Mais que quebrar um tabu histórico diante dos escandinavos, a Seleção Brasileira tentará confirmar sua condição de favorita. FOTO RAFAEL RIBEIRO
Vinte e oito anos depois do
único encontro entre as duas seleções em uma Copa do Mundo, Brasil e Noruega
voltam a se enfrentar em um duelo eliminatório que promete ser um dos mais
interessantes das oitavas de final do Mundial de 2026. A bola rola neste domingo
(5), às 17h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, valendo uma vaga
entre os oito melhores da competição.
Embora a Seleção Brasileira entre em campo com o peso de cinco títulos mundiais
e o favoritismo natural de quem disputa mais uma fase decisiva, existe um dado
histórico que chama atenção: o Brasil jamais venceu a Noruega. Em quatro
confrontos disputados desde 1988, foram dois empates e duas vitórias dos
europeus. O episódio mais marcante aconteceu justamente na Copa do Mundo da
França, em 1998, quando os noruegueses venceram por 2 a 1, de virada, na última
rodada da fase de grupos. Foi a única derrota brasileira naquela campanha que
terminaria com o vice-campeonato diante da França.
Apesar do retrospecto desfavorável, o momento das duas seleções é bastante
diferente. O Brasil chega às oitavas após uma classificação dramática contra o
Japão, decidida apenas nos acréscimos com um gol de Gabriel Martinelli. A
atuação reforçou a capacidade de reação da equipe de Carlo Ancelotti, mas
também evidenciou a necessidade de maior consistência defensiva e criatividade
ofensiva diante de adversários mais qualificados.
Do outro lado estará uma Noruega que disputa sua primeira Copa do Mundo desde
1998 e que rapidamente voltou a chamar a atenção do cenário internacional. O
principal motivo atende pelo nome de Erling Haaland. Artilheiro da seleção, o
atacante marcou cinco dos dez gols noruegueses na competição e representa a
principal ameaça à defesa brasileira. Ao seu lado, jogadores como Martin
Ødegaard e Antonio Nusa dão qualidade à criação das jogadas, tornando a equipe
muito mais do que um time dependente de seu centroavante. Em contrapartida, os
números mostram uma defesa vulnerável: são oito gols sofridos em quatro
partidas, média de dois por jogo.
Historicamente, a balança pesa de forma esmagadora para o Brasil quando o
assunto é mata-mata de Copa do Mundo. A Seleção disputou dezenas de confrontos
eliminatórios ao longo de sua história, conquistando cinco títulos mundiais e
chegando frequentemente às fases finais. A Noruega, por sua vez, disputa apenas
sua terceira Copa do Mundo e tenta alcançar, pela primeira vez, as quartas de
final do torneio. Sua única participação anterior em um mata-mata terminou
justamente em 1998, quando foi eliminada pela Itália nas oitavas.
O confronto reúne duas características bastante distintas. O Brasil aposta no
talento individual, na posse de bola e na experiência de jogadores acostumados
a decisões. A Noruega, por outro lado, apresenta um futebol vertical, de
transições rápidas e forte aproveitamento ofensivo, especialmente quando
Haaland encontra espaço para finalizar.
Mais do que quebrar um tabu histórico diante dos escandinavos, a Seleção
Brasileira tentará confirmar sua condição de favorita e manter vivo o sonho do
hexacampeonato. Mas a história do confronto mostra que subestimar a Noruega
nunca foi uma boa ideia. Se em 1998 ela surpreendeu o mundo ao derrotar o
Brasil, agora tentará escrever um novo capítulo. À equipe de Carlo Ancelotti
caberá impedir que a história se repita.
Vini Júnior é a maior aposta de Ancelotti
A esplendorosa fase de Vinicius Jr., que, com quatro gols e uma assistência,
aparece entre os grandes candidatos à Chuteira de Ouro adidas nesta Copa do
Mundo da FIFA mostra um percurso que até aqui confirma duas previsões. A
primeira, a mais repetida por Carlo Ancelotti desde o primeiro dia de
preparação para o torneio: que o time cresceria jogo. E como cresceu. A
segunda? A explosão do futebol de Vinicius no reencontro do técnico que o
ajudou a conquistar o prémio de melhor do mundo.
