Os setores de comércio (45%) e
serviços (44%) concentram a maior parte dos negócios femininos no estado.
Entretanto, a presença de mulheres na construção civil (17%) e no agronegócio
(31%) ainda é inferior à masculina. Os segmentos mais representativos para
empreendedoras são saúde e bem-estar (20,8%), moda e confecção (15,4%) e
serviços de alimentação (8,9%).
“Temos trabalhado ativamente
para estimular o empreendedorismo feminino, seja por meio de políticas públicas
ou programas específicos voltados para mulheres. Os resultados desse esforço
são visíveis: hoje, 42% dos negócios no estado são liderados por mulheres,
considerando todos os tipos de empresas, inclusive na iniciativa pública. Esse
é um número expressivo e reforça o avanço da presença feminina em cargos de
liderança”, afirmou Mona.
Nobrega esclareceu que o
crescimento da presença feminina em posições de liderança tem se destacado em
diferentes setores, desde entidades governamentais até grandes, médias, micro e
pequenas empresas. De acordo com ela, embora a participação das mulheres em
negócios de menor porte, incluindo os informais, seja de 31%, esse número não
representa um retrocesso, mas sim a continuidade da ascensão feminina no
mercado. O avanço, ainda que mais tímido nesses segmentos, reforça o
protagonismo das mulheres no empreendedorismo e sua crescente influência na
economia.
No entanto, a gestora
ressaltou que a desigualdade de renda continua sendo um desafio: mulheres
negras donas de negócios ganham 28% menos que homens negros, 49% menos que
mulheres brancas e 61% menos que homens brancos. A Região Metropolitana de
Natal lidera em número de empresas femininas (66.156 negócios), seguida pelo
Alto Oeste (14.665) e Vale do Açu (7.332).
“Outro ponto relevante
levantado pela pesquisa é que o empreendedorismo feminino muitas vezes está
associado a múltiplas responsabilidades. Atualmente, a maior parte dessas
mulheres também é chefe de família, um papel que antes era majoritariamente
ocupado pelo cônjuge. Desde 2018, esse cenário mudou significativamente, e hoje
quase 70% das mulheres são responsáveis pelo sustento do lar. Entre as mulheres
negras, essa porcentagem é ainda maior, chegando a 72% ou 73%. Isso reforça o
caráter solo de muitos negócios femininos, que tendem a ser menores e precisam
conciliar a gestão empresarial com a administração da casa e da família. Assim,
as mulheres assumem um papel central tanto na unidade familiar quanto no
mercado de trabalho, demonstrando sua resiliência e protagonismo no
empreendedorismo”, afirmou a especialista.
Mona explica que o objetivo do
Sebrae/RN é capacitar as mulheres para que possam evoluir com os negócios,
fortalecendo o empreendedorismo para que se tornem ME e EPP.
Para isso, o Sebrae está
promovendo capacitações para mulheres empreendedoras, incluindo 11 mil vagas em
cursos gratuitos em áreas como alimentação, beleza, moda e marketing digital.
Além disso, o programa SEBRAE DELAS inclui o ciclo “Mulheres Arretadas 2025”,
com eventos programados em diversas cidades, como Santa Cruz, Natal, Pau dos
Ferros e Caicó.
“A presença feminina no
agronegócio tem se expandido. Recentemente, foi criada a rede Mulheres do
Agro, uma iniciativa que tem incentivado cada vez mais mulheres a se envolverem
nesse setor, ampliando sua atuação também em áreas como ciência, tecnologia e
inovação”, explicou Mona.
Outras ações incluem jornadas
de atendimento, feiras de negócios e o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. Em
2025, será implementado o programa “Lidere Delas”, voltado para o
fortalecimento da liderança feminina no setor empresarial.
Tribuna do Norte

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