Para a advogada Catarina Freitas, o ovo registrou alta significativa: há três semanas, uma cartela com 30 custava R$ 14; hoje ela encontra entre R$ 17 e R$ 24 | Foto: Adriano Abreu
O preço dos ovos de galinha
voltou a subir em todo o país desde fevereiro, com altas de até 20%, segundo
levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O
movimento é impulsionado pela maior demanda durante a Quaresma e a Páscoa,
período em que cristãos católicos substituem a carne por ovos e frango, sendo o
ovo uma das alternativas mais requisitadas.
Para o economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), o ovo é um item indispensável na alimentação. Na economia, é classificado como um “bem substituto”, por ser mais acessível. Néo explica que houve um aumento significativo no preço do milho e do trigo, bases da ração das aves; contudo, a logística também é determinante para o valor final. “As granjas mais próximas do local de consumo conseguem ter um custo logístico menor do que aquelas que transportam de distâncias maiores. Por isso, é importante que o consumidor priorize os produtores locais”, afirma.
O especialista destaca
estratégias práticas para enfrentar a alta: optar por ovos de categorias
menores (médios ou pequenos), comprar bandejas maiores (que reduzem o preço por
unidade), pesquisar valores entre mercados e feiras e avaliar marcas locais.
Ele lembra ainda que o ovo é
insumo essencial para diversos outros produtos, como salgados e doces. “São
períodos sazonais; isso sempre ocorre próximo à Quaresma. Além da alta na
ração, o aumento nos combustíveis impacta o transporte. Somado a isso, o calor
do verão faz com que as galinhas produzam menos ovos”, ressalta o economista.
Para a advogada Catarina
Freitas, de 44 anos, a diferença no bolso é evidente. “O ovo teve uma subida
significativa. Há três semanas, comprávamos uma cartela com 30 ovos grandes por
R$ 14. Hoje, o valor varia entre R$ 17 e R$ 24. É um aumento absurdo”, relata.
Para driblar os preços, Catarina tem optado por ovos de codorna ou por tamanhos
menores da versão de galinha.
Feijão também registra alta
nos preços
O preço do feijão carioca
acumulou uma alta de 19,7% nos últimos 12 meses, de acordo com dados do Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). A safra atual é a menor
dos últimos quatro anos, afetada por problemas climáticos, como chuvas excessivas
durante a colheita em estados produtores, o que reduziu a oferta e a qualidade.
O cenário também é reflexo do plantio reduzido, já que muitos produtores
desanimaram com a baixa rentabilidade do ano anterior.
Para a aposentada Maria do
Socorro de Souza Araújo, de 70 anos, a insatisfação cresce a cada ida ao
supermercado. “Tudo está muito caro. Antes, minha feira custava R$ 600; hoje,
sai por R$ 900. Não vejo redução, apenas aumento”, lamenta.
Arthur Néo reforça que,
historicamente, um bom período de chuvas aumenta a oferta de feijão,
especialmente por meio de pequenos agricultores. “Infelizmente, estamos
passando por um período de chuvas irregulares, o que impediu que o preço
seguisse a tendência de queda para a época. Como os custos de transporte e
insumos subiram, esse valor acaba sendo repassado ao consumidor final”,
conclui.
Tribuna do Norte

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