A declaração foi dada em
discurso na cerimônia de posse da nova gestão da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB), em Brasília.
"Diante de uma falta de
regulamentação adequada, temos observado uma tendência de concentração de poder
sem precedentes nas oligarquias digitais. Um poder absolutista, que desconhece
fronteiras e visa subjugar as jurisdições nacionais. É imperativo avançar na
criação de um arcabouço jurídico robusto, que promova a concorrência justa e
proteja as crianças, as mulheres e as minorias", disse.
O presidente acrescentou que
"é preciso assegurar que todos tenham acesso equitativo às
oportunidades no ambiente digital, e que estejamos todos protegidos da ameaça
de uma nova forma de colonialismo, o chamado colonialismo digital".
Para uma plateia composta por
centenas de advogados, de governadores e outros chefes de Poderes, Lula
enfatizou o papel histórico da OAB na defesa da democracia, da justiça e dos
direitos humanos, mas observou que é preciso manter a vigilância contra novas
ameaças autoritárias, mencionando a tentativa de golpe contra a democracia nos
fatos que levaram aos ataques de 8 de janeiro de 2023.
"Atualmente, nos
deparamos com um cenário global em que o fascismo ressurge sob novas formas. No
Brasil, a intolerância política chegou ao extremo de uma tentativa de golpe
contra a democracia. Um golpe que previa, inclusive, o assassinato do presidente
e do vice-presidente da República, e do presidente do Tribunal Superior
Eleitoral", afirmou.
"A democracia não é um
dado adquirido. É uma construção diária, que exige coragem, união e compromisso
com os valores que nos tornam uma nação livre e justa. O Brasil de hoje
enfrenta desafios que exigem de nós união, coragem e determinação. Precisamos
reconstruir as bases da nossa democracia, promover a justiça social e combater
as desigualdades que ainda assolam nossa nação", continuou o presidente.
Lula ainda defendeu as
prerrogativas dos advogados, lembrando da própria previsão constitucional da
advocacia na Constituição.
O presidente exemplificou que
foi a graças ao trabalho da advocacia que ele próprio conseguiu demonstrar sua
inocência nos processos da Operação Lava Jato.
"As prerrogativas dos
advogados e advogadas não são privilégios, senão direitos fundamentais para o
pleno exercício do direito de defesa, tão caro em nossa Constituição. Não é
demais lembrar que graças à atuação de uma advocacia combativa pude ver minha
inocência prevalecer frente ao abuso de poder perpetrado por um grupo que quis
tomar a justiça e o direito para si".
Reeleição na OAB
Pelos próximos três anos, a
OAB Nacional seguirá sendo presidida pelo advogado amazonense Beto Simonetti,
reeleito em janeiro para um segundo mandato à frente da entidade. Ele recebeu
100% dos 81 votos válidos e comandará a instituição até 2028.
Simonetti é o primeiro
presidente reeleito da entidade desde a redemocratização do Brasil.
Em seu discurso, antes de
Lula, o advogado também fez uma defesa enfática da democracia e do Estado
de Direito.
"Neste mundo em
transformação, devemos sempre ter em mente que a democracia constitucional é a
maior conquista jurídica e política da sociedade no pós-Segunda Guerra Mundial.
Com ela, a humanidade avançou muito. Passaram a ser prioridades os direitos
fundamentais, as liberdades individuais e a igualdade. A estabilidade
institucional e a segurança jurídica passaram a ser imperativos", afirmou.

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