sexta-feira, 3 de julho de 2026

Arrecadação de impostos no RN cresce R$ 490 milhões e bate R$ 14,64 bilhões no primeiro semestre do ano

O montante inclui tributos federais, estaduais e municipais no 1º semestre de 2026, conforme dados do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo. No mesmo período do ano passado, foram arrecadados R$ 14,15 bilhões pelo RN

Na região Nordeste, o Rio Grande do Norte é o terceiro estado com o menor montante arrecadado com impostos no período. Foto: José Cruz

O Rio Grande do Norte registrou R$ 14,64 bilhões em arrecadação com tributos federais, estaduais e municipais no primeiro semestre deste ano. O montante representa um crescimento de R$ 490 milhões, ou 3,44% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o valor foi de R$ 14,15 bilhões, e corresponde a 0,64% da arrecadação do país. Os dados são do Impostômetro mantido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e atualizado diariamente.

De acordo com o levantamento, em todo o país a arrecadação chegou a R$ 2,03 trilhões nos primeiros seis meses deste ano. Na região Nordeste, o Rio Grande do Norte é o terceiro estado com o menor montante arrecadado com impostos no período, ficando atrás somente de Alagoas (R$ 10,663 bilhões) e Piauí (R$ 11,320 bilhões). Os maiores valores, por outro lado, foram registrados em Sergipe (R$ 96,902 bilhões), Bahia (R$ 65,686 bilhões) e Pernambuco (R$ 47,757 bilhões).

O economista Helder Cavalcanti explica que o crescimento de 3,44% na arrecadação do Rio Grande do Norte resulta de um conjunto de fatores, incluindo a maior circulação de recursos na economia por meio do consumo e os reajustes de preços. Ele destaca, contudo, que o aumento não aponta automaticamente que a economia está crescendo de forma “robusta”.

“É preciso observar se esse aumento supera a inflação, se foi acompanhado pela geração de empregos, expansão da renda e crescimento da produção. Uma arrecadação saudável é aquela impulsionada pelo desenvolvimento econômico, e não apenas pelo aumento dos preços ou da carga tributária efetiva”, destaca o economista.

Em relação à posição do Rio Grande do Norte entre os estados com o menor volume de arrecadação no Nordeste, Helder Cavalcanti observa que o dado isoladamente não é capaz de medir a carga tributária local. Isso porque esse cálculo precisa considerar fatores como o tamanho da economia e o consumo da população.

“O Rio Grande do Norte possui uma economia menor que estados como Bahia, Pernambuco e Ceará, o que naturalmente reduz sua arrecadação absoluta. Portanto, um valor menor arrecadado não significa que a carga tributária seja baixa, assim como um valor elevado não significa, por si só, que os impostos sejam excessivos”, destaca.

Os dados da 15ª edição do Índice de Retorno ao Bem-Estar da Sociedade (IRBE) apontam que o Brasil, entre os 30 países com maior carga tributária no mundo, é o que dá o pior retorno à sua população. Conforme avalia Helder Cavalcanti, mesmo diante de um alto comprometimento do orçamento com impostos, o cenário indica que o contribuinte não consegue enxergar esse retorno por meio dos serviços públicos.

“No Rio Grande do Norte, essa sensação também está presente. Apesar do esforço tributário da população e das empresas, ainda persistem desafios relevantes em áreas como saúde, segurança, infraestrutura, mobilidade urbana e educação. Isso faz com que muitas famílias precisem recorrer a serviços privados, como planos de saúde, escolas particulares e segurança privada”, destaca o economista.

Helder Cavalcanti avalia que o cidadão aceita contribuir quando percebe que os recursos arrecadados são transformados em melhores serviços, desenvolvimento econômico e qualidade de vida. “O verdadeiro indicador de eficiência não é quanto o governo arrecada, mas quanto consegue devolver em benefícios concretos para a sociedade”, afirma.

Tribuna do Norte

Nenhum comentário:

Postar um comentário