De acordo com Elton Alves,
gestor de cafeicultura do Sebrae/RN, o clima tem sido um dos principais fatores
que afetam a produção do grão e, consequentemente, o preço ao consumidor. “O
Brasil, maior produtor mundial, sofreu com secas intensas e altas temperaturas
nas fases de floração, reduzindo a produtividade”, explica.
Desde 2021, as safras vem
sendo afetadas por condições climáticas adversas, resultando em colheitas
menores. Isso impacta diretamente o preço, já que a menor oferta, aliada a uma
demanda elevada, eleva o valor do café. “Dados da Associação Brasileira da Indústria
de Café (Abic) indicam que a indústria teve uma alta maior do que a registrada
nos supermercados e ainda deve repassar parte desse aumento neste primeiro
trimestre. Entre 2021 e 2024, o custo da matéria-prima subiu 224%”, pontua
Alves.
Segundo a Embrapa, a produção
nacional estimada para 2025 é de 51,81 milhões de sacas de 60 kg, uma queda de
4,4% em relação a 2024. Alves explica que esse declínio é decorrente da
bienalidade negativa da cultura do café, além das altas temperaturas e da seca
registrada no período de floração. “As previsões para fevereiro apontam chuvas
abaixo da média e temperaturas acima do esperado, o que preocupa os
cafeicultores. Apesar de alguma esperança trazida pelas chuvas recentes, as
temperaturas nos próximos meses serão decisivas para garantir um produto de
qualidade. O calor excessivo pode secar os grãos antes da colheita,
comprometendo a safra 2025/26”, alerta.
Outro fator determinante para
o preço do café é a cotação internacional do produto, que reflete na taxa de
câmbio. “O Brasil exportou 3,97 milhões de sacas de café em janeiro de 2025,
uma leve queda de 1,6% em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto,
a receita subiu quase 60%, atingindo US$ 1,3 bilhão. Ou seja, menos café foi
exportado, mas por um valor muito maior”, destaca Alves.
Isso tem relação com o que o
especialista já explicou: oferta menor somada a alta demanda, resulta na
elevação do preço. Assim como Elton Alves, o economista Helder Cavalcanti
também menciona esse fator. De acordo com Helder, essa é a lei da oferta e da procura.
“Evidentemente, o preço, à medida que alguém oferece um valor maior, vai sempre
levar o produto”, finalizou Helder.
Além disso, o custo da
produção também aumentou devido a fatores como mão de obra, energia elétrica,
combustíveis e embalagens, impactando diretamente o preço final. “O café
arábica segue liderando as exportações, com 82,4% do total embarcado. No
entanto, a exportação de café canéfora (robusta + conilon) caiu quase 29%, pois
os grãos vietnamitas e indonésios estão mais competitivos em preço. Isso gerou
um efeito cascata: menos café disponível, preços mais altos e mercado volátil”,
explica.
A tendência é de preços
elevados até pelo menos maio, quando a nova safra de conilon e robusta começa a
ser colhida no Brasil. Alves ressalta que o estoque global de café atingiu o
menor nível em 25 anos. “Na safra 2024/25, a produção aumentou 4,1% em relação
ao ciclo anterior, mas o estoque final caiu 6,6%. Isso impacta diretamente as
cotações internacionais, pressionando os preços”, esclarece.
Com o aumento da demanda
global, especialmente nos Estados Unidos e na China, a pressão sobre o mercado
se intensifica. “Nos últimos anos, o consumo chinês cresceu quase 150%. Em
2024/25, estima-se que alcance 6,3 milhões de sacas. Nos EUA, o setor movimentou
mais de US$ 28 bilhões em 2024 e deve chegar a US$ 33,64 bilhões até 2029. Essa
demanda crescente, aliada às condições climáticas adversas, reduz a oferta e
impulsiona os preços”, explica Alves.
O gestor do Sebrae/RN também
destaca o peso dos fertilizantes e combustíveis nos custos de produção. “A
volatilidade no mercado de fertilizantes, impactada por tensões geopolíticas e
flutuações cambiais, aumentou significativamente os custos para os produtores.
O preço dos combustíveis também subiu, encarecendo o transporte e a logística”,
afirma.
Apesar do alto volume de
exportação, o consumo interno de café segue em crescimento. “Entre 2023 e 2024,
o consumo de café torrado e moído no Brasil cresceu 1,1%, totalizando 21,9
milhões de sacas. O faturamento da indústria chegou a R$ 36,82 bilhões, um
aumento de 60,85% em relação a 2023”, pontua Alves.
A previsão para os próximos
meses é de estabilidade nos altos preços, podendo haver leves reduções
dependendo das cotações internacionais e da safra global 2025/26. “Se tivermos
uma safra muito superior à demanda, os estoques podem se recompor e os preços
baixarem. Mas essa é uma perspectiva de longo prazo”, finaliza Alves.
Preço do café (250g)
Janeiro de 2024: R$ 7,73
Janeiro de 2025: R$ 17,53
Aumento: R$ 9,80
Variação percentual: 126,78%
Exportações brasileiras de
café (janeiro de 2025):
Volume: 3,97 milhões de
sacas
Queda em relação a janeiro de 2024: 1,6%
Receita: US$ 1,3 bilhão
Aumento da receita: 60%
Consumo interno de café no
Brasil (2023-2024):
Crescimento: 1,1%
Total consumido: 21,9 milhões de sacas
Faturamento da indústria: R$ 36,82 bilhões
Aumento do faturamento: 60,85%
Agência Brasil

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