O fortalecimento da pecuária leiteira, que dobrou a
produção em oito anos, é outro destaque. Além disso, a retomada de abatedouros
e a perspectiva de exportação de gado vivo apontam novos caminhos para a
pecuária potiguar, diz o secretário. Entre os desafios estão a ampliação de
rotas marítimas pelo Porto de Natal e a busca pelo fim do embargo europeu a
pescados, especialmente camarão.
Uma projeção do Coex aponta crescimento de 8% na safra 2024/2025, somente na exportação de melão e melancia. Qual a perspectiva para este ano?
As exportações do agro desde 2019 vêm crescendo de forma bem significativa.
Isso é muito bacana, a gente tem acompanhado isso de perto, tem conversado
muito com o setor, tem barreiras, tem gargalos, e a gente precisa cada vez mais
destravar isso, fazer com que a coisa cresça cada vez mais. O Rio Grande do
Norte tem uma vocação muito especial para essa atividade, que é a produção e a
exportação de frutas, por algumas questões. A principal: segurança hídrica.
Então, a gente tem hoje a transposição do São Francisco, a gente tem três
grandes barragens, com a quarta recém-inaugurada pela governadora Fátima, que é
a barragem lá de Oiticica.
Do ponto de vista da localização geográfica, temos outra
coisa espetacular. A proximidade das fazendas, seja do Vale do Açú, seja um
pouquinho aqui no Mato Grande, seja lá da região do Alto Oeste, Oeste, com a
Chapada do Apodi, você está muito próximo dos portos, seja o próprio Porto de
Natal, seja um porto lá no Ceará. A gente deve ter batido algo em torno de US$
250 milhões de exportação. Isso representa, com esse dólar acima de R$ 6,
representa quase R$ 1,5 bilhão de dinheiro externo que entra para dentro da
economia do Rio Grande do Norte. Os principais são melão, melancia, mamão e
manga, os 4 Ms que a gente batizou. Hoje o Rio Grande do Norte é muito forte em
melão, melancia e mamão. Ainda tem cana-de-açúcar, que o Rio Grande do Norte
tem exportado bem. Tem os pescados, que também está se exportando bem. E quando
você juntar tudo, eu acho que a gente chega em torno desses US$ 250 milhões.
E o pobre do camarão levou essa culpa do peixe. E esse
embargo está até hoje. A gente tem conversado muito com o Ministro da
Agricultura, da Pesca, o presidente Lula tem uma abertura muito grande com os
países da comunidade europeia e a gente tem a expectativa de que isso seja
retomado, esse canal de comercialização. Principalmente que isso seja liberado
para a questão do camarão, que esse é o nosso foco. Com a saída do Reino Unido
da União Europeia, abriu-se uma oportunidade e a gente tem conversado muito,
com as embaixadas em Brasília, para que ocorram as exportações para o Reino
Unido. A gente tem uma expectativa que esse ano de 2025, essa questão pelo
menos para o camarão, que isso possa ser exportado.
A cidade de Mossoró deve ter hoje, sem sombra de dúvida,
tem uns dez condomínios fechados, você tem empresas de retífica de motores,
isso tem impacto no borracheiro que conserta o pneu dos tratores, lá na cidade
de Baraúnas, Apodi, que isso tudo existe por causa do agro e o PIB desse
serviço não é contabilizado por agro, para o agro. O agro do Rio Grande do
Norte representa um PIB de 6%, 8%, 11%, mas, é muito maior. Hoje você tem
equipamento de tecnologia, você tem serviços de empresas mundiais que estão sendo
ofertados no Rio Grande do Norte por conta do agro.
Esse negócio de startup, essa questão do conhecimento, do
avanço da tecnologia, e isso existe por conta do agro.
As questões desse depósito seria através de uma garantia,
não necessariamente dinheiro. Infelizmente, apareceram grupos empresariais
interessados, mas o modelo de garantia ofertado, que no entendimento do
Ministério estava ok, mas como o leilão era na Bolsa de Valores, na B3, a B3
entendeu que não podia. Então decidimos facilitar ainda mais essa questão da
garantia. Exemplo, se eu tenho uma empresa com um patrimônio que vale X milhões
e esse valor é o necessário para garantir que o terminal pesqueiro entre em
operação, então o próprio capital social da empresa poderia ser ofertado com
essa garantia. Isso obviamente volta para o Tribunal de Contas da União. A
gente está na expectativa que ainda nesse primeiro semestre tenha nova
licitação, tenha novo leilão.
E tem mais pelo menos uns mil e quinhentos para entrar em
operação ainda, 2025, 2026, para a gente concluir em definitivo e ter seis mil
hectares funcionando. Lá dentro do projeto tem quatro vilas de casa, de pessoas
moram, habitam dentro do projeto, são cerca de 1,6 mil pessoas, fora os
trabalhadores que trabalham, e é uma população volante. Hoje está se criando um
grande polo de citricultura, que é uma coisa que a gente tem incentivado muito,
entendendo os problemas que a citricultura de mesa, de exportação, tem
enfrentado em São Paulo, a ponto da União Europeia proibir durante dois, três
meses a exportação de fruta para lá. E o clima nosso dá show.
A gente cai num ciclo muito ruim. Eu não produzo gado
porque eu não tenho a quem vender. E quem quer comprar não tem gado aqui, então
vai comprar a carne de fora. Discutimos isso com a governadora Fátima e a gente
tem alguns abatedouros sendo construídos pelo governo do Estado através da
Emater e o presidente César [Oliveira] foi muito receptivo para a gente fazer
um teste. Fizemos isso com uma abatedouro em Vera Cruz, começou com uma demanda
pequenininha, hoje abate em torno de 500 a 600 animais por semana, criamos um
volume, acendemos a luz e pela primeira vez, depois de 10 anos, o Rio Grande do
Norte passa a ter uma abatedouro, não privado, mas administrada pela iniciativa
privada, em pleno funcionamento.
Mas ainda é muito pouco. Surgiu uma oportunidade de
trazer a venda de gado vivo, que ocorre no Brasil – e são muitas cabeças de
animal, isso gira em torno hoje de mais de um milhão por ano – normalmente
ocorre no Pará, mas ocorre também em São Paulo e ocorre em um porto do Rio
Grande do Sul. O Porto de Natal, é muito tranquilo, porque ele está dentro do
Rio, não está dentro do mar, o embarque de mercadoria é muito tranquilo. Tem
empresários que fazem isso, principalmente para o mundo árabe, que é grande consumidor
de gado vivo, que tem algumas questões de certificação, o que envolve questões
religiosas, em que no Brasil não consegue atender, com animais abatidos, e aí
eles compram o gado vivo, do mundo todo. Começou a negociação há cerca de
quatro meses, isso nos foi apresentado através do senador Jean Paul Prates, e a
gente está bem avançado para que a gente esse ano faça os primeiros embarques
aqui.
Tribuna do Norte

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