“Esse fator também ajudou. Tudo nosso é dolarizado. O milho, que é 70% do custo
da ração das aves, teve aumento de preço. O dólar no início de janeiro teve
aumento, estimulou-se a exportação, então tivemos que competir com o porto
pagando melhor e com condições tributárias desleais em relação a nós. Tivemos
um pouco de aumento de farelo de soja. Todos os insumos acabaram subindo”,
avalia Renato Holanda, presidente da AVIARN, apontando que, em média, os custos
tiveram reajuste de 6%.
“O aumento da exportação
ocorreu em janeiro. Exportamos 23% a mais de ovos do que nos meses anteriores.
Isso foi um fator, mas não foi o que ocasionou a maior parte do aumento. Em
janeiro tivemos alguns fatores também, como uma redução da produção devido a
questões climáticas, com muito calor afetando as aves e reduzindo a produção”,
acrescenta Renato Holanda, apontando fatores como volta às aulas e aumento no
consumo como outros quesitos que explicam o aumento.
A posição é compartilhada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
“Vale ressaltar que os custos de produção acumularam alta nos últimos oito
meses, com elevação de 30% no preço do milho e de mais de 100% nos custos de
insumos de embalagens. Ao mesmo tempo, as temperaturas em níveis históricos têm
impacto direto na produtividade das aves, com reflexos na oferta de produtos”,
disse.
Ainda segundo a ABPA, a alta registrada no preço dos ovos é uma situação
sazonal, comum ao período pré e durante a Quaresma. A ABPA estima ainda que a
alta dos preços deve durar pelo menos mais dois meses.
“A comercialização de ovos aqueceu pela demanda natural da época, quando há
substituição de consumo de carnes vermelhas por proteínas brancas e por ovos”,
disse a entidade.
Phellipe Castro, proprietário da Casa do Ovo, em Natal, aponta também a crise
nos EUA como um dos fatores responsáveis pelo encarecimento do ovo. “Os Estados
Unidos estão em crise gigantesca na área aviária. Eles praticamente estão
matando todas as galinhas e acho que não vão normalizar esse ano, porque isso
precisa repor. Eles estão comprando muito ovo que produzimos”, explica
Phellipe.
A diretora do Procon Natal, Dina Pérez, disse que o órgão já está iniciando
pesquisas para verificar se os aumentos em Natal são ou não abusivos. Em
janeiro, na pesquisa do Procon, a bandeja estava custando R$ 17, tendo chegado
a R$ 30 nas últimas semanas.
Consumidores em Natal têm constatado os aumentos e ficam surpresos com os novos
preços registrados nos mercados. “Percebi que aumentou sim. A última vez tinha
comprado a R$ 16, agora comprei a R$ 24. Os ovos são para café da manhã,
fazermos bolo”, disse o consumidor Roberto Santos, 62 anos.
Tribuna do Norte

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