mundo. E, de fato, para o mundo ficar mais pacífico,
você tem que ter um mundo mais transacional entre os países”, afirmou.
Ele ressalvou, no entanto, que
o Brasil poderá passar a receber mais investimentos, mas que a nova
conjuntura será "ruim para todos".
“Acho que, na incerteza, o
Brasil pode ter mais investimento do que tem, mas eu não estou querendo
trabalhar a tese do tirar proveito ou tirar benefício, porque um mundo
inseguro, um mundo em conflito, é ruim para todo mundo, inclusive o Brasil. A
tese minha é essa, vai ser ruim para todos, independente de você ganhar mais
aqui ou perder ali”.
Agência Brasil

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