sábado, 4 de janeiro de 2025

Fiéis se reúnem no Santuário dos Santos Reis para missas e procissão

A tradição de Santos Reis é a celebração que une fiéis todos os anos em busca de esperança, força, fé e para agradecer. Celebrado em 6 de janeiro, o Dia de Reis marca a visita dos três Reis Magos – Gaspar, Baltasar e Belchior – ao Menino Jesus. Mais do que uma data religiosa, a celebração representa os valores que ainda hoje inspiram famílias como as de Luciana Kariny, Maria da Natividade e Maria do Socorro, que tradicionalmente vão ao Santuário Arquidiocesano dos Santos Reis, em Natal, para participar das novenas e procissão.

Essa confiança é partilhada por fiéis como Luciana Kariny, de 37 anos, que todos os anos participa da procissão acompanhada de sua mãe, Maria da Natividade. Para Luciana, a devoção começou ainda na infância. “Representa muita devoção, porque ela me trazia desde pequena para cá. E a fé foi aumentando a cada ano”, relata.

A tradição, que passa de geração em geração, tem um significado especial para a devota. “Quando fui crescendo, fui entendendo o que era Santos Reis, o que era a fé que ela mostrava para nós. A gente foi também adquirindo essa fé. Para mim, é muito emocionante. Todo ano a gente vem, tanto para as novenas quanto para a grande procissão. É muito importante e muito linda a procissão e a fé que a gente vê tanto do povo como a nossa própria fé também”, relata.

Maria da Natividade, hoje com 74 anos, frequenta as celebrações desde os sete anos de idade. Crescida em uma família católica, ela recorda suas primeiras experiências religiosas. “Venho desde os sete anos de idade a essa novena. Eu vinha com o meu pai. Até hoje, venho todos os anos, não só na procissão, mas também nas novenas.” Para Maria, a fé nos Santos Reis trouxe graças significativas para sua família. Ela relembra o episódio de superação do marido, que conseguiu deixar o vício da bebida após um pedido feito por ela aos Reis Magos. “Meu esposo era muito viciado em bebida. Então, eu fiz um pedido com muita fé e fui atendida. Ele deixou de beber.” Embora seu marido tenha falecido posteriormente, ela vê o episódio como um verdadeiro milagre. “De qualquer forma, foi um milagre. Eu senti como um milagre”, finaliza.

Maria do Socorro, de 75 anos, é amiga de Luciana e de Maria da Natividade e as acompanha todos os anos para agradecer e demonstrar a fé, por isso também mantém viva a devoção aos Santos Reis. Maria do Socorro também foi influenciada por sua família a seguir a religião. “Minha avó, meu avô e minha mãe eram franciscanos [que são da Igreja de São Francisco], todos nós somos católicos de raiz. A vovó vinha para cá [Santuário Arquidiocesano dos Santos Reis] e minha mãe também. Eu comecei a vir para a igreja por conta deles, e até hoje continuo seguindo minha fé”, conta a fiel.

Ela relembra um episódio marcante de sua vida, ocorrido no Dia de Reis, que fortaleceu ainda mais sua fé. “Meu filho mais novo sofreu um acidente no dia 6 de janeiro, quando tinha 6 anos. Ele pegou 25 pontos na cabeça. Graças a Deus, ele está hoje com 52 anos. Embora não tenha feito uma promessa formal na época, Maria do Socorro destaca o alívio que sentiu ao perceber que seu filho sobreviveu. “O desespero foi tão grande que a gente nem pensa, né? Depois eu percebi que foi uma grande graça. Hoje ele está bem. Foi só agradecimento”, finaliza.

Esperança em tempos de adversidade

A história dos Reis Magos é carregada de simbolismo. Segundo o relato bíblico, eles viajaram por longos períodos, guiados apenas por uma estrela, até encontrarem o Menino Jesus na manjedoura. Para o padre Francisco, essa narrativa continua a inspirar fé e perseverança nos dias atuais. “Os Reis Magos viajaram por longos períodos, guiados apenas por uma estrela, sem provas concretas. Isso simboliza que a fé e a esperança não dependem de garantias visíveis, mas de uma confiança profunda”, explica.

Essa confiança é fundamental, especialmente em tempos de adversidade. Maria do Socorro reflete sobre o simbolismo dos Reis Magos e como essa história bíblica inspira sua fé. “Quando penso que Jesus nasceu numa manjedoura, sem ter lugar, e eles, sem rumo, conseguiram encontrar o menino Deus… Isso, para mim, é muito forte. Eles não eram católicos, mas Deus tudo faz e faz bem feito. Todo ano eu venho e confio em Deus que, até Ele me chamar, estarei por aqui”, finaliza a fiel.

