Nesta quarta-feira (25), as comemorações estarão concentradas na Arena das
Dunas e incluem shows de Padre Nunes e DJ Felipe BZ, além do espetáculo “Um
Presente de Natal”, que integra a programação do Natal em Natal. Com quase 100
artistas no elenco, entre bailarinos, atores, cantores e crianças, a montagem
revisita a obra “Nosso Quintal”, de 2013, narrando o nascimento de Cristo e
propondo reflexões sobre a tecnologia e as relações humanas.
Mais do que a data de
fundação, o que torna Natal especial é a história, marcada pela resistência e
posição estratégica. Segundo o historiador François Fernandes, a cidade nasceu
em um momento de disputa territorial entre Espanha e Holanda. “O Rio Grande não
foi colonizado como capitania hereditária, e tivemos três tentativas frustradas
de ocupação. A capitania foi incorporada à Coroa Portuguesa, tornando-se uma
capitania real, para proteger o território de invasões”, explica.
Nesse contexto, em 6 de janeiro de 1597, iniciou-se a construção da Fortaleza
dos Reis Magos, que se tornou o marco inicial do povoamento. “Com o forte
estabelecido, surgiu a necessidade de fundar um povo, que não podia ser em cima
do quartel. Muitos acham que Natal foi fundada a partir de Santos Reis, Rocas,
mas foi onde tem a Praça André de Albuquerque. Assim, em 25 de dezembro de
1599, nasceu Natal, batizada em homenagem ao dia de sua fundação, uma prática
comum de Portugal e Espanha, países muito católicos”, diz o historiador.
A fundação da cidade, entretanto, ainda gera debates históricos. “Há três
possíveis fundadores de Natal: Jerônimo de Albuquerque, Manuel de Mascarenhas
Homem e João Rodrigues Colaço”, pondera Fernandes. Ainda segundo Fernandes,
Natal começou pequena, com as primeiras ruas localizadas na atual Cidade Alta.
Foi ali que as raízes da capital potiguar começaram a se espalhar, ganhando
corpo com o surgimento da Ribeira e, mais tarde, do Alecrim.
A capital potiguar guarda verdadeiros tesouros de sua história. A Igreja Matriz
de Nossa Senhora da Apresentação, conhecida como Antiga Catedral, é um desses
marcos, juntamente com a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e a
Igreja do Galo. “São símbolos muito fortes da nossa fundação, da nossa
história. São verdadeiros patrimônios da evolução da nossa cidade ao longo dos
séculos”, diz.
O professor de história François Fernandes destaca ainda que os 425 anos de
Natal representam uma oportunidade para refletir sobre a cidade e seus
desafios, mas também para projetar os próximos natais. “Queria que as gerações
futuras soubessem que a gente teve, durante muito tempo, o ar mais puro das
Américas, uma cidade aprazível, uma cidade que foi abençoada pela natureza e
que eu espero que a gente cuide do que a gente tem e que a gente resgate alguns
valores”, completa.
Tribuna do Norte

Nenhum comentário:
Postar um comentário