sexta-feira, 29 de maio de 2026

Corte 84 vai focar em exportação de gado vivo

Confinamento São Pedro, em Ceará-Mirim, na Grande Natal | Foto: Faern

A empresa Corte 84 encerrou as operações industriais em Macaíba, na Grande Natal, para focar no segmento varejista e na exportação de gado vivo pelo Rio Grande do Norte. A decisão representa um movimento estratégico do grupo e foi motivada por um conjunto de fatores ligados ao mercado local. É o que aponta a acionista e gestora de operação de varejo de corte da empresa, Beatriz Soares.

A Corte 84 iniciou as operações no Estado em 2024, com foco na operação industrial voltada ao mercado consumidor local. Além do frigorífico, a empresa mantinha um abatedouro em Vera Cruz, por meio de concessão junto à prefeitura local. O fim da operação industrial foi oficializado a cerca de dois meses. O grupo segue com a loja física, localizada em Natal, que está sendo adaptada para o novo modelo de negócios da empresa, além do Confinamento São Pedro em Ceará-Mirim.

“Foi uma decisão comercial estratégica do grupo diante da necessidade de readequação de rota. Mas, apesar de a gente ter encerrado a operação industrial, seguimos atuando no varejo por meio da nossa loja própria, que é onde enxergamos conseguir entregar ao mercado o nosso diferencial”, destaca Beatriz Soares.

De acordo com a gestora, embora a Corte 84 passe a centralizar a venda dos seus produtos na própria loja, a empresa segue atendendo alguns food services fidelizados pela marca. Aliado a isso, ela destaca que atualmente o grupo aguarda autorização do Ministério de Agricultura e Pecuária (Mapa) para que o Confinamento São Pedro possa atuar como Estação de Pré-Embarque (EPE) para exportação de gado vivo.

Ainda não há um prazo definido para o recebimento da autorização, mas a expectativa é que o trâmite seja finalizado até o fim de junho. O empreendimento, aponta Beatriz Soares, começou a passar por serviços de adaptação no início deste ano e já está com a estrutura necessária para atuar como EPE.

Sobre a adequação da loja física em Natal, a expectativa é ampliar a capacidade de atendimento do público-alvo da Corte 84. “A gente está ampliando a frente da loja e fazendo as adequações necessárias. Temos um espaço lateral previsto para aumentar o fluxo de atendimento dos clientes, principalmente de food service, que compram em maior volume. Estamos apostando muito nesse modelo e nossos clientes finais estão satisfeitos”, destaca.

Exportação de gado vivo

A EPE da Corte 84 vai se unir à que está localizada no Distrito de Irrigação do Baixo-Açu (DIBA), em Alto do Rodrigues, para atuar na exportação de gado vivo pelo Porto de Natal. De acordo com o titular da Secretaria da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape/RN), Guilherme Saldanha, outras duas EPES também estão em construção no Estado. Na avaliação do secretário, a chegada da Corte 84 no ramo de exportação de gado vivo será benéfica para o RN, que se prepara para entrar nesse mercado. “O Brasil tem 72 EPES habilitadas pelo Ministério. Com o trabalho que estamos desenvolvendo, a expectativa é que possamos atingir pelo menos 10% desse mercado nos próximos cinco anos”, destaca.

O primeiro embarque-teste pelo RN, conforme já divulgado pela TRIBUNA, está previsto para acontecer entre os próximos dias 24 e 25 de junho, pelo Porto de Natal. Ao todo, serão enviadas 3,3 mil cabeças de gado para o Líbano.

Segundo Guilherme Saldanha, a participação em 10% no segmento pode representar uma injeção de cerca de R$ 1 bilhão por ano na economia potiguar. Para efeito de comparação, o segmento de fruticultura levou cerca de 35 anos para alcançar esse montante.

O titular da Sape/RN observa, ainda, que o esperado é que o Estado possa desfrutar de um mercado que já vem se destacando em estados como Rio Grande do Sul, Pará e São Paulo, mas com as vantagens logísticas e a maior competitividade do Porto de Natal. Somado a isso, países do Oriente Médio e do norte da África estão no radar para a ampliação das exportações.

Tribuna do Norte

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