Sessenta dias após o Domingo
de Páscoa, as ruas e os corredores das paróquias transformam-se em verdadeiras
galerias de arte e devoção. Celebrado nesta quinta-feira, 4 de junho, o Corpus
Christi, que significa “Corpo de Cristo”, é uma das solenidades mais marcantes
da Igreja Católica, simbolizando a presença real de Jesus na Eucaristia. Muito
além do feriado e do simbolismo litúrgico, a data mobiliza comunidades inteiras
em torno de uma tradição secular: a confecção dos tradicionais tapetes
ornamentados, que simbolizam a acolhida de Jesus em Jerusalém, quando as
pessoas cobriram as ruas de ramos e mantos para a passagem do Messias. Na
Paróquia de Nossa Senhora da Candelária, na Zona Sul de Natal, o trabalho
coletivo une gerações em um momento de convivência, partilha e testemunho da fé
no espaço público.
Para o chanceler da Arquidiocese de Natal e pároco da Paróquia de Nossa Senhora
da Candelária, padre Francisco de Assis, a confecção possui um profundo
significado cultural e comunitário, sendo também uma expressão artística e uma
manifestação pública da fé. “Cada desenho, símbolo e detalhe expressa a devoção
do povo e sua gratidão a Deus. Além disso, essa tradição une famílias,
pastorais, movimentos e toda a comunidade em um trabalho coletivo, fortalecendo
os laços de fraternidade e preservando um patrimônio cultural transmitido de
geração em geração. É uma forma bela de evangelizar e testemunhar a fé no
espaço público”, pontua.
Pároco destaca que manter essas tradições preserva a memória da devoção e
transmite seus valores às novas gerações. “Ao conservar essas tradições, não
estamos apenas repetindo costumes do passado, mas renovando o compromisso de
viver e testemunhar os ensinamentos de Cristo no presente, fortalecendo a
identidade religiosa, cultural e espiritual do nosso povo”, pontua.
Fábio Alves, ministro da Eucaristia, destaca que todo o processo de preparação
dos tapetes, desde a escolha do material até os desenhos e as cores, durou em
média dois meses. Para a finalização, diversos fiéis se reuniram desde as 8h da
manhã de terça-feira (2), colocando os tapetes feitos com areia tingida e sal
grosso para a conclusão da moldura.
Conforme explica, a confecção é um momento em que os devotos se conectam sem
distinções. “É muito boa e bonita essa união que vai das crianças aos senhores
e às senhoras. Realmente é para todas as idades. Cada pessoa que tem um
tempinho livre vem aqui e contribui rapidinho, faz um pouquinho do desenho e
precisa sair; aí outro vem e retoma. É uma bonita mão de obra em comunhão com
todas as pastorais em movimento”, pontua.
A dentista Lorena de Souza, de 32 anos, participa da confecção há 15 anos e, há
pelo menos 3 anos, leva o seu filho, o pequeno Luiz Arthur, de 6 anos, para
participar do momento, que, para ela, também é um momento de conexão com o
divino e o amor. “Eu ensino muito a ele sobre amar e servir. Isso aqui é sobre
amar e servir, a Deus e ao próximo. A comunidade se alegra e é um serviço que
vai além do artístico”, afirma.
Já a autônoma Janine Pereira, de 49 anos, participa da confecção dos tapetes há
mais de 10 anos, e o sentimento por executar o trabalho é de gratidão. “O
significado desse trabalho é a fé que a gente tem. Estamos aqui todo ano
fazendo tapetes. A comunidade toda participa de alguma forma. Quem não participa
da confecção dos tapetes traz um lanche, separa as cores, e assim vamos
fazendo”, revela.
O estudante de Fisioterapia Eduardo Neto, de apenas 22 anos, participou da
confecção pela primeira vez e, para ele, além da partilha de fé, as pessoas
também se divertem e se integram. “Acho importante porque é um trabalho para
Deus. Eu cheguei à tarde depois da faculdade, dei um jeitinho e apareci hoje.
Acho muito gratificante; o trabalho para Deus sempre é honroso”, destaca. Para
o estudante, a conclusão da confecção dos tapetes concretiza a execução de um
trabalho bem-feito. “Vai ser gratificante. Foi bem legal, deu para se divertir
e se entregar por inteiro”, conclui.
Programação alusiva ao Corpus Christi
Nesta quinta-feira (4), a
Arquidiocese de Natal celebra a solenidade de Corpus Christi com missas,
adoração e procissões. As missas na Catedral Metropolitana ocorrem às 8h e 16h,
e na Cidade Alta (N. Sra. da Apresentação) às 7h30 e 17h30. Em Ponta Negra, a
paróquia principal celebra às 8h e 17h, enquanto a Vila tem missa às 16h. Em
Lagoa Nova, os horários são às 16h (São Camilo) e 18h (São José de Anchieta).
Já em Petrópolis (N. Sra. de Lourdes) e na Ribeira, as celebrações acontecem às
9h e 17h, respectivamente. Os horários das demais paróquias estão disponíveis
no site arquidiocesedenatal.org.br.
Tribuna do Norte

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