O padre Francisco também reforça o papel da Igreja em manter viva essa tradição. “O Ano Jubilar, que será celebrado em 2025, é um tempo de renovação espiritual. Durante esse período, os fiéis poderão receber indulgência plenária ao rezar no santuário. Isso reforça o compromisso de manter viva a tradição dos Santos Reis e renovar a fé”, destaca o sacerdote.

Os relatos das famílias participantes mostram como essa celebração é mais do que um ato religioso, mas um compromisso de fé que resiste ao tempo. Ao longo dos séculos, a tradição de Santos Reis se perpetuou através da devoção transmitida por pais, mães e avós, que ensinam os valores da espiritualidade e da solidariedade às novas gerações.

Para muitos, o Dia de Reis é um momento de olhar para o passado, relembrar histórias familiares e reforçar os laços espirituais. Essa herança religiosa não apenas preserva a fé, mas também fortalece a identidade cultural e comunitária, especialmente em tempos de incertezas e desafios.

As celebrações em torno dos Santos Reis também representam um chamado à esperança. Em meio às dificuldades da vida cotidiana, a jornada dos Magos em busca do Menino Jesus continua a ser um exemplo inspirador de resiliência e fé. As histórias de Maria da Natividade, Luciana Kariny e Maria do Socorro ilustram como essa devoção ainda traz conforto e inspiração, renovando o espírito daqueles que participam das celebrações anuais.

No contexto contemporâneo, a tradição dos Santos Reis é vista como um símbolo de fé que une diferentes gerações, como exemplo a mãe e filha: Maria da Natividade e Luciana Kariny.

Segundo o padre Francisco, a jornada dos Reis Magos, que atravessaram desertos e enfrentaram desafios, serve como metáfora para os desafios enfrentados pelos fiéis ao longo da vida.

Além disso, Francisco Lima defende que a celebração fortalece o senso de comunidade. Durante o período das novenas e da missa campal, os fiéis se reúnem para compartilhar suas experiências e renovar seus votos de fé. Esse encontro coletivo, segundo o padre Francisco, é fundamental para manter viva a chama da espiritualidade.

“A devoção aos Santos Reis também é uma oportunidade para reforçar valores como a solidariedade e a compaixão. A história dos Magos que levaram presentes ao Menino Jesus ensina que a verdadeira riqueza está em compartilhar o que se tem com os outros, especialmente com aqueles que mais precisam. Em tempos de tantas adversidades, essa mensagem se torna ainda mais relevante”, finaliza.

Tradição existe há mais de 370 anos

O Santuário Arquidiocesano dos Santos Reis é um dos símbolos dessa devoção. Segundo o padre Francisco Lima, a escolha dos Reis Magos como copadroeiros da cidade ocorreu por iniciativa dos próprios moradores, há mais de 370 anos, quando as imagens dos magos chegaram à capital potiguar. Desde então, as celebrações crescem a cada ano que se passa, assim como o número de devotos, especialmente durante o novenário que precede o Dia de Reis.

“Essa festa transformou-se em uma manifestação popular que reflete um sentimento de alegria e celebração”, explica o padre Francisco. Ele defende que a tradição está longe de se perder, pois é no Dia de Reis que as pessoas fortificam sua fé. “Na tradição do Dia de Reis, as pessoas veem esperança. Mesmo diante de adversidades, eles não desistiram de sua jornada”

No Santuário Arquidiocesano dos Santos Reis, a celebração inicia no dia 27 de dezembro, com um novenário que antecede o Dia de Reis. Durante esse período, as imagens dos magos são colocadas em diferentes locais, simbolizando a jornada até a manjedoura. As celebrações encerram-se no dia 6 de janeiro, com uma missa campal para acolher um maior número de fiéis. Segundo o padre Francisco, “No santuário, cabem cerca de 300 pessoas por vez, mas no dia 6 há várias missas, e à tarde ocorre uma missa campal para acomodar mais pessoas”, afirma.

Serviço:
Confira a programação do dia 6, no Santuário:
7h – Missa presidida pelo padre. Thalles Henrique, vigário paroquial da Paróquia de Santa Teresinha;
9h – Missa solene presidida por Dom Jaime
Vieira Rocha, arcebispo emérito de Natal;
10h – Celebração do sacramento do batismo;
11h – Missa da Coroa de Estrelas, presidida pelo padre Gleiber Dantas de Melo, da Diocese de Caicó;
16h – Procissão com a imagem dos três
Reis Magos pelas ruas do bairro de Santos Reis, encerrando com uma missa presidida pelo Monsenhor José Sílvio de Brito, vigário geral da Arquidiocese

Rayssa Vitorino
Repórter/Tribuna do Norte

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