Segundo pesquisa da Fecomércio, o consumo de pescados deve movimentar R$ 133,4 milhões nesse feriadão | Foto: Magnus Nascimento
Diferente do que
historicamente costuma acontecer, os preços dos pescados mais procurados nesta
Semana Santa seguem estáveis se comparados com igual período do ano passado, de
acordo com comerciantes e compradores ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE na Feira do
Peixe, instalada no Canto do Mangue, e também no Mercado do Peixe. Dentre os
pescados mais procurados estão a cioba, tilápia, robalo e meca, comercializados
com valores a partir de R$ 45, em média. Para parte dos comerciantes ouvidos, a
procura é boa, mas para outros, as vendas ainda deixam a desejar por conta do
receio em consumir, influenciado pelo medo da toxina ciguatera.
Segundo pesquisa da Fecomércio RN, o consumo de pescados deve movimentar R$ 133,4 milhões no Rio Grande do Norte nesse feriadão. Um dos comerciantes da Feira do Peixe, Jorge Gosson, afirmou que cioba, meca e cavala são os mais procurados no período. A faixa de preços, segundo ele, varia entre R$ 45 e R$ 50 por quilo, valores semelhantes aos registrados no mesmo período do ano passado.
“O preço está bom e as vendas
estão melhores. A procura aumentou 70%, graças a Deus”, falou. Quem também
comemorou a alta procura foi Heider Herbert. “Aqui sai muito a cioba, a tilápia
e o robalo. O preço é parecido com o do ano passado, na faixa dos R$ 50. As
vendas estão indo muito bem. Realmente, a semana está sendo santa”, brincou o
vendedor.
Outros feirantes, no entanto,
reclamam que não conseguiram, até o momento, superar as vendas do ano passado.
A razão é o medo, por parte dos consumidores, da toxina ciguatera. Com isso, os
preços do pescado, que geralmente tendem a subir na Semana Santa, ficaram
estáveis, de acordo com relatos feitos à reportagem.
Outra consequência, para
alguns comerciantes, é que as vendas ainda não conseguiram superar os números
do mesmo período do ano passado, como é o caso de Lenilson Venâncio.
“As vendas caíram em relação a
2025 por conta dessa história da ciguatera. Mesmo com os preços bons, a procura
tem sido menor”, conta. Segundo ele, cioba, tainha, badejo, pescada amarela,
robalo e corvina são os peixes mais buscados. Quem não abre mão de consumir o
pescado nesta época, comemora os bons preços. A enfermeira Erica Galvão, de 34
anos, estava iniciando as compras na Feira do Peixe, quando falou com a
reportagem. Ela conseguiu levar para a casa a tilápia por R$ 25 o quilo.
“Está até abaixo da média, com
um preço ótimo. Por enquanto, comprei apenas tilápia, mas vou pesquisar algo
mais, talvez, camarão. Lá em casa é tradição comer pescado na Semana Santa.
Então, convenci meu marido e viemos às compras na Feira do Peixe”, relatou.
A aposentada Conceição Farias,
de 74 anos, disse que também não abre mão da tradição de comer peixe neste
período. Acompanhada do filho, ela ainda estava no início das compras quando
falou com a reportagem. “Comprei a guaiuba, que eu gosto de comer frita. Está
R$ 40 aqui no Mercado do Peixe. Pelo tamanho, está um preço bom. Em outros
locais, encontrei mais barato, mas o peixe era muito miúdo”, disse.
Para atender à demanda da
Semana Santa, a Prefeitura do Natal instalou, no Canto do Mangue, a Feira do
Peixe, um espaço que reúne 10 feirantes e que foi estruturado para facilitar
tanto a comercialização quanto a compra de pescado. A feira irá funcionar até
esta sexta-feira (3), das 7h às 17h. Já o Mercado do Peixe funcionará nesta
sexta e sábado (4), das 6h às 18h e no domingo (5), das 6h às 14h.
Consumo de peixe deve crescer
até 20%
A procura por pescados no RN
deve crescer 20% entre a Quaresma e a Páscoa, acompanhando a média nacional,
segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O reflexo é
percebido principalmente em bares e restaurantes, que registram aumento no
volume de vendas, com maior concentração entre a Sexta-feira da Paixão e o
Domingo de Páscoa. Para atender à demanda, os estabelecimentos adaptam
cardápios e ampliam a oferta de pratos à base de peixes e frutos do mar.
De acordo com o presidente da
Abrasel no RN, Thiago Machado, a expectativa é de intensificação na
movimentação no fim da Quaresma, com variações mais acentuadas em datas
específicas. Na Sexta-feira da Paixão, por exemplo, a procura por pratos com
pescado pode triplicar, sobretudo aqueles à base de bacalhau.
“No setor de alimentação, esse
movimento é bastante evidente. Durante a Quaresma, há um aumento consistente na
busca por peixes e frutos do mar. Restaurantes que se antecipam conseguem
aproveitar melhor o período, oferecendo opções alinhadas ao momento vivido
pelos clientes”, afirma.
Uma pesquisa realizada com
empresários do setor entre os dias 11 e 19 de março no RN aponta que 64% das
empresas projetam faturar mais durante o feriado da Semana Santa. Dentro desse
grupo, 11% estimam crescimento de até 50% no faturamento, indicando expectativas
positivas e reforçando a importância do período para a recuperação e o
desempenho do setor. Além da adaptação de cardápios, muitos estabelecimentos
reformulam suas estratégias para priorizar carnes brancas durante o período.
Segmentos tradicionalmente
voltados à carne vermelha, como churrascarias, tendem a registrar retração na
demanda, mas passam a investir em alternativas com pescados para manter o fluxo
de clientes. Segundo Thiago Machado, fatores culturais e religiosos exercem
forte influência sobre o consumo no estado. “O Rio Grande do Norte é um dos
locais onde o consumo de peixes ganha ainda mais força por esse componente
cultural, o que intensifica a movimentação nos estabelecimentos”, afirma.
O impacto se estende à cadeia
produtiva. Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
apontam que o consumo médio anual de pescado no país é de cerca de 11 quilos
por habitante, e a Quaresma atua como um importante impulso sazonal para o
setor.
O turismo também contribui para aquecer o mercado. A circulação de visitantes durante o período é vista como um reforço relevante para o setor. “É um momento que funciona como um respiro, um verdadeiro oásis para bares e restaurantes, especialmente em um cenário ainda impactado pela inflação e pela redução do poder de compra da população”, avalia Thiago Machado.

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