Cláudio Oliveira
Repórter
Qual a avaliação que o senhor faz dos dois mandatos?
Foi realmente o maior desafio da minha vida ter administrado a cidade de Natal
durante seis anos. Tivemos que tomar grandes decisões para superar obstáculos,
dificuldades que encontramos pelo caminho como, por exemplo, a pandemia do
coronavírus. Uma doença provocada por um vírus desconhecido, letal, assassino,
covarde, que ceifou a vida de milhares de natalenses e pessoas pelo Brasil e
pelo mundo. Por ser um vírus desconhecido, o seu enfrentamento foi mais difícil
do que o usual.
Quais medidas o senhor destaca
no enfrentamento dessa pandemia?
Montamos um comitê científico de pessoas de alto nível e fomos para as ruas
enfrentar essa dificuldade. Montamos um hospital de campanha, em tempo recorde,
com 100 leitos de enfermaria e 20 leitos de UTI, que nos ajudou a fazer o
trabalho de proteger os natalenses contra esse mal que se abateu sobre a nossa
cidade, o Brasil e o mundo. Tivemos três centros de enfrentamento, várias
unidades básicas de saúde com médicos treinados e preparados para enfrentar o
coronavírus. Montamos esquemas de vacinação em drive-thru, com teste rápido e
outros encaminhamentos. Por tudo isso, chegamos a um resultado bastante
satisfatório, até pelas inovações que nós adotamos.
O que mais o senhor destaca
como grande desafio?
Sentimos que a cidade de Natal estava um pouco atrasada. Identificamos as
causas, a principal delas era o Plano Diretor arcaico, ultrapassado, que
impunha muitas dificuldades ao desenvolvimento da cidade que, por ter sido
sancionado há mais de 20 anos, tinha em seu bojo uma série de limitações.
Elaboramos o Plano Diretor mais transparente e democrático da história de
Natal. Foram mais de 4 mil propostas e sugestões que contribuíram para que
chegassem ao Plano Diretor atual, que é um dos mais modernos do Brasil.
Qual o impacto dessa mudança?
Isso aí facilitou a retomada do desenvolvimento. Hoje, Natal tem mais de R$ 3
bilhões em novos empreendimentos da iniciativa privada, principalmente na área
imobiliária, que antes não eram possíveis. Além desse avanço promovido pelas
mudanças do Plano Diretor e pela retomada dos empreendimentos por parte da
iniciativa privada, nós temos de citar também as várias obras que nós
realizamos e que, realmente, modernizaram a nossa cidade, como, por exemplo, a
engorda da Praia de Ponta Negra, uma obra revolucionária que aumenta a faixa de
areia em 50 metros na maré cheia e 100 metros na maré seca, restituindo a
beleza natural daquela que é uma das mais belas praias do Brasil.
O senhor acredita que sua
gestão ficará conhecida por “gestão das obras”?
Acho que as grandes obras estruturantes estão presentes e são elas que dão o
tom de modernidade à nossa gestão porque são obras de grande visibilidade, como
a engorda da Praia Ponta Negra, a construção do Complexo Turístico da Redinha,
a reforma da orla urbana. Podemos citar o Hospital Municipal, que é uma obra
para desafogar as unidades de pronto-atendimento e que vai prestar um serviço
inestimável na área da saúde pública.Temos, na área da educação, a Escola
Municipal de Tempo Integral Padre Tiago Theisen, que vai receber mais de mil
alunos, oferecer as três refeições, atendimento médico, odontológico,
psicossocial e toda uma infraestrutura que as mais modernas escolas do setor
privado possuem, como piscina olímpica, pista de atletismo, quadra de esporte,
biblioteca, uma das mais bem estruturadas da cidade. O Programa Asfalto Novo,
através do qual investimos mais de R$ 100 milhões, recapeando as principais
avenidas da nossa cidade. Modernizamos as principais praças da cidade de Natal,
num total de mais de 100. Temos muitas outras grandes obras estruturantes que
ninguém pode dizer que não modernizamos Natal, porque essa é uma realidade
facilmente perceptível.
O senhor administrou a cidade
no período em que os municípios reclamam da crise financeira. O que foi preciso
fazer para que Natal não parasse?
A cidade de Natal realmente enfrentou dificuldades como todos os outros
municípios. Mas a gente identificou que os recursos estão concentrados na
capital federal, junto ao governo federal. Nos preparamos para buscar esses
recursos através de emendas parlamentares, de projetos que nós elaboramos e
demos entrada nos principais ministérios. Utilizamos a força política aliada à
capacidade técnica da nossa equipe para elaborar bons projetos e conseguir mais
de R$ 700 milhões, viabilizando a realização de muitas obras novas.
