quinta-feira, 2 de julho de 2026

RN já registra 3,6 mil medidas protetivas

Foto: EBC Imagens

A Justiça do Rio Grande do Norte concedeu 3.625 medidas protetivas de urgência relacionadas à violência contra a mulher entre janeiro e maio deste ano, além de quatro homologações de medidas concedidas por autoridade policial, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O número representa um aumento de 22% em relação ao mesmo período de 2025.

O levantamento também aponta maior agilidade na análise dos pedidos. Em 40% dos casos, a decisão foi proferida no mesmo dia do início do processo, enquanto em outros 38% a resposta ocorreu no dia seguinte.

No Brasil, foram concedidas 288.097 medidas protetivas a mulheres. O Rio Grande do Norte apresenta tempo médio de resposta inferior à média nacional, de três dias.

No ranking regional, o RN aparece como o terceiro menor volume de medidas protetivas concedidas no Nordeste, à frente apenas de Sergipe (2.363) e Alagoas (2.315). Na outra ponta, Bahia (15.598), Pernambuco (12.687) e Ceará (10.833) lideram o ranking de mais mulheres com medidas protetivas aceitas em 2026.

Ao todo, o estado registrou 7.012 movimentações relacionadas a medidas protetivas no período. Desse total, 3.625 foram medidas concedidas, quando a Justiça deferiu o pedido de proteção à vítima. Outras 598 foram indeferidas pela Justiça.

Já 1.865 foram revogadas, quando uma medida anteriormente concedida perde a validade por decisão judicial. Também foram registradas 890 prorrogações, quando a Justiça entende que a proteção é estendida diante da permanência do risco à vítima.

As medidas protetivas podem ser concedidas por delegado de polícia ou por policial, em situações de urgência, e posteriormente precisam ser homologadas por um magistrado. No período analisado, quatro medidas foram homologadas pela Justiça após concessão por autoridade policial, enquanto outras 30 foram revogadas.

Natal concedeu 1.720 medidas protetivas até maio, o que representa um aumento de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. A medida protetiva é uma ordem judicial que determina o afastamento do agressor e a proibição de qualquer contato ou aproximação da vítima, familiares ou redes de convivência. O descumprimento da ordem pode levar à prisão.

A advogada especialista no combate à violência contra a mulher, Sâmoa Martins, avalia que um dos principais entraves à efetividade das medidas protetivas ainda é a desinformação. “A medida protetiva não representa uma condenação. Existe um inquérito policial e um devido processo legal. Mas ela é eficiente, eficaz e necessária”, explicou.

Martins ressalta que a denúncia deve ser feita já na primeira agressão física, mas qualquer forma de violência pode motivar a solicitação de uma medida protetiva. “Quando se observa uma violência patrimonial, uma das medidas dentro da medida protetiva é a impossibilidade desse marido vender o patrimônio do casal”, ressalta.

A violência moral, que envolve agressões verbais e exposição em redes sociais, também integra esse contexto. “A gente tem uma cultura de que medida protetiva está muito associada à violência física. Mas a violência psicológica, patrimonial, sexual e moral também se aplicam”, reforça a advogada.
Ela também orienta mulheres que ainda têm receio de denunciar ou que acreditam que a situação não é grave o bastante para procurar ajuda. “O conhecimento liberta. Quando a mulher entende que é detentora de direitos, ela ganha mais segurança para pedir ajuda”, afirmou.

O RN registrou 8.042 casos de violência contra a mulher entre janeiro e maio de 2026, segundo dados da Coordenadoria de Informações Estratégicas e Análises Criminais (COINE), da Polícia Civil. O número representa uma queda de 1,13% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 8.134 ocorrências.

De acordo com a promotora de Justiça, Érica Canuto, o crescimento no número de mulheres em medida protetiva é sinal de maior acesso à informação. “As vítimas têm percebido que essa medida protetiva tem eficácia, tem um efeito paralisante”, afirmou.

Tribuna do Norte

Nenhum comentário:

Postar um comentário