Para Marinho, “a volta do imposto sindical obrigatório, travestido de
contribuição sindical, é mais um tapa na cara do trabalhador, dado por Lula e
pelo PT”. O senador Styvenson Valentim (PODE) disse que “é mais um imposto, de
um governo que só visa arrecadar e não pensa, sinceramente, além do bolso da
população, tirando recursos de todo mundo”.
Valentim afirma que essa
intenção do governo de financiar sindicatos com impostos dos trabalhadores,
mostra que é “infreável’ a sua voracidade de arrecadação”. Segundo Valentim, a
bancada de oposição está em Brasília “justamente para discutir e parar com
isso, porque esse imposto já foi abolido e, como vários outros, está sendo
ressuscitado”.
Para Valentim, a volta do imposto sindical não vai prosperar nas duas Casas do
Congresso Nacional: “A população está até temerosa com essa quantidade de
impostos que vai, querendo ou não, frear o crescimento do nosso país”.
Finalmente, Valentim disse que “pode ter certeza que com meu voto, isso aí não
vai prosperar, chega de onerar o trabalhador, já está carregando peso demais o
trabalhador brasileiro”.
O deputado federal Benes Leocádio (União) é sucinto, a volta do imposto
sindical não terá seu apoio: “Terá o meu voto contra, não há porque ressuscitar
o que já foi extinto, e a meu ver, sem justificativa plausível para essa
volta”.
A deputada federal Carla
Dickson (PL) também se posiciona contra mais essa oneração trabalhador
brasileiro: “Eu sou completamente contrária a esse absurdo. E minha posição
está alicerçada em dois argumentos fortes e bem embasados. Primeiro pela
questão jurídica. A volta desse imposto, compulsório e geral a todos os
trabalhadores, é inconstitucional, já que viola o inciso 20 do artigo 5 da
Constituição Federal”. Segundo a deputada, “lá está muito claro que todos tem
liberdade de estar ou não associados aos sindicatos e essa liberdade, conforme
já disse o STF, engloba a não obrigatoriedade da contribuição”.
Carla Dickson declarou que a ideia do PT, além de tirar mais dinheiro do
trabalhador, é usar as estruturas sindicais como massa de manobra. “E não
podemos admitir isso.”
O deputado federal General Girão (PL) ponderou que “o Brasil possui uma das
maiores cargas tributárias de todo o mundo” e que a proposta do ministro do
Trabalho, Luiz Marinho” reforça essa realidade, podendo ser interpretada como
uma forma de satisfazer a clientela política do sindicalismo, mas que não
representará benefícios reais ao trabalhador que pagará a conta. Essa pressão
do governo se justifica porque o atual presidente iniciou sua vida política em
movimentos sindicais”.
O General Girão posicionou que “além dele, o próprio Luiz Marinho é um antigo
sindicalista metalúrgico de São Bernardo do Campo e ex-presidente da Central
Única de Trabalhadores, movimento amplamente criticado por defender mais os
interesses do corporativismo sindical do que os da coletividade dos
trabalhadores”.
A TRIBUNA DO NORTE também tentou ouvir os seis demais membros do Rio Grande do
Norte no Congresso Nacional, mas não obteve resposta.
Ministro articula projeto via
deputado
O ministro do Trabalho, Luiz
Marinho, confirmou no jornal “O Globo”, da segunda-feira (13), que ao invés do
próprio governo enviar projeto de lei à votação na Câmara Federal e Senado da
República, que a proposta de criação da nova contribuição sindical será
redigida e apresentada pelo deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE) até
fevereiro.
Na entrevista, o ministro Luiz Marinho, informou que o projeto vai atrelar
retomada da contribuição sindical aos acordos coletivos fechados. A mudança de
estratégia é uma tentativa de facilitar a aprovação em um tema visto como
espinhoso pelo Executivo.
De acordo com a matéria de “O Globo”, Marinho defende que a taxa dos sindicatos
sejam pagas por todos os trabalhadores, quando beneficiados por aumento
salarial negociado, e diz que um acordo está “próximo”, a partir de uma
discussão da qual participa o deputado Luiz Gastão (PSD-CE), que participa de
um grupo informal com sindicatos e confederações patronais para elaboração da
proposta.
“Não tem outro formato para tentar. No mundo civilizado, existem os sindicatos,
as mensalidades, e o formato de remuneração por acordo. A lógica é: se eu te
entreguei um resultado, você faz uma contribuição”, diz o deputado Luiz Gastão
sobre a volta do imposto sindical.
Para o deputado “foi correto abolir o imposto obrigatório, que existia
independentemente de ter benefício ou não. A mensalidade é paga por associados
para serviços além do acordo coletivo, como retaguarda jurídica, médica, acesso
a clube… Já o acordo coletivo tem que ser sustentado por toda a categoria. A
assembleia pode aprovar ou não, e determinar o valor da contribuição”.
