E ele não está sozinho nessa escolha. A secretária Márcia Maria conta que, em
tempos de carestia, como se observa atualmente nas prateleiras, não há como
escapar dos preços elevados. No entanto, segundo ela, as compras na feira
ajudam a aliviar um pouco a pressão no bolso no final do mês. “Está tudo caro
em todo lugar, mas na feira eu encontro preços melhores. Minha estratégia é
comprar [na feira] produtos como frutas, feijão, batata e macaxeira, porque,
além da qualidade superior, têm preço melhor do que os do supermercado”, diz a
secretária.
José Maria é servidor público
municipal. Ele afirma que frutas e feijão são os produtos que encabeçam a lista
de compras na feira. “Prefiro comprar aqui, apesar de que tudo está caro, no
supermercado ou em qualquer outro lugar”, comenta. O radiologista Luiz Ferreira
revela que é preciso analisar bem para ver onde vale mais a pena comprar, mas
admite que, para alguns itens, a feira é, sem dúvida, a melhor opção. “Hoje o
que me leva a um supermercado é a questão da higiene dos itens alimentícios,
que acho melhor. Mas, quando eu quero algo mais em conta, penso logo na feira,
mesmo que por aqui itens como verdura e carne também estejam bastante
salgados”, relata.
Quem é feirante também confirma que os produtos estão custando mais, inclusive
nesse ambiente. Isso tem impactado os comerciantes e gerado redução de
faturamento. É o caso de Graça Ribeiro, que vende frango na Feira do Carrasco.
“Nos últimos tempos, tenho sentido uma queda de 20% nas vendas”, pontua. A
redução, segundo ela, está diretamente liga ao preço do produto. “Por conta do
ovo, que subiu muito de valor, a galinha está mais cara – estou comprando com
acréscimo de de R$ 2 a R$ 3 por unidade, em média. E a gente precisa repassar
esse custo ao cliente, para não ficar no prejuízo”, explica Graça, que trabalha
na Feira do Carrasco há 25 anos.
Maike Saoares, que tem uma banca de folhas e hortaliças, descreve que os
produtos tiveram um aumento de cerca de 50% nos últimos dias, valor que precisa
ser repassado para os consumidores de alguma forma. “Para amenizar a situação,
a gente faz algumas promoções, mas nem sempre isso é possível. Os clientes
chegam aqui reclamando que no supermercado está caro e que, por isso, eles vêm
para cá. Mas a verdade é que o nosso movimento hoje também é muito fraco”,
pontua Soares.
Samarone dos Santos começou a vender carne e outros itens na Feira do Carrasco
há dois meses. Mesmo sem um parâmetro maior, ele diz considerar o movimento
atual baixo, por conta dos preços dos alimentos. “Falta dinheiro para tanta
coisa cara”, diz ao justificar o fluxo de clientes. Uma análise feita pela
reportagem com base nos dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),
do IBGE, aponta que praticamente todos os produtos citados nesta reportagem
registraram aumento de preço nos últimos meses.
As carnes acumularam alta de 21,17% no período de 12 meses finalizado em
janeiro passado, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Outros itens, como as frutas, acumularam alta de 7,12% no recorte de 12 meses
encerrado em janeiro. No mesmo período, o frango subiu 10,32%. Já os legumes,
hortaliças e verduras não registraram alta no acumulado, mas tiveram variação
positiva se levado em conta o recorte do mês passado (nesse caso, a alta foi de
8,19% para os legumes e de 0,63% para hortaliças e verduras) na comparação com
o mês anterior (dezembro de 2024).
Tribuna do Norte

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