Parte desses projetos fica
para a gestão do Paulinho Freire concluir?
Uma grande parte nós concluímos e uma grande parte, em virtude do excesso de
burocracia que existe no nosso país, de limite, de tempo, de necessidade, de
muitos documentos, de licenças, de outras questões, vão realmente ficar aí para
serem concluídos pelo nosso sucessor que é Paulinho Freire. Mas, com relação a
isso, não existe nenhum problema porque ele próprio assumiu o compromisso
durante a campanha, inclusive declarando em várias oportunidades e através de
várias entrevistas que pretende e vai concluir todas essas obras que nós vamos
deixar em andamento depois da sua posse.
Qual vai ser o tamanho da
participação de Álvaro Dias, do Republicanos, na gestão de Paulinho?
A manutenção dos secretários Thiago Mesquita (Semurb) e Thiago Marreiros
(NatalPrev) não foram indicados pelo prefeito Álvaro Dias, nem pelo
Republicanos. Eles são dessa gestão e vão permanecer na próxima por uma decisão
e escolha pessoal do futuro prefeito. Nós apresentamos a Paulinho a nossa
equipe. Ele conhece todos os secretários, tem acompanhado de uma maneira bem
próxima todo o trabalho que nós estamos realizando e nós o deixamos bem à
vontade para definir, escolher, decidir quem ele aproveita ou não da nossa
equipe. Depende também da aceitação ou não de cada um dos secretários.
Mas quais indicações o senhor
fará?
Nós não pretendemos e não vamos fazer a indicação nem a sugestão de ninguém.
Deixamos o prefeito muito à vontade para que ele monte a sua equipe, imprima,
dê o tom que desejar à nova gestão. Nós temos a tranqüilidade de saber, apenas,
que ele vai dar continuidade à nossa gestão, vai seguir o mesmo tom e vai, como
ele próprio declarou, concluir todas as obras em andamento que nós estamos
entregando a ele.
O senhor iniciou nessa gestão
o processo de parcerias público-privadas. Esse é o caminho que o senhor vê para
a cidade se desenvolver mais?
Realmente, iniciamos as Parcerias Público-Privadas, que devem ter continuidade
na gestão do futuro prefeito, Paulinho Freire, pelo bom resultado que elas vêm
apresentando. Fizemos isso com o Teatro Sandoval Vanderlei e o Mercado da
Redinha. Foi o que deu tempo incluir dentro desse pacote de PPPs que nós
estamos entregando encaminhadas ao futuro prefeito. Acho que ele, por ser um
empresário bem sucedido, vai entender também a importância das PPPs e dar
continuidade a isso, mas é uma decisão dele.
Quais outros ativos o senhor
aponta para entrar nas PPPs?
O Parque da Cidade seria uma opção para incluir nas Parcerias Público-Privadas.
Temos o Santuário de Nossa Senhora de Fátima na Zona Norte, como uma opção para
fazer parte dessa estrutura, porque vai ser um amplo local onde vai florescer o
turismo religioso e precisa realmente de uma manutenção importante. É uma santa
com 40 metros que vai ser erguida nesse local, com uma praça convidativa e que
deverá ser muito bem freqüentada, além de outros equipamentos que podem servir
de modelo para parcerias com a iniciativa privada.
Qual é o caminho de Álvaro
Dias a partir de agora?
É descansar um pouco, se dedicar um pouco mais à família. Viajar um pouco,
visitar minha filha que mora nos Estados Unidos e que faz seis anos que eu não
a vejo, meus netos também. E aí depois, claro, pensar um pouco sobre o futuro,
mas mais adiante, quando estiver mais próximo também de que eu tenha de tomar
alguma decisão, que eu acho que o momento agora não é adequado nem oportuno
para isso.
E qual é a intenção para 2026?
Será candidato?
Não decidi ainda, mas com certeza eu devo permanecer na vida pública com um
caminho a seguir, que eu acho que todo político deve seguir, que é quando
chegar o momento, consultar os seus aliados, os seus amigos, as suas bases, as
pessoas com as quais ele desenvolve suas atividades políticas para, dentro
desse conjunto de pessoas e de sugestões, aceitar algo que represente o desejo,
a vontade da maioria que garante a sua permanência na vida pública.
Tribuna do Norte

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