Os municípios estão em
diversas regiões do Estado, tanto na faixa litorânea quanto em cidades do
interior, além de áreas portuárias e com rotas hidroviárias. O diagnóstico foi
feito pela Secretaria de Segurança Pública e enviado para o Ministério da Justiça,
que vai realizar uma ação de reforço e combate ao crime organizado. A operação
ganhou o nome de Arco das Divisas. A ação já foi realizada pelo Ministério da
Justiça em outros anos e com a participação do RN.
Segundo o secretário de
Segurança do Estado, Coronel Francisco Araújo, Natal não entra na lista por ter
maior presença de policiamento. “Em Natal está o maior efetivo ordinário e
extraordinário do Estado. Com todas as unidades. Há um fortalecimento maior.
Ela não é considerada vulnerável em relação às outras cidades. Nas outras há
necessidade de suplementação”, explica.
Um dos municípios é Mossoró,
segunda cidade mais populosa do RN, que é margeada pela BR-304 e é considerado
ponto estratégico para tráfico de drogas e contrabando de mercadorias. Aliado a
isso, o fato de ter a única Penitenciária Federal do Nordeste torna a cidade um
ponto sensível para a criminalidade.
No Oeste do Estado, também é
citada Pau dos Ferros como área crítica devido à presença de rotas
clandestinas. Nessas duas cidades, a proximidade com o estado do Ceará também é
vista como um ponto facilitador para as ações criminosas.
O relatório aponta ainda para
as cidades de Areia Branca e Natal, que são regiões portuárias e passaram a ser
utilizadas como posição estratégica para o tráfico internacional de drogas com
destino à Europa. Entre 2018 e 2022, por exemplo, foram apreendidos 7,5
toneladas de cocaína no Porto de Natal, com valor de mercado podendo chegar a
R$ 1,4 bilhão.
Já em relação ao interior do
RN, cidades limítrofes com a Paraíba são citadas e destacadas pela inteligência
potiguar. Caicó, Currais Novos, Nova Cruz, Jardim de Piranhas e João Dias estão
entre as vulneráveis ao estabelecimento do crime organizado. Outro ponto que
corrobora é o fato de que todas essas cidades estão “coladas” com cidades da
Paraíba, como Várzea, Frei Martinho, Picuí, Tacima, Logradouro, Caiçara,
Jacaraú, Catolé do Rocha e Brejo do Cruz. Neste último caso, João Dias foi
palco de um assassinato de um candidato à prefeitura da cidade em agosto de
2024, que segundo a Polícia Civil, teve motivações políticas e possíveis
ligações com o crime organizado.
A cidade de Jardim de Piranhas
passa pelo mesmo cenário. Uma operação apontou que um grupo lavou mais de R$ 23
milhões oriundos do tráfico de drogas com compra de imóveis, fazendas, rebanhos
bovinos e até uso de igrejas. O esquema era comandado por dois irmãos que
tinham importância estratégica no PCC.
Em Nova Cruz, cidade limítrofe
com a Paraíba, a Polícia Civil desarticulou em novembro de 2024 uma quadrilha
suspeita de milícia privada e grupo de extermínio. Em 2020, outra investigação
já havia identificado milícia armada na cidade. Segundo as investigações, os
suspeitos abordavam os cidadãos e exigiam pagamentos pelos “serviços”. Foi
apurada também a existência de alguns inquéritos para investigação da prática
do crime de homicídios nos quais os integrantes dessa milícia armada são
apontados como supostos autores.
Chama a atenção ainda outras
cidades pequenas, mas com importante atuação no crime organizado. É o caso de
Rio do Fogo, com dificuldades relacionadas ao tráfico marítimo de drogas e
contrabando de mercadorias, como combustíveis e produtos eletrônicos. Nesse
sentido, Maxaranguape também é citada com dificuldades semelhantes,
acrescentando ainda rodovias secundárias que conectam a região a outros
municípios. Já Macau, por exemplo, é apontada como ponto de saída para tráfico
marítimo e redistribuição de mercadorias ilícitas, incluindo combustíveis e
produtos contrabandeados.
“Essas cidades são justamente
as que há mais possibilidades e vulnerabilidades. São pontos estratégicos que
foram apresentados ao MJ para serem empregados na operação. O planejamento é
das forças de segurança pública, tanto da Polícia Civil quanto da PM. Tudo com
estudo de inteligência, ocorrências, fatos”, explica o secretário de Segurança
do Estado, Coronel Francisco Araújo.
Operação
Entre os objetivos da operação
do Ministério da Justiça estão o estabelecimento de atuação coordenada e
integrada nas divisas e fronteiras, com o intuito de promover esforços e
presença estratégica do Estado em áreas vulneráveis, além de ações de enfrentamento
aos crimes transfronteiriços, ampliando a capacidade operacional e aprimorando
a articulação entre forças locais, regionais e nacionais.
