BRASÍLIA - Ainda não houve o
anúncio oficial, mas a decisão da Executiva nacional do PSDB é permanecer no
governo Michel Temer em nome da aprovação das reformas. Na reunião que começou
pouco antes da 18 horas desta segunda-feira, o governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin, foi o porta-voz da ala que quer o afastamento definitivo do senador
afastado, Aécio Neves, da direção do PSDB. Em seu discurso, Alckmin disse que é
hora de renovar o partido, começando pela antecipação das eleições internas
para troca dos dirigentes em todos os níveis.
A pior coisa para o Brasil e o partido é o PSDB se dividir. O PSDB não fará nenhum movimento agora no sentido de sair do governo. Toda decisão deve olhar para a frente, para o que vem depois — disse o senador José Serra (SP), ponderando que diante de fatos novos, pode-se mudar de ideia.
A pior coisa para o Brasil e o partido é o PSDB se dividir. O PSDB não fará nenhum movimento agora no sentido de sair do governo. Toda decisão deve olhar para a frente, para o que vem depois — disse o senador José Serra (SP), ponderando que diante de fatos novos, pode-se mudar de ideia.
O discursos foram todos no
mesmo sentido: o PSDB não pode abrir mão da responsabilidade de ajudar o
governo a continuar fazendo as reformas. Os tucanos avaliaram ainda que, saindo
agora do governo, o que seria colocado no lugar no projeto político do partido?
Vai para a oposição, junto com o PSOL e PT? Vai entregar de mão beijada o
Ministério das Cidades, o Minha Casa Minha Vida, principal programa social de
distribuição de renda do governo, que pode pegar um naco do eleitorado
lulo-petista no Nordeste?
Em seu discurso, que teve o
som do discurso vazado no auditório, o prefeito de São Paulo atacou o discurso
do PT, de ricos contra pobres, e fez uma defesa veemente do apoio ao governo
Temer.
— Os jovens cabeças pretas
devem aprender com a experiência dos cabeças brancas. O compromisso do PSDB é
com as reformas e com o Brasil. Temos quatro ministros que estão desempenhando
seu papel muito bem — discursou o prefeito de São Paulo, João Dória, sendo
aplaudido no final.
Alckmin foi efusivamente
aplaudido ao defender a antecipação da convenção nacional para trocar os
dirigentes e preparar o partido para a disputa de 2018.
- O governador Alckmin
defendeu que a gente tenha eleições gerais o mais rápido possível, em todos os
níveis. Argumentou que não é possível fazer eleição partidária no mesmo ano da
eleição para presidente. Quando houve aquela recondução do Aécio, de dirigentes
estaduais e alguns municipais, eu achei um absurdo, mas agora, pelo jeito, não
sou só eu que acho. Para a direção nacional, o consenso é que o senador Tasso
Jereissatti é o melhor nome que temos. Assumiu num momento crítico e está indo
muito bem - contou o ex-prefeito de Sorocaba, Antônio Carlos Panunzzio, ao
deixar a reunião.
Com a recondução de Aécio, a
data para a próxima eleição para escolha dos dirigentes nacional e regionais,
aconteceria em maio de 2017, mas Alckmin e outros tucanos querem que isso
aconteça já.
Sobre a denúncia que deverá
ser encaminhada contra o presidente Michel Temer, Serra disse que não houve
nenhuma orientação de voto na Câmara.
— Cada um vai analisar a denúncia e decidir seu voto — disse Serra.
Antes da reunião, os tucanos
negaram que a manutenção do apoio ao governo ocorreu em troca do arquivamento
do processo de cassação do senador afastado, Aécio Neves, no Conselho de Ética.
O ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, que defende a
manutenção do apoio, disse que o fator principal para a decisão é a grave crise
política e econômica por que passa o país.
— Absolutamente, essa decisão
nada tem a ver com o apoio do PMDB ao PSDB em 2108, nem a Aécio no Conselho de
Ética. Nesse momento grave, o que vai pesar para a decisão soberana do PSDB é o
país — disse Imbassahy.
Jornal "O GLOBO"
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