O credenciamento do Metrópole Digital como unidade Embrapii foi renovado em maio deste ano, o que permitirá a ampliação do volume de recursos captados| Foto: Alex Régis
O Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) captou, desde 2022, R$ 15 milhões em projetos junto à Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), com perspectiva de triplicar esse montante nos próximos anos. Até 2029, a estimativa é contratar outros R$ 47 milhões, em cerca de 80 projetos, totalizando R$ 62 milhões. Até o momento, 35 projetos foram implantados no IMD graças à captação dos investimentos.
O credenciamento do Instituto Metrópole como unidade Embrapii foi renovado em maio deste ano, o que permitirá a ampliação do volume, conforme projetado, para os próximos anos. De acordo com o IMD, dos R$ 15 milhões captados, R$ 5 milhões foram aplicados em parcerias com empresas do Rio Grande do Norte.
A Embrapii é uma organização social com foco no apoio à união de instituições de pesquisa tecnológica e o setor industrial. O objetivo é estimular Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) no Brasil.
Com a renovação do vínculo, novas áreas de atuação foram incorporadas, mas ainda não há projetos em execução. Até um terço dos recursos é aportado pela própria Embrapii, enquanto o restante é financiado pelas empresas parceiras, em projetos que poderão incluir Sistemas Inteligentes e Computação Aplicada, Inteligência Artificial (IA), Plataformas Digitais, Engenharia de Software, Internet das Coisas e Aplicações Inteligentes em Nuvem.
“Com as atualizações, temos uma ampliação da nossa capacidade de atuação, de modo que poderemos atender a demandas mais complexas das empresas”, explica o diretor da Unidade Embrapii do IMD, Itamir Barroca Filho.
“Os projetos têm um ticket médio que varia entre R$ 600 mil e R$ 1 milhão. A maioria deles foca em implementar soluções de IA, que é nossa grande capacidade técnica de desenvolvimento ultimamente”, detalha Rodrigo Romão, diretor do Metrópole Parque.
Um dos projetos em desenvolvimento é conduzido em parceria com a empresa Track Gestão de Marketing, com foco na criação de uma plataforma para auditoria e gerenciamento de ativos de marketing. A solução integra sistema web, aplicativo mobile e algoritmos de inteligência computacional para automatizar o monitoramento de campanhas. O projeto está orçado em cerca de R$ 644 mil.
Outro destaque é o projeto realizado com a Klar Soluções de Inteligência Artificial, voltado à área da saúde. A iniciativa busca desenvolver um sistema inteligente para processamento de imagens de tomografia PET, utilizando técnicas de deep learning e integração com Internet das Coisas Médicas (IoMT), com foco no apoio ao diagnóstico do câncer. A ação conta com orçamento aproximado de R$ 564 mil.
A experiência acumulada pela unidade também tem permitido identificar tendências nas demandas apresentadas pelas empresas. “Temos desenvolvido trabalhos que resultaram na criação de produtos tecnológicos nas áreas de Saúde, Indústria e Administração Pública. Isso gera impactos concretos para as empresas parceiras e possibilita a entrada em novos mercados. Buscar a Embrapii como estratégia para inovação é importante, porque fomenta o desenvolvimento de novas tecnologias, fortalece a competitividade das empresas e contribui para a consolidação de um ciclo contínuo de inovação para o país”, afirma Itamir Barroca.
A avaliação é reforçada pelo diretor-geral do IMD, José Ivonildo do Rêgo, ao destacar o papel estratégico da unidade para o ambiente de tecnologia do estado. Segundo ele, a presença da Embrapii no Instituto tem ampliado as condições para que as empresas do Rio Grande do Norte invistam em inovação, desenvolvam novos produtos e incorporem pesquisa aos seus processos produtivos.
Conforme explicou Rodrigo Romão, antes da Embrapii, nenhuma empresa potiguar havia feito um PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação) com o IMD. Apesar de celebrar a nova fase, ele reconhece que ainda existem desafios a serem superados.
“A gente precisa trabalhar a sensibilidade do empresariado do estado, que é,
culturalmente, um perfil mais fechado e às vezes vê a inovação como algo caro.
Estamos tentando desmistificar isso, com um modelo de facilitação financeira e
seguro. Todo o risco tecnológico é assumido pela unidade Embrapii, então, a
empresa fica mais tranquila”, pontua Rodrigo Romão.
Tribuna do Norte

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