A notícia-crime considera como uma ameaça o momento em que Lula afirma: "por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes foi enforcado | Foto: Reprodução
O senador e pré-candidato
Flávio Bolsonaro (PL) protocolou a notícia-crime prometida contra o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Supremo Tribunal Federal (STF). O documento
pede a abertura de inquérito para investigar se o presidente cometeu os crimes
de ameaça e incitação ao crime.
Procurado, o Palácio do Planalto não se manifestou. O espaço está aberto.
O caso tem origem no discurso
que Lula proferiu na última terça-feira, 2, durante a inauguração do campus
Catalão do Instituto Federal Goiano. Na ocasião, o presidente chamou Flávio de
"vendilhão da pátria" e "traidor".
A notícia-crime considera como
uma ameaça o momento em que Lula afirma: "por menos do que isso, Joaquim
Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes foi enforcado. O que merecem os
traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso?".
O documento, aliás, registra o
deslize de Lula. Joaquim Silvério dos Reis não foi enforcado por delatar os
inconfidentes mineiros. Nesta ocasião, o executado foi o próprio Tiradentes.
"Inverteu os papéis de
sua própria parábola, atribuindo a quem 'traiu' o destino que, na realidade,
coube a justamente a quem foi traído, confundindo o herói com o vilão da
história. Talvez, tal confusão não ocorra somente na figura de linguagem utilizada
mas aconteça também na leitura que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz
do atual cenário político brasileiro", afirma o documento assinado pelo
escritório Tracy Reinaldet Advogados Associados.
A notícia-crime também fala
sobre o impacto das falas nas redes sociais. Os advogados afirmam que, nas 24
horas seguintes ao discurso, na plataforma X, foram identificadas mais de 1.600
postagens contendo supostas ameaças contra Flávio Bolsonaro e seus familiares.
As publicações teriam usado termos como "matar" "fuzilar",
"esfaquear" e "atentados".
Outras 500 postagens, afirma o
documento, continham ameaças veladas ou incitações à violência. O conjunto de
publicações teria alcançado mais de 14 milhões de visualizações, 900 mil
curtidas e quase 200 mil compartilhamentos.
A peça contextualiza o
episódio dentro de um cenário de violência política no Brasil e no mundo. Os
advogados citam uma série de casos recentes: o assassinato do senador
colombiano e pré-candidato à presidência Miguel Uribe Turbay, em junho de 2025
e o homicídio do ativista político norte-americano Charlie Kirk em setembro de
2025. O texto também traz as tentativas de assassinato do presidente Donald
Trump, da vice-presidente argentina Cristina Kirchner, e do então presidente
eleito da Bolívia Luis Arce.
O documento também cita o
cenário brasileiro. Entre janeiro de 2016 e setembro de 2020, 68 políticos
brasileiros foram assassinados e outros 57 sofreram algum tipo de atentado.
A defesa ainda destaca a
tentativa de assassinato de Jair Bolsonaro - pai do pré-candidato, esfaqueado
durante ato de campanha em 2018. "O que, em outros contextos, poderia ser
apenas figura de retórica, no presente caso é como fagulha lançada sobre palha
seca", diz o documento protocolado na última quinta-feira, 4.
Estadão Conteúdo

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