Gastão afirma que nNão existe decisão individual em organização coletiva. Se um
condomínio aprova em assembleia a modernização da portaria do prédio, quem for
contra não vai contribuir com a taxa extra? Pode reclamar, mas tem que pagar”.
PT busca sustentar seu berço eleitoral
O imposto sindical obrigatório – equivalente a um dia de trabalho, descontado anualmente – foi extinto pela reforma trabalhista aprovada pelo Congresso em 2017. Com isso, as contribuições dos empregados se tornaram opcionais. O imposto sindical existia desde 1940, instituído durante o “Estado Novo” no governo Getúlio Vargas.
Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a cobrança de uma contribuição assistencial pelos sindicatos, inclusive dos trabalhadores não-filiados. Mas, segundo a Corte, deve ser assegurado ao trabalhador o direito de se opor, isto é, de se recusar a pagar.
De autoria do senador Styvenson Valentim (PODE), tramita no Senado Federal
desde 2023, outro projeto de lei para para vedar a exigência de contribuição
sindical de membros de categorias econômicas e profissionais não
sindicalizados.
“Permitir a cobrança da contribuição sindical de empregados e empregadores não
sindicalizados é desrespeitar as suas vontades de não participar das entidades
que representam as suas categorias profissionais e econômicas. Se houvesse a
referida vontade, ocorreria a filiação aos sindicatos de empregados e
empregadores”, defende Valentim. Segundo Valentim, “a ausência de filiação é
indício forte de que a atuação sindical não agrada àqueles que optam por não
aderir às fileiras sindicais”.
O senador Rogério Marinho (PL) relatou a matéria na Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE), com parecer favorável à sua aprovação, alicerçada no inciso V
do art. 8º da Constituição Federal, em que se aponta que “ninguém será obrigado
a filiar-se ou manter-se filiado a sindicato”.
“Assim sendo, não existiria amparo constitucional para a exigência, sob
qualquer pretexto, do pagamento de contribuições por não associados aos
sindicatos de categorias profissionais e econômicas. assim é indispensável que
se assegure a liberdade prevista no referido dispositivo”, relatou Rogério
Marinho.
Atualmente, a matéria aguarda parecer do relator na Comissão de Assuntos
Sociais (CAS) do Senado Federal, o senador Paulo Paim (PT-RS).
Medida “irrigaria os cofres”
de 17 mil sindicatos
Em 2023, o senador Rogério
Marinho (PL-RN) já criticava a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela
constitucionalidade da contribuição assistencial para os sindicatos, imposta
por acordo ou convenção coletiva a trabalhadores, mesmo aqueles não sindicalizados,
desde que assegurado o direito de oposição.
Trata-se do retorno da cobrança obrigatória da contribuição sindical, fixada em
até 1% do rendimento anual do trabalhador. “Em 2017, o Congresso Nacional
reformou uma legislação de mais de 70 anos, a legislação trabalhista. E quando
o fez, determinou, por uma questão de justiça, de livre escrutínio e arbítrio,
que o trabalhador brasileiro deveria, prévia e expressamente, de forma
individual, expressar a sua vontade de aderir a remunerar um sindicato que o
representasse”.
Marinho destacava que até 2017 era descontado um dia de trabalho por ano e
agora é até um centésimo da renda, valores até três vezes mais altos do que os
registrados anteriormente.
Na opinião de Marinho, a decisão do STF “irrigar os cofres” de mais de 17 mil
sindicatos no Brasil, já que existem cerca de 40 milhões de trabalhadores com
carteira assinada, o que significa que mais de R$ 10 bilhões poderão ser
destinados às entidades sindicais.
Naquela ocasião, Marinho dizia que “estamos, na prática, realizando é uma
espécie de pacto da mediocridade, porque aqueles sindicatos que já trabalham,
que já fazem o seu papel de mediar, de negociar, de buscar a melhoria para os
seus trabalhadores, esses já são remunerados pelos seus sindicalizados e
recebem a contribuição assistencial na ocasião da celebração dos acordos que
são celebrados por ocasião das ações impetradas entre quem trabalha e entre
quem produz”.
O senador Rogério Marinho já havia pedido presidente do Senado, Rodrigo Pacheco
(PSD-MG), para analisar o requerimento para que três projetos de lei sobre o
tema — PL 4.218/2023 e PL 4.300/2023 e PL 2.099/2023 ,— sejam apensados e a
Casa decida como deverá ser feito o financiamento dos sindicatos, não de forma
“abusiva e coercitiva”, contra o espírito da lei já aprovada pelo Parlamento.
Agência Senado

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