Com o início de um novo
mandato agora na ABIH, o que permanece da gestão passada e o que vem de novo?
A responsabilidade é muito grande porque a gestão anterior, do presidente Abdon
Gosson, foi muito exitosa. Nós tivemos um aumento substancial do número de
associados. Em 2020, saímos de 78 associados para 210 atualmente. Ainda tem
muito o que se fazer nesse sentido. O Estado do Rio Grande do Norte tem mais de
750 estabelecimentos de hospedagem e uma importância muito grande para a nossa
economia. O turismo representa aproximadamente 35% do nosso PIB. É uma
indústria geradora de mais de 120 mil empregos diretos e mais de 300 mil
indiretos.
A gestão de Abdon Gosson veio
trazer esse aumento no contingente de associados, mas também trouxe uma
inovação na medida em que passamos a pleitear junto à classe política, aos
nossos parlamentares, uma série de emendas, das quais a maioria passou pela Secretaria
de Turismo do RN (Setur/RN), mas sob a gestão e a batuta da ABIH. Nós
entendemos que o nosso setor, que os hoteleiros, são aqueles que mais entendem
do segmento do turismo, pois o vivenciam 24 horas por dia. Então precisamos
opinar para que os investimentos do poder público sejam mais assertivos. A
maior parte dessas emendas parlamentares são vertidas para a divulgação e
promoção do nosso destino pelo país e a nível internacional.
Então o maior destaque da nova
gestão vai ser fortalecer o diálogo junto ao Governo para trazer mais emendas
voltadas para o fomento ao turismo?
Também. Nós temos uma série de batalhas, uma série de bandeiras. Nós trazemos
como exemplo, a nível nacional, a conquista do Programa Emergencial de Retomada
do Setor de Eventos (Perse), que inicialmente a hotelaria não estava
contemplada na lei. Nós temos a redução do Imposto sobre Valor Agregado (IVA),
que passou recentemente pela reforma tributária, foi feito um trabalho muito
forte por parte do nosso trade junto aos parlamentares em Brasília. Nós tivemos
um êxito na redução de 40% do IVA. Esse imposto que vai ser unificado traz um
reflexo e um peso muito grande. Se não houver a redução, nós não vamos ter
competitividade diante dos demais países da Organização dos Estados Americanos
(OEA). Isso porque a predominância de mais de 90% da rede hoteleira
internacional tem um nível de aproximadamente 10%. Então, com essa redução, a
gente consegue ganhar um pouco mais de competitividade.
O senhor citou durante a
entrevista ao Tribuna Livre, da Jovem Pan News Natal, a importância das
parcerias público-privadas (PPP’s). Já temos algumas em andamento, mas na sua
visão quais outros equipamentos devem passar por esse processo de concessão à iniciativa
privada?
Na nossa opinião, todos os equipamentos públicos com vocação turística devem
ser geridos pela iniciativa privada através de PPPs. Nós trazemos como exemplo
o Cajueiro de Pirangi, que atualmente é gerido pelo Idema, mas não tem uma
visão turística que possa fazer um melhor acolhimento para aqueles turistas que
passam no Estado. Temos o Forte do Reis Magos, que é extremamente subutilizado
e praticamente não recebe visitação. Há o Museu da Rampa e a possibilidade de
criação de estradas privativas que possam trazer maior acessibilidades aos
destinos fora de Natal e cobrar pedágio. O Terminal Turístico da Redinha já
está em andamento e eu tenho certeza que vai ser um grande equipamento para o
nosso turismo.
Então expandir essas parcerias
públicas-privadas vai ser, também, uma bandeira da gestão?
Sem dúvida. Vamos defendê-las [PPPs] até onde pudermos, pois entendemos que é a
única saída que nós temos para atingir essa eficiência.
Recentemente, teve a aprovação
na Câmara de Natal das Áreas de Interesse Turístico e Paisagístico (AEITPs).
Qual a perspectiva da ABIH com essa aprovação, pensando no setor da indústria
de hotéis e na Via Costeira?
