Um dos argumentos da defesa é
que, mesmo após a apreensão dos telefones do ex-presidente, não foram
encontradas mensagens sobre o plano de golpe.
“A despeito dos quase dois
anos de investigações – período em que foi alvo de exaustivas diligências
investigatórias, amplamente suportadas por medidas cautelares de cunho
invasivo, contemplando, inclusive, a custódia preventiva de apoiadores próximos
-, nenhum elemento que conectasse minimamente o presidente à narrativa
construída na denúncia, foi encontrado”, diz a manifestação.
Os advogados de Bolsonaro
afirmam também que a denúncia é baseada no acordo de colaboração do
tenente-coronel Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens. A delação é classificada
pela defesa do ex-presidente como “fantasiosa”.
“O presidente Jair Bolsonaro
confia na Justiça e, portanto, acredita que essa denúncia não prevalecerá por
sua precariedade, incoerência e ausência de fatos verídicos que a sustentem
perante o Judiciário.”
Além do ex-presidente, outras
33 pessoas também foram denunciados por cinco crimes – tentativa de abolição
violenta do estado democrático de direito, golpe de estado, organização
criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio
da União, e com considerável prejuízo para a vítima, e deterioração de
patrimônio tombado. Caso o Supremo Tribunal Federal (STF) aceite a denúncia,
eles se tornarão réus numa ação penal.
Leia a íntegra da nota da
defesa de Bolsonaro:
A defesa do Presidente Jair
Bolsonaro recebe com estarrecimento e indignação a denúncia da
Procuradoria-Geral da República, divulgada hoje pela mídia, por uma suposta
participação num alegado golpe de Estado.
O Presidente jamais compactuou
com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de
Direito ou as instituições que o pavimentam.
A despeito dos quase dois anos
de investigações – período em que foi alvo de exaustivas diligências
investigatórias, amplamente suportadas por medidas cautelares de cunho
invasivo, contemplando, inclusive, a custódia preventiva de apoiadores próximos
-, nenhum elemento que conectasse minimamente o Presidente à narrativa
construída na denúncia, foi encontrado.
Não há qualquer mensagem do
Presidente da República que embase a acusação, apesar de uma verdadeira devassa
que foi feita em seus telefones pessoais.
A inepta denúncia chega ao
cúmulo de lhe atribuir participação em planos contraditórios entre si e baseada
numa única delação premiada, diversas vezes alteradas, por um delator que
questiona a sua própria voluntariedade. Não por acaso ele mudou sua versão por
inúmeras vezes para construir uma narrativa fantasiosa.
O Presidente Jair Bolsonaro
confia na Justiça e, portanto, acredita que essa denúncia não prevalecerá por
sua precariedade, incoerência e ausência de fatos verídicos que a sustentem
perante o Judiciário.
O Estadão

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