sábado, 21 de dezembro de 2024

“Iniciativa privada deve gerir equipamentos com vocação turística”, afirma Edmar Gadelha

Edmar Gadelha, proprietário do Hotel da Pipa e diretor da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH/RN) até este ano, foi eleito presidente da entidade para o biênio 2025/2026. Ele sucederá Abdon Gosson, cuja gestão foi marcada pelo crescimento do número de associados e pela busca de emendas parlamentares para fomentar o turismo no Rio Grande do Norte. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o presidente eleito destacou a importância de defender a concessão de equipamentos públicos turísticos à iniciativa privada e a retomada de um city tour que possa valorizar tanto o potencial turístico quanto histórico de Natal. Aliado a isso, lançou expectativas positivas com a finalização da obra da engorda de Ponta Negra e os compromissos que a gestão deve assumir na manutenção da limpeza e ordenamento da orla. Confira a entrevista:

Com o início de um novo mandato agora na ABIH, o que permanece da gestão passada e o que vem de novo?
A responsabilidade é muito grande porque a gestão anterior, do presidente Abdon Gosson, foi muito exitosa. Nós tivemos um aumento substancial do número de associados. Em 2020, saímos de 78 associados para 210 atualmente. Ainda tem muito o que se fazer nesse sentido. O Estado do Rio Grande do Norte tem mais de 750 estabelecimentos de hospedagem e uma importância muito grande para a nossa economia. O turismo representa aproximadamente 35% do nosso PIB. É uma indústria geradora de mais de 120 mil empregos diretos e mais de 300 mil indiretos.

A gestão de Abdon Gosson veio trazer esse aumento no contingente de associados, mas também trouxe uma inovação na medida em que passamos a pleitear junto à classe política, aos nossos parlamentares, uma série de emendas, das quais a maioria passou pela Secretaria de Turismo do RN (Setur/RN), mas sob a gestão e a batuta da ABIH. Nós entendemos que o nosso setor, que os hoteleiros, são aqueles que mais entendem do segmento do turismo, pois o vivenciam 24 horas por dia. Então precisamos opinar para que os investimentos do poder público sejam mais assertivos. A maior parte dessas emendas parlamentares são vertidas para a divulgação e promoção do nosso destino pelo país e a nível internacional.

Então o maior destaque da nova gestão vai ser fortalecer o diálogo junto ao Governo para trazer mais emendas voltadas para o fomento ao turismo?
Também. Nós temos uma série de batalhas, uma série de bandeiras. Nós trazemos como exemplo, a nível nacional, a conquista do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), que inicialmente a hotelaria não estava contemplada na lei. Nós temos a redução do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que passou recentemente pela reforma tributária, foi feito um trabalho muito forte por parte do nosso trade junto aos parlamentares em Brasília. Nós tivemos um êxito na redução de 40% do IVA. Esse imposto que vai ser unificado traz um reflexo e um peso muito grande. Se não houver a redução, nós não vamos ter competitividade diante dos demais países da Organização dos Estados Americanos (OEA). Isso porque a predominância de mais de 90% da rede hoteleira internacional tem um nível de aproximadamente 10%. Então, com essa redução, a gente consegue ganhar um pouco mais de competitividade.

O senhor citou durante a entrevista ao Tribuna Livre, da Jovem Pan News Natal, a importância das parcerias público-privadas (PPP’s). Já temos algumas em andamento, mas na sua visão quais outros equipamentos devem passar por esse processo de concessão à iniciativa privada?
Na nossa opinião, todos os equipamentos públicos com vocação turística devem ser geridos pela iniciativa privada através de PPPs. Nós trazemos como exemplo o Cajueiro de Pirangi, que atualmente é gerido pelo Idema, mas não tem uma visão turística que possa fazer um melhor acolhimento para aqueles turistas que passam no Estado. Temos o Forte do Reis Magos, que é extremamente subutilizado e praticamente não recebe visitação. Há o Museu da Rampa e a possibilidade de criação de estradas privativas que possam trazer maior acessibilidades aos destinos fora de Natal e cobrar pedágio. O Terminal Turístico da Redinha já está em andamento e eu tenho certeza que vai ser um grande equipamento para o nosso turismo.

Então expandir essas parcerias públicas-privadas vai ser, também, uma bandeira da gestão?
Sem dúvida. Vamos defendê-las [PPPs] até onde pudermos, pois entendemos que é a única saída que nós temos para atingir essa eficiência.

