Estudo aponta entorno do Morro do Careca, classificado como Área C, como o ponto mais crítico em termos proporcionais - Foto: Adriano Abreu
A Secretaria de Infraestrutura
de Natal (Seinfra) informou que o relatório o monitoramento técnico realizado
pela Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec/UFRN) não
aponta uma perda definitiva da areia da engorda da praia de Ponta Negra. As
informações do documento que chegaram à imprensa atestam para uma redução de
quase 40% na faixa de areia do aterro hidráulico. Em nota, a pasta explicou que
o fenômeno “faz parte da dinâmica natural de transporte e redistribuição de
sedimentos ao longo da orla, sem indicar que o material tenha saído do sistema
costeiro.”
A manifestação da secretaria ocorre após a divulgação da imprensa de um monitoramento técnico realizado pela Funpec/UFRN. O estudo identificou que, entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o volume de areia medido acima da linha da água sofreu um recuo de 39,27%, o que representa uma diminuição de 400,9 mil metros cúbicos de sedimentos no trecho visível da praia. O volume total analisado pelos pesquisadores recuou de 1,02 milhão de metros cúbicos para 619,8 mil metros cúbicos no intervalo de doze meses.
De acordo com a Seinfra, como
o relatório considerou apenas a porção da areia que fica exposta, é prematuro
determinar com precisão a origem, o transporte e o destino dos sedimentos.
“Ressaltamos, por fim, ser fundamental uma avaliação criteriosa sobre dados
tecnicamente tão rigorosos, a fim de evitar conclusões precipitadas,
inconsistentes ou entendimentos distorcidos sobre o andamento do projeto”,
reiterou a pasta.
O documento da Funpec aponta
que apenas levantamentos topobatimétricos complementares, que medem o relevo
abaixo da água, poderão indicar se a areia foi deslocada para o fundo do mar
próximo ou redistribuída por correntes marinhas. No detalhamento, os pesquisadores
dividiram a praia em três setores, apontando o entorno do Morro do Careca,
classificado como Área C, como o ponto mais crítico em termos proporcionais.
Esse trecho apresentou uma redução de 51,87%, o que equivale a uma perda de
111,1 mil metros cúbicos em relação ao volume inicial.
Em termos absolutos, a maior
variação ocorreu na Área A, correspondente à Via Costeira, onde o volume
encolheu 207 mil metros cúbicos, representando uma queda de 49,74%. Já a Área
B, que compreende o trecho central de Ponta Negra, foi a menos impactada, registrando
um decréscimo de 21,21%, ou menos 82,7 mil metros cúbicos.
O documento associa o
comportamento da areia a uma série de episódios erosivos registrados no
primeiro ano após a conclusão da engorda. Entre os eventos citados estão a
formação de um canal erosivo logo em fevereiro de 2025, um novo episódio de
erosão em junho do mesmo ano, alagamentos registrados em outubro decorrentes da
combinação de chuvas fortes, drenagem urbana e maré elevada, além de novas
ocorrências erosivas observadas em fevereiro de 2026.
Os técnicos projetam que, sem
intervenções na drenagem e na contenção, a tendência é de continuidade no recuo
de sedimentos no Morro do Careca, com o material sendo empurrado para o trecho
central até que a praia atinja um novo equilíbrio sedimentar natural. Para
frear o avanço desse processo no trecho mais crítico, os pesquisadores sugerem
a adoção de medidas complementares imediatas, como a realização de novos
aterros pontuais, o controle de drenagem na parte superior do bairro, o
redimensionamento dos dissipadores existentes e a implantação de lagoas de
captação e infiltração em Ponta Negra.
Procurada para comentar o teor
do documento, a Funpec informou que atua estritamente como contratada da
prefeitura para realizar o monitoramento e não forneceu a cópia do relatório à
imprensa, embora não tenha negado a autoria do levantamento. Thiago Mesquita,
titular da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) também foi
procurado, mas estava inacessível para comunicação e demais esclarecimentos até
o fechamento desta edição.
Tribuna do Norte

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