O câncer foi diagnosticado em
2019. Na época, Ney foi operado e retirou a próstata. A doença voltou em agosto
deste ano, já com metástase.
Ele deixa o marido, o ator Edi
Botelho, com quem era casado há 30 anos. O local e horário do velório ainda não
foram definidos.
O artista estreou na Globo em
1975 na novela “Escalada” e, ao longo da carreira, se destacou em novelas e
programas humorísticos, como Quequé, em "Rabo de saia" (1984), o
vampiro Vlad, em "Vamp" (1991) e Barbosa, em "TV Pirata".
Ator já nasce ator. Aprendi
desde pequeno que precisava representar para sobreviver. Sempre fui uma criança
diferente das outras: às vezes, eu tinha que dormir cedo porque não havia o que
comer em casa. Então, até hoje, para mim, estou no lucro", disse o ator em
depoimento ao Memória Globo.
Ney Latorraca nasceu em Santos
(SP) no dia 25 de julho de 1944. Era filho de artistas. O pai, Alfredo, era
cantor e crooner de boates, e a mãe, Tomaza, corista.
Na infância, morou em São
Paulo e no Rio de Janeiro, até voltar para Santos e prestar exame no Instituto
de Educação Canadá, escola onde formou, com um grupo de amigos que lá
estudavam, a banda Eldorado.
Pouco tempo depois, já em São
Paulo, o ator participou da peça "Reportagem de um tempo mau", com
direção de Plínio Marcos, no Teatro Arena. O trabalho não chegou a entrar em
cartaz por ter sido censurado pelo governo militar - alguns atores da peça
foram, inclusive, presos.
Assumiu a função de líder e
cantor do grupo. Sua estreia no teatro aconteceu em 1964, em uma peça de escola
chamada "Pluft, o fantasminha". Na época, ele tinha 19 anos. O
sucesso fez com que a peça ganhasse fama fora dos muros do Instituto de Educação
Canadá.
"Fiquei completamente
arrasado, queria me matar. Voltei para Santos", disse Ney sobre a ocasião.
Em seu retorno à sua cidade
natal, Ney Latorraca estudou na Escola de Arte Dramática, atuou em algumas
peças locais e, no ano de 1969, finalmente estreou na televisão em "Super
plá", na TV Tupi, e no cinema em "Audácia, a fúria dos trópicos".
Em seguida, trabalhou na TV
Cultura e na TV Record, antes de estrear de vez na Rede Globo em 1975, na
novela "Escalada", de Lauro César Muniz, cujo elenco contava ainda
com Tarcísio Meira e Susana Vieira.
Com Vera Fischer, interpretou
uma cena de estupro em "Coração alado" (1980), a primeira em uma
novela das oito. No folhetim, dividiu as atenções com atores como Tarcísio
Meira, Débora Duarte e Walmor Chagas.
Em 1990, trabalhou no SBT na
novela "Brasileiras e brasileiros". No ano seguinte, voltou para a TV
Globo e viveu um de seus personagens mais famosos: Vlad, na novela
"Vamp" (1991). Outras atuações marcantes de Latorraca foram a de Barbosa,
em "TV Pirata" (1988), do italiano Ernesto Gattai na minissérie
"Anarquistas, graças a Deus" (1984) e do travesti Anabela em "Um
sonho a mais" (1985). Na trama, aliás, fez seis papéis.
"Pensei que fosse
enlouquecer. Virei o versátil da Globo. Com essa história de versátil é que
dancei mesmo. Comecei a fazer de tudo: sapatear, plantar bananeira, subir,
descer, fazer árvore, jacaré, vampiro. Mas é bom ser versátil. Você não fica
carimbado”, afirmou.
O ator também é lembrado por
seu papel na novela "Estúpido cupido", exibida entre 1976 e 1977, na
qual viveu Mederiquis, fã de Elvis Presley e líder da banda de rock
Personélitis Bóis. A princípio, ele não queria o papel.
"Eu estava com 33 anos e
interpretava um cara de 17. Queria abandonar, não ia mais fazer. Me botaram de
peruca, todo maquiado. Quando me vi caracterizado como o personagem, falei:
‘Estou parecendo um macaco’. Falei que ficava com uma condição: ‘Quero escolher
meu figurino’. Me vesti todo de preto, sem maquiagem alguma, e pedi uma
lambreta preta. Batizei-a de Brigite", contou. "Virou um grande
sucesso, estourou mesmo. Fizeram história em quadrinhos, chiclete, figurinha –
e eu era uma das figurinhas mais difíceis".
Entre seus vários trabalhos
para a Rede Globo, Ney Latorraca atuou em 18 novelas, seis minisséries e oito
seriados. Tem ainda em seu currículo 23 longa-metragens e 13 peças. Sua última
participação na Rede Globo foi no seriado "A Grande Família", em
2011.
Ao lado de Marco Nanini, ficou
11 anos em cartaz com a peça "O Mistério da Irma Vap", dirigida por
Marília Pêra.
Tribuna do Norte

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