Para Cícera Nascimento, de 63
anos, o retorno das atividades é de extrema importância para economia local e,
no seu caso, também familiar. Cícera trabalha no Mercado na companhia de sua
prima, também permissionária, e reconhece que o período em que o Complexo
esteve fora de funcionamento foi difícil não só para os trabalhadores do
Mercado, como também para os que fornecem o material lá comercializado, os
pescadores.
“Nós já havíamos comprado
muita ginga para o preparo aqui no Mercado, e quando recebemos a notícia de que
as portas seriam fechadas, foi muito triste pois sabíamos que perderíamos todos
os peixes já pescados, e também que os pescadores teriam a queda daquelas
vendas que pra eles já eram garantidas”, conta Cícera.
A permissionária iniciou os
trabalhos no Mercado da Redinha há 35 anos, quando casou com o seu marido que
tinha o box como herança familiar desde o seu bisavô. “O período em que o
Mercado ficou fechado, que pra mim foram quase 3 anos, foi muito difícil. Complementei
a minha renda vendendo marmitas, pois os R$1.200 que recebia do Município não
eram suficientes”, relembra.
Cícera conta ser muito grata
às pessoas que puderam se prontificar a lutar para que o Mercado reabrisse as
portas, alegando também que o novo espaço precisa estar funcionando para ser
usufruído por turistas e natalenses.
E é o que celebra Tereza
Neuma, de 64 anos, que foi ao Mercado para conhecer o novo espaço. Tereza conta
que só esteve no Mercado anos atrás quando ainda tinha a antiga estrutura e
disposição, e nesta reabertura conta estar feliz com a mudança.
“Era tudo muito apertado,
muito estreito, não havia todo esse espaço para a circulação como temos hoje”,
conta Tereza. Mas nem todos os públicos se agradaram com o Mercado. Na opinião
de Kátia Nunes, de 40 anos, há melhorias para serem feitas nas questões
operacionais do local. “É preciso existir mais opções de bebidas, e também
melhores opções”, conta Kátia, que veio de Pau dos Ferros para conhecer o
espaço. “Mas o ponto visual realmente é impressionante, a beleza do espaço e da
vista fazem a vinda valer a pena”, conta.
E foi para que as melhorias
tenham chances de acontecer que Ozeni Florêncio Silva, de 51 anos, se esforçou
incansavelmente para que o Mercado pudesse reabrir suas portas. A presidente da
associação dos permissionários da Redinha representou a classe nas reuniões com
os representantes do Município, e lembra com emoção dos dias celerados em que
correu contra o tempo para que o Complexo retornasse o seu funcionamento.
“Fomos para a rua, fizemos
protesto, mas só tivemos apoio quando o secretário municipal de Governo, Sérgio
Freire, compadeceu com o nosso caso e tomou frente da parte jurídica, que por
fim nos permitiu voltar a trabalhar”, conta Ozeni. Com o fechamento prematuro
do espaço, Ozeni tinha receio que o cenário acabasse afetando os seus colegas
do Mercado da mesma forma que eles foram afetados no período em que esteve
fechado para a construção. “Muitos colegas entraram em depressão pela escassez
financeira que lidaram nesse período”, lembra.
Dos 33 permissionários que
existiam em 2022, quando o Mercado fechou para a reforma, apenas 16 retornaram
com a reabertura em dezembro, e mais 4 na reabertura nesta sexta-feira (7).
Parte dos permissionários não retornaram ao trabalho no Mercado por falta de
infraestrutura para equipar os seus espaços. “Com o tempo parado, sabemos que o
material pode se perder, um freezer pode quebrar, e são coisas que pesam no
orçamento”, conta a representante dos permissionários.
Ozeni também explica como está
o funcionamento dos boxes. Hoje os 20 permissionários ocupam 8 boxes, sendo 2
permissionários por espaço. “Nós conseguimos essa alteração nas últimas
reuniões. No acordo anterior, na abertura de dezembro, cada espaço era dividido
entre 4 permissionários”, conta.
A alteração foi realizada para
que os lucros possam ser divididos entre um número menor de famílias. Sobre o
acordo firmado para a manutenção do espaço, Ozeni conta que os permissionários
de cada box são responsáveis pela manutenção e limpeza de seus espaços, sendo a
empresa gerenciadora do Festival Gastronômico Boteco do Natal os responsáveis
pela limpeza e manutenção do espaço do Complexo em si. “Dos R$ 20 do valor do
produto, como a ginga com tapioca, R$ 16 são do permissionário e R$ 4 para a
empresa gerenciadora”, explica Ozeni.
Para a reunião em que foi
firmado o acordo entre permissionários e Prefeitura, estiveram presentes Arthur
Dutra, secretário municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e
Inovação (SEPAE), Sérgio Freire, secretário municipal de Governo; Felipe Alves,
secretário de Serviços Urbanos (Semsur); a vereadora Samanda Alves e oito
representantes dos permissionários do Mercado da Redinha.
De acordo com a divulgação
primária da Prefeitura, o segundo edital de licitação da Concessão do Complexo
da Redinha deve ser lançado até o próximo dia 26, quando completa 30 dias da
suspensão do funcionamento do Mercado.
Tribuna do Norte

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