O Porto de Natal fará, em
junho, um embarque-teste de 3,3 mil cabeças de gado vivo para o Líbano,
previsto para os dias 24 e 25. A expectativa é liberar as exportações e
movimentar até R$ 1 bilhão por ano no RN.
No próximo mês de junho, o
Porto de Natal fará um embarque-teste de gado vivo, com o envio de 3.300
animais para o Líbano. De acordo com a Companhia Docas do Rio Grande do Norte
(Docas), empresa que administra o terminal potiguar, o transporte está previsto
para acontecer entre os dias 24 e 25.
Segundo o secretário Guilherme
Saldanha, da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Sape), a expectativa é de
que, após o primeiro embarque, as exportações dos animais vivos sejam liberadas
pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com projeção de injetar até
R$ 1 bilhão ao ano na economia potiguar.
A autorização para o embarque
chega em um momento de ampliação das exportações de gado vivo no Brasil, com
alta de 5,53% no ano passado. Apesar do interesse do mercado internacional, o
Rio Grande do Norte encarava obstáculos para as vendas ao mercado exterior. As
dificuldades estavam relacionadas a questões burocráticas e de certificação do
Porto de Natal. Segundo Guilherme Saldanha, todos os entreves já foram
superados. “Era necessário autorização para o embarque e também um operador
portuário habilitado, mas todas as questões foram superadas”, falou.
Agora, todas as atenções estão
voltadas para o embarque. “Nossa perspectiva é muito boa. A gente acredita
muito que esse negócio irá se consolidar no Rio Grande do Norte, como já
acontece no Pará, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Existe um mercado gigante
nos países do Norte da África, e também no Oriente Médio, que estão
interessados nesses animais para abate”, afirmou o secretário.
Atualmente o Rio Grande do
Norte dispõe de duas Estações de Pré-Embarque (EPE) devidamente registradas no
Ministério da Agricultura. As EPEs são estruturas fundamentais para a operação.
Uma delas, de acordo com Guilherme Saldanha, está localizada no Distrito de
Irrigação do Baixo-Açu (DIBA), em Alto do Rodrigues, e a outra, em São Gonçalo
do Amarante, a cerca de 50 quilômetros de Natal. É de lá que sairão os animais
para o embarque-teste.
As estações são os locais onde
o gado fica em quarentena antes da operação. “São espaços de confinamento. Os
animais ficam isolados, recebendo ração, água e acompanhamento de um
veterinário. O período de isolamento depende do destino para onde vai o gado,
já que cada país estabelece um prazo para a quarentena”, explica o secretário.
Se não houver intercorrências, como a identificação de doenças durante o
confinamento, o embarque é liberado.
Segundo Saldanha, para cada
EPE foram investidos cerca de R$ 3,4 milhões para tornar os espaços adequados
às exigências do MAPA. “Cada empresário fez o próprio investimento. Estamos com
bastante expectativa de que tudo vai correr bem na operação do embarque-teste.
O Brasil hoje é responsável por exportar cerca de um milhão e meio de cabeças
de gado. Esse número só não é maior por falta de portos com condições e vagas
para a entrada de navios”, diz.
“Este é um negócio que gira em
torno de R$ 9 bilhões no País, e nós temos a intenção de abocanhar um pedaço
desse mercado, com a expectativa de atingir 10% dele. Isso significa que
teremos algo em torno de R$ 900 milhões a R$ 1 bilhão na economia potiguar por
ano”, pontou Saldanha.
De acordo com a Codern, todas
as etapas da operação e instalações serão acompanhadas presencialmente por
técnicos da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), do MAPA, a fim de
definir se haverá necessidade de “fazer alguma adequação” posteriormente.
Felipe Salustino/Repórter
Tribuna do Norte

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