Esse Vinicius “impossível” de se conter não é algo que desponta na Seleção só
por causa de resenhas e do apoio do italiano. Que é excelente no manejo dos
jogadores, mas também tem em sua abordagem camaleônica um grande trunfo para
triunfar em mata-matas.
“Ele é o melhor técnico do mundo e consegue entender muito bem os jogadores que
ele tem e se adapta. Ele sempre vai dar uma melhor formação para cada equipe”,
afirmou o atacante.
Vinicius reconhece que vive seu melhor momento com a Seleção e é sincero ao
comparar o desempenho de hoje com as atuações antes da chegada ao Mundial.
“Estou me sentindo muito bem, consegui evoluir, porque nesse ano com a Seleção
eu passei por momentos em que não mostrei meu futebol, e nada melhor do que
marcar mais dois gols nesse cenário”, disse.
Marquinhos, o capitão, reforça a ideia de crescimento gradual e apontando o que
julga ser o ponto-chave: “Estamos deixando para trás a filosofia que temos em
nossos clubes e focando na filosofia que precisamos ter aqui na Seleção.”
No final das contas, é uma mudança cultural que vai sendo realizada em um curto
período. De comportamento e leitura de jogo com ou sem a bola. Ancelotti e seu
jogadores esperam que a curva de aprendizado continue agora que o Brasil chegou
ao mata-mata. Como lembrou o capitão, vêm por aí uma final atrás da outra. “E a
gente não pode achar que já fez o nosso trabalho. Temos de melhorar.”
Haaland: Sinônimo de gols há
várias temporadas
Faz quase dois anos que todos os jogos de competições disputados por Erling
Haaland pela Noruega terminam com pelo menos uma comemoração de gol do
centroavante do Manchester City.
Apesar de já ter sido duas vezes artilheiro da Liga dos Campeões da UEFA e de
ter três troféus de goleador da Premier League inglesa no currículo, o camisa 9
costuma mostrar sua faceta mais decisiva quando defende o país escandinavo.
O adversário do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA 2026™
marcou em todos os últimos 13 jogos válidos por Liga das Nações, eliminatórias
e Mundial com a camisa norueguesa.
Depois que passou em branco na derrota por 5 a 1 para a Áustria, em outubro de
2024, Haaland balançou as redes de Eslovênia, Cazaquistão, Moldávia, Israel,
Itália, Estônia, Iraque, Senegal e Costa do Marfim, os três últimos já na Copa.
Ao longo desse período todo, Haaland só não marcou nos empates contra Suíça, em
março, e Marrocos, no começo do mês passado. Mas as duas partidas não “valiam
pontos”, eram amistosos.
Considerando a carreira toda, o centroavante tem mais gols (60) do que jogos
(53) pela Noruega. Apesar de ter só 25 anos, ele já é o maior artilheiro da
história da sua seleção.
Seleção tem outro trunfo: Passes de Bruno Guimarães
Um atleta responsável por organizar as jogadas, como se regesse uma orquestra,
mas com posicionamento mais recuado que o meia-armador convencional. De forma
bem resumida, este é o “regista”, termo oriundo do futebol italiano, justamente
a escola de Carlo Ancelotti.
Não à toa, os trabalhos de sucesso do treinador em clubes sempre tiveram
jogadores fundamentais para a função, como o alemão Toni Kroos no Real Madrid
(Espanha) e o compatriota Andrea Pirlo no Milan (Itália). Este último,
inclusive, atuava no ataque e foi transformado em “regista” pelo próprio
Ancelotti.
No Brasil, o italiano encontrou em Bruno Guimarães o “regista” ideal. Se ainda
não balançou as redes nesta Copa, o volante já distribuiu quatro assistências,
sendo o atual líder da estatística. Foi dele o passe que achou o atacante
Gabriel Martinelli em meio à marcação do Japão para marcar o gol da vitória por
2 a 1 em Housto, que classificou a seleção brasileira às oitavas de final.
No século XXI, Bruno é apenas o quarto jogador a chegar a quatro assistências
na mesma Copa do Mundo.
Tribuna do Norte

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