Foto: TV GLOBO
O Banco Master, de Daniel
Vorcaro, repassou R$ 102 milhões entre 2023 e 2025 a uma empresa investigada
por suspeita de lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa no
setor de combustíveis no Rio de Janeiro. As informações foram divulgadas pela
Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (10).
Segundo a investigação, os pagamentos foram feitos à Metanoein Participações e Consultoria Ltda. e registrados pelo banco como prestação de serviços. A empresa tem como sócia-administradora Rose Evelyn Machado Coité, apontada pelo Ministério Público Federal como proprietária de uma rede de postos de gasolina operada por meio de laranjas.
De acordo com a Folha, apesar
da suspeita de ligação com o setor de combustíveis, a Metanoein não aparece
registrada na Receita Federal como empresa do ramo de abastecimento. As
atividades formais da firma são de serviços de escritório, consultoria em gestão
e negócios.
A sócia-administradora é
conhecida em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, como empresária do mercado
de combustíveis, mas não possui postos registrados em seu nome ou em nome dos
filhos, conforme os dados consultados pela Folha. Oficialmente, ela aparece
vinculada a empresas de outros setores, como advocacia, consultoria e
diagnósticos médicos.
A Folha aponta que a empresa
passou a ser alvo de medidas judiciais após o avanço de investigações da
Operação Carbono Oculto sobre lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Em
decisão da 8ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, foi determinada restrição
à transferência de valores ligados à Metanoein.
O processo tramita em segredo
de Justiça, mas informações registradas na junta comercial indicam pedido do
Ministério Público Federal para sequestro de contas e aplicações financeiras de
Rose Evelyn e de seus filhos. Eles são citados como possíveis proprietários
reais de postos de combustíveis mantidos formalmente em nome de outras pessoas.
A investigação envolve 46
empresas e também cita outros nomes apontados como donos de postos e pessoas
que seriam usadas como intermediárias. A ordem judicial relacionada à Metanoein
foi registrada em maio, um dia depois da Operação Centelha, deflagrada pela
Polícia Federal contra um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação ligado ao
jogo do bicho no Rio de Janeiro.
Ainda segundo a Folha, a
Metanoein divide endereço com outra empresa que recebeu valores milionários do
Banco Master. Trata-se da Mídias Promotora, que teria recebido R$ 126,6 milhões
da instituição financeira e também foi alvo de busca e apreensão em apurações
sobre investimentos do Rioprevidência, fundo responsável por benefícios de
aposentados e pensionistas do Rio.
As duas empresas funcionam em
salas no mesmo imóvel em Bangu e possuem outras semelhanças societárias. Cada
uma delas é sócia de uma Sociedade em Conta de Participação, tipo de estrutura
empresarial em que parte dos sócios pode não aparecer nos registros públicos.
As duas sociedades foram criadas na mesma data, 28 de em julho de 2021.
Os repasses às empresas
constam em dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado. A
Folha já havia revelado que o sócio-administrador da Mídias Promotora, apesar
dos valores recebidos pela empresa, foi beneficiário do auxílio emergencial durante
a pandemia e responde a processo por suspeita de golpe contra aposentados e
pensionistas do INSS.
A reportagem da Folha informou
que tentou contato com Rose Evelyn desde abril, por e-mail e WhatsApp, mas não
obteve resposta. A defesa de Daniel Vorcaro afirmou, por meio de assessoria,
que não comentaria o caso.
Com informações da Folha de S.
Paulo

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