O montante inclui tributos
federais, estaduais e municipais no 1º semestre de 2026, conforme dados do
Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo. No mesmo período do ano
passado, foram arrecadados R$ 14,15 bilhões pelo RN
Na região Nordeste, o Rio Grande do Norte é o terceiro estado com o menor montante arrecadado com impostos no período. Foto: José Cruz
O Rio Grande do Norte
registrou R$ 14,64 bilhões em arrecadação com tributos federais, estaduais e
municipais no primeiro semestre deste ano. O montante representa um crescimento
de R$ 490 milhões, ou 3,44% em relação ao mesmo período do ano passado, quando
o valor foi de R$ 14,15 bilhões, e corresponde a 0,64% da arrecadação do país.
Os dados são do Impostômetro mantido pela Associação Comercial de São Paulo
(ACSP) e atualizado diariamente.
De acordo com o levantamento, em todo o país a arrecadação chegou a R$ 2,03
trilhões nos primeiros seis meses deste ano. Na região Nordeste, o Rio Grande
do Norte é o terceiro estado com o menor montante arrecadado com impostos no
período, ficando atrás somente de Alagoas (R$ 10,663 bilhões) e Piauí (R$
11,320 bilhões). Os maiores valores, por outro lado, foram registrados em
Sergipe (R$ 96,902 bilhões), Bahia (R$ 65,686 bilhões) e Pernambuco (R$ 47,757
bilhões).
O economista Helder Cavalcanti explica que o crescimento de 3,44% na
arrecadação do Rio Grande do Norte resulta de um conjunto de fatores, incluindo
a maior circulação de recursos na economia por meio do consumo e os reajustes
de preços. Ele destaca, contudo, que o aumento não aponta automaticamente que a
economia está crescendo de forma “robusta”.
“É preciso observar se esse aumento supera a inflação, se foi acompanhado pela
geração de empregos, expansão da renda e crescimento da produção. Uma
arrecadação saudável é aquela impulsionada pelo desenvolvimento econômico, e
não apenas pelo aumento dos preços ou da carga tributária efetiva”, destaca o
economista.
Em relação à posição do Rio Grande do Norte entre os estados com o menor volume
de arrecadação no Nordeste, Helder Cavalcanti observa que o dado isoladamente
não é capaz de medir a carga tributária local. Isso porque esse cálculo precisa
considerar fatores como o tamanho da economia e o consumo da população.
“O Rio Grande do Norte possui uma economia menor que estados como Bahia,
Pernambuco e Ceará, o que naturalmente reduz sua arrecadação absoluta.
Portanto, um valor menor arrecadado não significa que a carga tributária seja
baixa, assim como um valor elevado não significa, por si só, que os impostos
sejam excessivos”, destaca.
Os dados da 15ª edição do Índice de Retorno ao Bem-Estar da Sociedade (IRBE)
apontam que o Brasil, entre os 30 países com maior carga tributária no mundo, é
o que dá o pior retorno à sua população. Conforme avalia Helder Cavalcanti,
mesmo diante de um alto comprometimento do orçamento com impostos, o cenário
indica que o contribuinte não consegue enxergar esse retorno por meio dos
serviços públicos.
“No Rio Grande do Norte, essa sensação também está presente. Apesar do esforço
tributário da população e das empresas, ainda persistem desafios relevantes em
áreas como saúde, segurança, infraestrutura, mobilidade urbana e educação. Isso
faz com que muitas famílias precisem recorrer a serviços privados, como planos
de saúde, escolas particulares e segurança privada”, destaca o economista.
Helder Cavalcanti avalia que o cidadão aceita contribuir quando percebe que os
recursos arrecadados são transformados em melhores serviços, desenvolvimento
econômico e qualidade de vida. “O verdadeiro indicador de eficiência não é
quanto o governo arrecada, mas quanto consegue devolver em benefícios concretos
para a sociedade”, afirma.
Tribuna do Norte

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