Nós temos uma série de áreas que ainda não foram exploradas diante desse
engessamento e da falta de investimentos que, em sua maioria, possam vir de
fora também. Existe uma série de projetos que estavam parados em função da
falta de regulamentação dessas áreas. Então essa aprovação veio para trazer
mais flexibilidade para o uso e a destinação dessas áreas. Vai ser possível ter
imóveis residenciais, imóveis de multipropriedade, restaurantes e etc. Você tem
uma pluralidade de atividades que podem trazer um mix atraente não só para os
turistas, mas também para o natalense.
Há na Via Costeira nove
acessos para a beira da praia, que até hoje são ruas projetadas e não têm
demarcação física. Então, as pessoas não conseguem acessar a praia. É dado o
momento do poder público efetivamente entregar a Via Costeira e as praias da região
para população de Natal. Com a população fazendo uso disso, naturalmente o
turista chega. Os turistas querem estar onde as pessoas vivem e moram no local
para entender os costumes e a cultura.
Em relação à obra da engorda
da Praia de Ponta Negra, quais são as expectativas da ABIH com a finalização
dessa estrutura?
A obra da engorda de Ponta Negra foi a mais importante dos últimos 30 anos. É
uma obra estruturante e necessária para coibir a imensa erosão costeira que
vinha comprometendo a estrutura dos hotéis da região, a segurança da população
com a erosão de calçadas e uma série de acidentes que poderiam começar a
ocorrer. A obra vai devolver Ponta Negra para o natalense, que não vinha
conseguindo utilizar. Nós passamos a ter agora uma faixa de areia na maré baixa
de 100 metros e de 50 metros na maré alta. Estamos trabalhando junto ao poder
público para que seja feito um credenciamento e um ordenamento das pessoas que
trabalham e ocupam a região.
A curto prazo, trabalhamos
para que seja feita a reurbanização dessa orla com pista de cooper, calçadão,
banheiros públicos, quiosques e mobiliário urbano para possibilitar a aplicação
de um sistema eficaz de utilização da praia não só para os turistas, mas também
para o natalense. Além disso, sabemos que a obra de Engorda de Ponta Negra
inicia na altura do hotel Serhs, na Via Costeira, e vai até o Morro do Careca,
que é o nosso cartão postal e vinha definhando diante da erosão costeira. Nós
temos, entretanto, uma série de equipamentos. Mais de 70% dos leitos de Natal
se concentram em Ponta Negra e na Via Costeira. Vários hotéis continuam
sofrendo erosão em função do avanço do mar. Então é preciso que seja feito um
estudo em regime de emergência para evitar danos a esses hotéis que ainda
permanecem na Via Costeira. Os hotéis são investimentos que a gente não
consegue trocar de lugar, então temos essa preocupação em salvaguardar a
proteção dessa rede hoteleira que vai até a praia de Areia Preta.
O senhor citou uma série de
bandeiras que serão defendidas nessa nova gestão. Mas, inicialmente, qual vai
ser a primeira prioridade?
Nós temos uma série de prioridades. Temos como sugestão, por exemplo, que seja
criada uma zeladoria pela Prefeitura de Natal em Ponta Negra. Essa zeladoria
funcionaria com muito mais rapidez, fazendo a interface entre as reclamações e
os problemas da população e as diferentes secretarias da capital. Com a
zeladoria, nós teríamos mais agilidade e um contato mais estreito entre a
população e o poder público sem que precisasse percorrer várias secretarias,
muitas vezes sem saber qual é a atribuição de cada uma delas.
Além disso, estamos defendendo a limpeza urbana por meio de mecanização, com a inclusão de um trator pela orla que faça a limpeza diária da areia da praia. Além disso, temos como defesa a criação de um city tour (passeio pela cidade) histórico. Natal passa por uma requalificação urbanística forte, com uma renovação do recapeamento asfáltico da malha viária, padronização das calçadas, acessibilidade, revitalização de uma série de praças e a chegada do terminal turístico da Redinha. Então, há a possibilidade de retomar o city tour de Natal. Os turistas, em sua maioria, utilizam Natal muito mais como cidade dormitório do que como destino turístico. Precisamos que o turista fique um pouco na capital, gerando mais emprego e renda.
Tribuna do Norte

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