Confinamento São Pedro, em Ceará-Mirim, na Grande Natal | Foto: Faern
A empresa Corte 84 encerrou as operações industriais em Macaíba, na Grande Natal, para focar no segmento varejista e na exportação de gado vivo pelo Rio Grande do Norte. A decisão representa um movimento estratégico do grupo e foi motivada por um conjunto de fatores ligados ao mercado local. É o que aponta a acionista e gestora de operação de varejo de corte da empresa, Beatriz Soares.
A Corte 84 iniciou as
operações no Estado em 2024, com foco na operação industrial voltada ao mercado
consumidor local. Além do frigorífico, a empresa mantinha um abatedouro em Vera
Cruz, por meio de concessão junto à prefeitura local. O fim da operação industrial
foi oficializado a cerca de dois meses. O grupo segue com a loja física,
localizada em Natal, que está sendo adaptada para o novo modelo de negócios da
empresa, além do Confinamento São Pedro em Ceará-Mirim.
“Foi uma decisão comercial
estratégica do grupo diante da necessidade de readequação de rota. Mas, apesar
de a gente ter encerrado a operação industrial, seguimos atuando no varejo por
meio da nossa loja própria, que é onde enxergamos conseguir entregar ao mercado
o nosso diferencial”, destaca Beatriz Soares.
De acordo com a gestora,
embora a Corte 84 passe a centralizar a venda dos seus produtos na própria
loja, a empresa segue atendendo alguns food services fidelizados pela marca.
Aliado a isso, ela destaca que atualmente o grupo aguarda autorização do Ministério
de Agricultura e Pecuária (Mapa) para que o Confinamento São Pedro possa atuar
como Estação de Pré-Embarque (EPE) para exportação de gado vivo.
Ainda não há um prazo definido
para o recebimento da autorização, mas a expectativa é que o trâmite seja
finalizado até o fim de junho. O empreendimento, aponta Beatriz Soares, começou
a passar por serviços de adaptação no início deste ano e já está com a
estrutura necessária para atuar como EPE.
Sobre a adequação da loja
física em Natal, a expectativa é ampliar a capacidade de atendimento do
público-alvo da Corte 84. “A gente está ampliando a frente da loja e fazendo as
adequações necessárias. Temos um espaço lateral previsto para aumentar o fluxo
de atendimento dos clientes, principalmente de food service, que compram em
maior volume. Estamos apostando muito nesse modelo e nossos clientes finais
estão satisfeitos”, destaca.
Exportação de gado vivo
A EPE da Corte 84 vai se unir
à que está localizada no Distrito de Irrigação do Baixo-Açu (DIBA), em Alto do
Rodrigues, para atuar na exportação de gado vivo pelo Porto de Natal. De acordo
com o titular da Secretaria da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape/RN),
Guilherme Saldanha, outras duas EPES também estão em construção no Estado. Na
avaliação do secretário, a chegada da Corte 84 no ramo de exportação de gado
vivo será benéfica para o RN, que se prepara para entrar nesse mercado. “O
Brasil tem 72 EPES habilitadas pelo Ministério. Com o trabalho que estamos
desenvolvendo, a expectativa é que possamos atingir pelo menos 10% desse
mercado nos próximos cinco anos”, destaca.
O primeiro embarque-teste pelo
RN, conforme já divulgado pela TRIBUNA, está previsto para acontecer entre os
próximos dias 24 e 25 de junho, pelo Porto de Natal. Ao todo, serão enviadas
3,3 mil cabeças de gado para o Líbano.
Segundo Guilherme Saldanha, a
participação em 10% no segmento pode representar uma injeção de cerca de R$ 1
bilhão por ano na economia potiguar. Para efeito de comparação, o segmento de
fruticultura levou cerca de 35 anos para alcançar esse montante.
O titular da Sape/RN observa,
ainda, que o esperado é que o Estado possa desfrutar de um mercado que já vem
se destacando em estados como Rio Grande do Sul, Pará e São Paulo, mas com as
vantagens logísticas e a maior competitividade do Porto de Natal. Somado a
isso, países do Oriente Médio e do norte da África estão no radar para a
ampliação das exportações.
Tribuna do Norte

Nenhum comentário:
Postar um comentário