Foto: Magnus Nascimento
A sede da Unidade Central de
Agentes Terapêuticos (Unicat), localizada em Natal, voltou a registrar longas
filas de usuários que dependem das medicações oferecidas gratuitamente pelo
serviço. De acordo com relatos colhidos pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE,
que visitou o local na manhã dessa quarta-feira (1º), além do atraso na
disponibilidade de medicamentos, o local não consegue acomodar os pacientes de
forma adequada durante o período de espera.
A técnica de laboratório Gisa Farias, de 47 anos, chegou na unidade por volta das 7h30 e, após uma hora na fila, ainda aguardava ser chamada para enfrentar mais uma espera na recepção. Ela relata que há três meses tenta adquirir o medicamento somatropina para dar início ao tratamento do filho, de 13 anos, mas sempre é informada da falta nos estoques. “Ontem eu soube a notícia que tinha chegado. Então fiz o agendamento e vim correndo para ver se vai dar certo”, relata.
A mãe de outro adolescente,
que prefere não ser identificada, também compartilha que ocorreu atraso na
disponibilidade da somatropina nos últimos dois meses. Por conta disso, seu
filho precisou interromper o tratamento, pois a família não conseguiu arcar com
a despesa, de cerca de R$ 3 mil mensais. “Meu filho é pré-adolescente e teve
crise de ansiedade com medo de não crescer”, comenta.
Ela destaca, contudo, que não
precisou enfrentar a mesma fila que outros usuários, pois conseguiu realizar o
agendamento com antecedência. A possibilidade de agendamento para o serviço de
somatropina começou a ser disponibilizada neste mês, a fim de normalizar o
fluxo de usuários que dependem da medicação.
A informação foi divulgada
pela Unicat no último dia 25 de junho. Segundo a instituição, a partir do dia
13 de julho todos os demais serviços do Componente Especializado da Assistência
Farmacêutica (CEAF) também passarão a ser feitos obrigatoriamente por
agendamento.
Além da somatropina, outro
medicamento que estava em falta há meses, de acordo com relatos colhidos pela
reportagem, é o calcitriol. Nas farmácias, o custo do medicamento pode chegar a
R$ 400, dependendo da quantidade de cápsulas disponíveis em cada caixa.
A agricultora Evailza Benigna
chegou por volta das 7h20 na expectativa de conseguir receber o calcitriol
nessa quarta-feira (1º). Segundo ela, a medicação está em falta há cerca de
quatro meses e, nesse período, não conseguiu receber respostas da Unicat Natal
sobre a falta.
“Eu ligava para cá [Unicat
Natal] para saber sobre o medicamento, mas não sei porque eles têm telefone, já
que não atendem. Então vim hoje e me disseram que já chegou, mas talvez não
queiram me dar porque faz quatro meses que eu não pego e podem pedir outros
exames”, compartilha a usuária.
A maior demanda de usuários na
Unicat Natal teve início ainda na última terça-feira (30). Quem acompanhou a
situação foi a agente comunitária de saúde Maria Fernanda da Silva, de 38 anos,
que foi buscar os medicamentos Leflunomida 20 mg, que voltou a ficar disponível
após dois meses em falta, e Golimumabe para a mãe.
Segundo ela, há meses que o
cenário enfrentado por quem depende dos medicamentos da Unidade consiste em
longas filas, falta de cadeiras para acomodação e atrasos para entregas de
algumas medicações. Na última terça-feira, ela chegou no local às 10h20 e só
conseguiu pegar uma ficha para atendimento às 11h25, quando teve que aguardar
até 15h35 para entregar todos os documentos para avaliação farmacêutica.
Resposta
Em nota, a Secretaria de
Estado da Saúde Pública (Sesap) informou que a dispensação da somatropina foi
retomada nesta quarta-feira (1º), mediante atendimento exclusivamente por
agendamento prévio. Segundo a pasta, o sistema está disponível desde o dia 22
de junho, por meio do portal da Central do Cidadão, e integra um conjunto de
medidas para reorganizar o fluxo de atendimento da Unicat, proporcionando maior
conforto, segurança e agilidade aos usuários, além de reduzir as longas filas
na unidade.
A secretaria acrescentou que,
a partir de 13 de julho, o atendimento para os demais medicamentos dispensados
pela Unicat também passará a ocorrer exclusivamente por agendamento. Sobre a
falta da somatropina nos últimos meses, a Sesap afirmou que o medicamento
integra o Grupo 1A do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica
(CEAF), cuja aquisição e distribuição são de responsabilidade do Ministério da
Saúde, e atribuiu a indisponibilidade temporária a atrasos na produção e/ou
entrega pelos laboratórios fabricantes.
A pasta informou ainda que os
medicamentos do Grupo 1B, cuja aquisição cabe ao Estado, quando eventualmente
indisponíveis, encontram-se em fase final de aquisição ou aguardando entrega
pelos fornecedores contratados. Segundo a Sesap, a disponibilidade dos
medicamentos pode ser consultada em tempo real no portal eletrônico da Unicat.
Tribuna do Norte

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