sábado, 8 de março de 2025

Federação União Brasil e PP reconfigura forças políticas

A iminente federação entre o PP e o União Brasil, que pode ser oficializada nos próximos dias, promete reconfigurar o tabuleiro político nacional e trazer impactos diretos para o Rio Grande do Norte. Com a criação de uma federação, os dois partidos formarão a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 101 parlamentares, além de um fundo partidário bilionário. No cenário estadual, no entanto, a união traz contradições e incertezas, especialmente pela formação de bancadas distintas e disputas regionais.

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O PP pode puxar uma “debandada” dos partidos do Centrão do governo Lula. Uma vez que o PP decida entregar o ministério, a sigla comandada pelo senador oposicionista Ciro Nogueira (PI) poderia pressionar o União Brasil a fazer o mesmo, acenando com a retirada das resistências para a formação de uma federação entre os dois partidos.

A cúpula do União Brasil está otimista sobre o avanço da federação com o PP. Os relatos de aliados do presidente da legenda, Antonio Rueda, é que a reunião que ele teve com o senador Ciro Nogueira, do PP, na quarta-feira, foi “o melhor possível” e que o negócio estaria praticamente fechado.

Presidente do União Brasil, Antônio Rueda, busca entendimento | Foto: Reprodução/União Brasil

O União Brasil, comandado no estado pelo ex-senador José Agripino Maia, tem entre seus principais nomes os prefeitos de Natal, Paulinho Freire, e de Mossoró, Allyson Bezerra. Já o PP, liderado pelo deputado federal João Maia, saiu fortalecido das eleições municipais e conta com influência crescente no interior do estado. A questão central que surge com a federação é: quem terá o controle do novo partido no Rio Grande do Norte?

A unificação partidária cria cenários inusitados, como a possibilidade de unir adversários ferrenhos em Mossoró, a exemplo da ex-prefeita Rosalba Ciarlini e do atual prefeito Allyson Bezerra, cotado para disputar o Governo do Estado em 2026. Além disso, o alinhamento das bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal de Natal pode se tornar um desafio.

São deputados federais pelo União Brasil, representando o Rio Grande do Norte: Benes Leocádio e Carla Dickson. O PP tem o deputado federal, João Maia, que preside a agremiação no Estado.

Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte o PP tem como deputado estadual: Neilton Diógenes e o União Brasil tem os seguintes deputados: Taveira Júnior, Ivanilson Oliveira, que já foram um bloco partidário na Casa e aguarda a chegada de Eudiane Macedo, ainda no Partido Verde (PV), que faz parte de uma Federação Brasil da Esperança com PT e PC do B.

Na Câmara Municipal de Natal o PP tem os seguintes vereadores: Eriko Jácome, Pedro Henrique, Cláudio Custódio, Daniel Santiago. O União Brasil tem Camila Araújo, Matheus Faustino, Robson Carvalho, Tarcio de Eudiane e Tercio Tinoco.

Hoje, o PP tem um deputado estadual e quatro vereadores na capital, enquanto o União Brasil conta com dois deputados e cinco vereadores em Natal.

Outro fator a ser considerado é a relação da federação com o Governo Federal. Enquanto o União Brasil ocupa três ministérios na gestão de Lula, o PP tem o comando do Ministério dos Esportes. Há uma forte pressão para que ambos abandonem o governo, especialmente após a recente guinada à esquerda do presidente e a nomeação de Gleisi Hoffmann para a articulação política. Esse movimento poderia afastar ainda mais a federação da base governista e impactar alianças locais.

No Rio Grande do Norte, a fusão pode influenciar diretamente nas estratégias eleitorais de 2026. Com uma bancada robusta e prefeitos influentes, a federação pode ser determinante na disputa pelo governo estadual e no fortalecimento de candidaturas à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.

Apesar do entusiasmo dos líderes nacionais, os impasses regionais ainda são um obstáculo para a consolidação da federação. A indefinição sobre o comando da legenda no estado e as rivalidades históricas entre seus integrantes são pontos que podem retardar o processo ou até mesmo criar divisões internas.

O que se desenha, portanto, é um novo cenário político que pode fortalecer a oposição ao PT no Rio Grande do Norte e abrir caminho para novas alianças. Resta saber como os líderes locais vão lidar com as contradições dessa união e se a federação conseguirá ser, de fato, um bloco coeso no Estado.

Tribuna do Norte

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