Recentemente, teve a aprovação na Câmara de Natal das Áreas de Interesse Turístico e Paisagístico (AEITPs). Qual a perspectiva da ABIH com essa aprovação, pensando no setor da indústria de hotéis e na Via Costeira?
Nós temos uma série de áreas que ainda não foram exploradas diante desse engessamento e da falta de investimentos que, em sua maioria, possam vir de fora também. Existe uma série de projetos que estavam parados em função da falta de regulamentação dessas áreas. Então essa aprovação veio para trazer mais flexibilidade para o uso e a destinação dessas áreas. Vai ser possível ter imóveis residenciais, imóveis de multipropriedade, restaurantes e etc. Você tem uma pluralidade de atividades que podem trazer um mix atraente não só para os turistas, mas também para o natalense.

Há na Via Costeira nove acessos para a beira da praia, que até hoje são ruas projetadas e não têm demarcação física. Então, as pessoas não conseguem acessar a praia. É dado o momento do poder público efetivamente entregar a Via Costeira e as praias da região para população de Natal. Com a população fazendo uso disso, naturalmente o turista chega. Os turistas querem estar onde as pessoas vivem e moram no local para entender os costumes e a cultura.

Em relação à obra da engorda da Praia de Ponta Negra, quais são as expectativas da ABIH com a finalização dessa estrutura?
A obra da engorda de Ponta Negra foi a mais importante dos últimos 30 anos. É uma obra estruturante e necessária para coibir a imensa erosão costeira que vinha comprometendo a estrutura dos hotéis da região, a segurança da população com a erosão de calçadas e uma série de acidentes que poderiam começar a ocorrer. A obra vai devolver Ponta Negra para o natalense, que não vinha conseguindo utilizar. Nós passamos a ter agora uma faixa de areia na maré baixa de 100 metros e de 50 metros na maré alta. Estamos trabalhando junto ao poder público para que seja feito um credenciamento e um ordenamento das pessoas que trabalham e ocupam a região.

A curto prazo, trabalhamos para que seja feita a reurbanização dessa orla com pista de cooper, calçadão, banheiros públicos, quiosques e mobiliário urbano para possibilitar a aplicação de um sistema eficaz de utilização da praia não só para os turistas, mas também para o natalense. Além disso, sabemos que a obra de Engorda de Ponta Negra inicia na altura do hotel Serhs, na Via Costeira, e vai até o Morro do Careca, que é o nosso cartão postal e vinha definhando diante da erosão costeira. Nós temos, entretanto, uma série de equipamentos. Mais de 70% dos leitos de Natal se concentram em Ponta Negra e na Via Costeira. Vários hotéis continuam sofrendo erosão em função do avanço do mar. Então é preciso que seja feito um estudo em regime de emergência para evitar danos a esses hotéis que ainda permanecem na Via Costeira. Os hotéis são investimentos que a gente não consegue trocar de lugar, então temos essa preocupação em salvaguardar a proteção dessa rede hoteleira que vai até a praia de Areia Preta.

O senhor citou uma série de bandeiras que serão defendidas nessa nova gestão. Mas, inicialmente, qual vai ser a primeira prioridade?
Nós temos uma série de prioridades. Temos como sugestão, por exemplo, que seja criada uma zeladoria pela Prefeitura de Natal em Ponta Negra. Essa zeladoria funcionaria com muito mais rapidez, fazendo a interface entre as reclamações e os problemas da população e as diferentes secretarias da capital. Com a zeladoria, nós teríamos mais agilidade e um contato mais estreito entre a população e o poder público sem que precisasse percorrer várias secretarias, muitas vezes sem saber qual é a atribuição de cada uma delas.

Além disso, estamos defendendo a limpeza urbana por meio de mecanização, com a inclusão de um trator pela orla que faça a limpeza diária da areia da praia. Além disso, temos como defesa a criação de um city tour (passeio pela cidade) histórico. Natal passa por uma requalificação urbanística forte, com uma renovação do recapeamento asfáltico da malha viária, padronização das calçadas, acessibilidade, revitalização de uma série de praças e a chegada do terminal turístico da Redinha. Então, há a possibilidade de retomar o city tour de Natal. Os turistas, em sua maioria, utilizam Natal muito mais como cidade dormitório do que como destino turístico. Precisamos que o turista fique um pouco na capital, gerando mais emprego e renda.

Tribuna do Norte

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