De acordo com a Petrobras, o projeto é fruto de uma parceria com o Instituto
Senai de Inovação em Energias Renováveis (Senai/ISI-ER), que assinou o contrato
de construção da planta com a WEG em outubro de 2024. Atualmente, o projeto
executivo da unidade está em fase de elaboração pela empresa, etapa em que são
definidos detalhes técnicos e operacionais da futura estrutura. O trabalho
inclui estudos de engenharia para garantir que a planta atenda às demandas do
mercado e esteja alinhada com padrões internacionais de eficiência energética e
sustentabilidade.
O hidrogênio será produzido
por meio do processo de eletrólise da água utilizando energia solar, tecnologia
que separa os átomos de hidrogênio e oxigênio por meio de corrente elétrica. A
energia será fornecida pela Usina Fotovoltaica de Alto Rodrigues, que terá sua
capacidade ampliada de 1,1 MWp (Megawatt pico) para 2,5 MWp. A usina de
eletrólise contará com 2 MW de potência instalada e será testada em diferentes
modos de operação, interagindo com a rede de distribuição de energia e o
sistema de armazenamento já existente no local. O objetivo é avaliar a
viabilidade técnica e econômica do uso de hidrogênio renovável em larga escala.
Durante a fase de obras, está prevista a mobilização de aproximadamente 35
trabalhadores. Além disso, a Petrobras destaca que a parceria com o Senai
proporciona um avanço no conhecimento científico e tecnológico na área de
pesquisa, desenvolvimento e inovação.
“Na divulgação do nosso PE 2050 / PN 2025 – 29, reforçamos nosso compromisso em
atuar nos nossos negócios de forma íntegra e sustentável com segurança,
buscando emissões decrescentes, promovendo a diversidade e o desenvolvimento
social, contribuindo para uma transição energética justa”, informou a
companhia.
A iniciativa faz parte da estratégia da Petrobras para descarbonização a longo
prazo. Segundo a estatal, o projeto está alinhado ao planejamento estratégico
até 2050 e ao Plano de Negócios 2025-2029, que prevê a expansão das atividades
da companhia em negócios de baixo carbono. “Expandiremos nossa atuação em
negócios de baixo carbono, sendo que, como uma das nossas iniciativas nesse
tema, pretendemos atuar na produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono e
seus derivados, com foco na descarbonização das nossas operações, produtos e
desenvolvimento de negócios para atendimento à demanda do mercado”, destacou a
empresa.
Competitividade e expansão
O diretor do SENAI-RN e do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis,
Rodrigo Mello, observa que o projeto da planta-piloto vem sendo discutido e
trabalhado pelos times do SENAI e da Petrobras há pelo menos dois anos. Estudos
do Instituto Fraunhofer, da Alemanha, e do ISI-ER, segundo ele, apontam o Rio
Grande do Norte entre os lugares mais competitivos do Brasil para o
desenvolvimento da cadeia produtiva do hidrogênio.
“Além de ser um dos poucos locais do Brasil com excedente de energia renovável,
o Rio Grande do Norte tem acesso até a planta por estrada de boa qualidade, tem
a maior usina de desmineralização de água do mundo, para abastecer o maior
vaporduto do mundo, e uma subestação com capacidade de escoamento da energia a
partir de lá, tudo dentro de um ativo Petrobras”, disse Rodrigo durante o
lançamento do projeto, em novembro do ano passado.
“Quando você junta tudo isso, você chega à conclusão de que este é o melhor
ponto do Brasil para se instalar uma planta-piloto. E essa planta vai trazer
para o estado, de novo, o pioneirismo não só na cadeia de mais uma atividade de
energia renovável, mas a vanguarda na geração de tecnologia aplicada através
desse investimento da Petrobras, através do nosso ICT (Instituto de Ciência e
Tecnologia), o ISI-ER”, frisou o diretor do SENAI.
A expansão dessa tecnologia pode representar um passo significativo para
consolidar o Brasil como um dos líderes globais no setor de energia limpa. Caso
o piloto seja bem-sucedido, a Petrobras avalia a possibilidade de ampliar o uso
da tecnologia para outras regiões do País.
“O projeto-piloto é um importante marco para a Petrobras, ampliando seu
conhecimento sobre a tecnologia de eletrólise e diferentes usos de hidrogênio
de baixa emissão de carbono. Em paralelo a iniciativas de Pesquisa e
Desenvolvimento, a Petrobras está avaliando oportunidades de negócio em
hidrogênio de baixo carbono para atendimento ao mercado em diferentes
localizações no país, incluindo o Nordeste”, informou a estatal.
Nos próximos 10 anos, a estatal projeta que o hidrogênio de baixa emissão de
carbono terá papel fundamental na matriz energética brasileira e global,
consolidando-se como uma das soluções mais viáveis para a transição energética.
O plano da companhia prevê investimentos de US$ 500 milhões em negócios de
hidrogênio de baixa emissão de carbono e US$ 1 bilhão em pesquisa,
desenvolvimento e inovação voltados para iniciativas de baixo carbono,
incluindo o hidrogênio de baixa emissão de carbono (HBEC).
“Consideramos o hidrogênio de baixa emissão de carbono (HBEC) como elemento
fundamental para o Net Zero. Vislumbramos que o HBEC brasileiro será um dos
mais competitivos do mundo. Uma vez que o Brasil possui ampla disponibilidade
de matérias-primas renováveis, o HBEC é o elo para combustíveis do futuro
(E-Fuels) e é primordial para a descarbonização dos setores de difícil
descarbonização, como alguns setores industriais e os setores aéreo e
marítimo”, afirmou a Petrobras.
Rodrigo Mello (SENAI-RN) afirma que
o projeto vem sendo discutido com a Petrobras há dois anos | Foto: Adriano
Abreu
Baraúna vai operar projeto de
HBEC em 2027
Na esteira do investimento da
Petrobras, outras companhias já começam a direcionar recursos para projetos de
hidrogênio renovável no Rio Grande do Norte. A CPFL Energia e a Mizu Cimentos
anunciaram, em agosto passado, um investimento de R$ 40 milhões para a
implantação de uma planta de hidrogênio verde dentro da unidade da Mizu, em
Baraúna. O objetivo é substituir o petróleo pelo hidrogênio como combustível
nos fornos da fábrica de cimento, reduzindo drasticamente as emissões de
carbono e tornando o processo produtivo mais sustentável. A previsão é que a
planta entre em operação em 2027.
O projeto prevê a instalação de um eletrolisador de alta tecnologia capaz de
produzir hidrogênio a partir da eletrólise da água utilizando energia
renovável, como solar e eólica. Esse hidrogênio será utilizado na queima dos
fornos da fábrica, substituindo combustíveis fósseis e contribuindo para a
descarbonização do setor. Estudos iniciais indicam que a adoção da tecnologia
pode reduzir as emissões de CO2 em até 12,5 toneladas por ano, o que representa
um avanço para a indústria do cimento, uma das mais intensivas em emissões de
carbono.
Além da busca por processos mais limpos, a planta-piloto tem um papel
estratégico no desenvolvimento do mercado de hidrogênio verde no Brasil. A
iniciativa permitirá avaliar a viabilidade econômica do uso do combustível em
larga escala e servir como modelo para outras indústrias que buscam reduzir sua
pegada de carbono.
Atualmente, o hidrogênio verde ainda tem um custo elevado de produção, mas
especialistas apontam que sua adoção é inevitável para uma economia mais
sustentável, especialmente em setores de difícil descarbonização.
Tribuna do Norte

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