“Essa operação é antiga e
iniciou nos estados onde tínhamos fronteiras com outros países, como Mato
Grosso do Sul, na Amazônia, por exemplo. Depois o MJ reajustou para que ela
atingisse também os limites, as divisas. Nisso somos contemplados porque temos
a divisa do RN com a Paraíba e com Ceará, além do Estado fazer fronteira com o
Oceano Atlântico. Temos efetivo da PM e Polícia Civil empregado nessa operação,
fazendo apreensão de armas, drogas, captura de fugitivos. O Governo está
repactuando essa operação para fortalecê-la ainda mais”, explica o secretário
de Segurança do RN, Coronel Francisco Araújo.
Para o primeiro quadrimestre
de 2025, a Operação Arco de Divisas terá um investimento de R$ 791 mil para o
pagamento de 2.364 diárias operacionais, sendo 60% para a Polícia Militar e 40%
para a Polícia Civil do RN.
Em 2024, a Operação Protetor,
que tinha o mesmo intuito, prendeu 104 pessoas por diversas ocorrências, entre
eles tráfico de drogas, contrabando de cigarros, porte ilegal de arma de fogo,
roubo, receptação, prisões por mandados, entre outras.
Ao todo, foram 54.000 maços de
cigarro apreendidos gerando um prejuízo de R$ 1,6 milhão ao crime organizado;
31kg de drogas como maconha, cocaína, pasta base, crack, entre outras; 47 armas
e 17 veículos apreendidos.
Veja as cidades mais vulneráveis ao crime
Relatório produzido pelo Ministério da Justiça, com dados da Sesed, mostra a
atuação do crime organizado em 15 municípios do interior do Estado. Veja abaixo
de que forma as estradas e o litoral são utilizados pelos bandidos
Mossoró: Ponto
estratégico para o tráfico de drogas e contrabando de mercadorias. A cidade é
usada como corredor logístico para transporte de drogas vindas de estados
vizinhos e redistribuição de produtos contrabandeados para outras regiões do
país e acesso ao Porto de Natal.
Pau dos Ferros: Área
crítica devido à presença de rotas clandestinas que facilitam o tráfico de
drogas e mercadorias contrabandeadas.
Nova Cruz: Ponto
estratégico para o contrabando e descaminho de mercadorias ilícitas, utilizando
rotas secundárias para evitar fiscalização.
Macau: É usada como ponto
de saída para tráfico marítimo e redistribuição de mercadorias ilícitas,
incluindo combustíveis e produtos contrabandeados.
Touros: Frequentemente
utilizada como local de desembarque de mercadorias ilícitas e drogas. A
presença de rotas secundárias facilita o transporte interno, ligando o litoral
ao interior do estado.
Currais Novos: Apresenta
rotas secundárias que facilitam o transporte de drogas e mercadorias ilícitas,
sendo também uma área de atuação de organizações criminosas.
Caicó: É um ponto
vulnerável para atividades ilícitas, incluindo tráfico de drogas e contrabando,
devido à sua posição estratégica no interior do Estado.
Extremoz: É estratégica
devido à proximidade com a capital e áreas industriais. O município tem sido
usado como rota de apoio logístico para o tráfico de drogas e contrabando, com
foco na redistribuição para mercados urbanos e costeiros.
Maxaranguape: Ponto de
vulnerabilidade para o desembarque de mercadorias contrabandeadas e tráfico de
drogas devido à dificuldade de fiscalização em áreas costeiras e rodovias
secundárias que conectam a região a outros municípios.
Rio do Fogo: Tráfico
marítimo de drogas e contrabando de mercadorias, como combustíveis e produtos
eletrônicos. Áreas remotas e o acesso limitado às forças de segurança tornam-no
um ponto crítico.
São Tomé: Enfrenta
desafios associados ao tráfico de drogas e contrabando em rotas terrestres que
conectam municípios do Seridó a outras regiões. A ausência de fiscalização
intensiva nas estradas vicinais aumenta a vulnerabilidade.
Jardim de Piranhas: Frequentemente utilizado como rota para transporte de
drogas e mercadorias contrabandeadas entre os estados vizinhos.
João Dias: Ponto
vulnerável para o tráfico de drogas e armas. A presença de rotas clandestinas e
estradas vicinais facilita o transporte de produtos ilícitos entre os estados.
Luís Gomes: Utilizado
como corredor logístico para atividades ilícitas, incluindo tráfico de drogas e
contrabando, aproveitando-se das rotas secundárias e da baixa fiscalização na
região.
Areia Branca: Possui um
porto estratégico usado como ponto de embarque e desembarque para atividades
ilícitas, incluindo tráfico de drogas e mercadorias contrabandeadas.
Ícaro Carvalho
Repórter

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