Entre os bairros de Natal, Capim Macio lidera com o metro quadrado mais caro (R$ 7.067/m²), conforme o cálculo do Índice FipeZAP| Foto: Adriano Abreu
Natal teve a terceira maior
valorização (+1,17%) no preço médio da venda de imóveis residenciais em março
de 2026 entre as capitais brasileiras monitoradas pelo Índice FipeZAP. A
capital potiguar ficou atrás apenas de Fortaleza (+1,33%) e Vitória (+1,21%). O
preço médio de venda residencial em Natal foi de R$ 6.248/m² no mês, sendo um
dos metros quadrados mais acessíveis entre as capitais – terceiro mais barato
entre 22 cidades, após Teresina (R$ 5.791/m²) e Aracaju (R$ 5.461/m²).
Nos primeiros três meses de 2026, Natal acumulou uma valorização de 2,21%, superando a inflação média do período (IPCA de +1,48%). A variação em 12 meses mostra que os preços em Natal subiram 8,77%. Esse índice representa uma alta real, pois é significativamente superior à inflação medida pelo IPCA (+3,69%) no mesmo período.
Na visão de interlocutores do setor imobiliário, a capital potiguar vive um
ciclo de valorização no preço de imóveis e tem um preço competitivo em relação
a outras capitais. Segundo Roberto Peres, presidente do Conselho Regional de
Corretores de Imóveis do Rio Grande do Norte (Creci-RN), a valorização ocorre
porque “Natal tem uma qualidade de vida diferenciada, um turismo muito forte e
ainda apresenta preços mais competitivos”.
Além disso, há uma procura crescente por parte de moradores e investidores.
“Esse movimento já vem acontecendo há algum tempo, pois Natal passou muitos
anos com um Plano Diretor ultrapassado e, entre 2021 e 2022, com sua aprovação,
o mercado imobiliário começou a melhorar, com novos projetos e lançamentos”,
diz Peres.
Para Ricardo Abreu, diretor da Abreu Imóveis, três fatores principais explicam
a valorização: recomposição do preço de venda após um período de estabilidade
nos últimos cinco anos, custos maiores na construção civil e maior demanda por
moradia.
“Mesmo com essa alta recente, Natal apresenta um preço quadrado ainda
competitivo, o que abre um espaço relevante para um movimento de crescimento”,
frisa. “Isso não é um pico de valorização, mas um novo ciclo de crescimento da
cidade”.
Wescley Magalhães, gerente de Incorporação da MDNE no RN, atribui a valorização
a fatores como demanda reprimida por projetos, modernização da legislação
urbanística e melhoria na infraestrutura turística e de serviços. “Esse
contexto reforça o produto imobiliário e o torna mais atraente. Esse cenário
reflete uma cidade que está se redesenhando e atraindo tanto investidores
quanto famílias que buscam qualidade de vida”, afirma.
“Há um movimento consistente de retomada e expansão desde 2022, ocasião de
inovações legislativas locais e a retomada econômica pós-pandemia. A tendência
é que esse cenário se mantenha”, diz Magalhães.
O Índice FipeZAP de Venda Residencial acompanha a variação mensal dos preços de
imóveis residenciais em 56 cidades brasileiras, a partir de anúncios de
apartamentos prontos na Internet. Nacionalmente, o Índice FipeZAP registrou um
aumento médio de 0,48% em março de 2026 na venda dos imóveis.
Bairros mais caros de Natal
Entre os bairros de Natal, Capim Macio lidera com o metro quadrado mais caro
(R$ 7.067/m²), conforme o cálculo do Índice FipeZAP. O bairro é seguido por
Tirol (R$ 7.055/m²) e Ponta Negra (R$ 6.963/m²). As maiores valorizações em 12
meses ocorreram, por sua vez, nos bairros de Petrópolis (+16,4%) e Neópolis
(+15,0%). Já o mais barato foi o metro quadrado na Praia do Meio (com preço
médio de R$ 3.980/m²), sendo o único a registrar queda nos preços nos últimos
12 meses (-3,6%).
Segundo Ricardo Abreu, bairros mais tradicionais, como Petrópolis e Tirol,
caminham para uma valorização mais acelerada devido à infraestrutura que
oferecem. Já regiões como “Ponta Negra, Capim Macio e Lagoa Nova vão ter essa
crescente acentuada nos próximos meses e anos”.
Para Roberto Peres, a liderança no preço do metro quadrado era esperada no
bairro de Capim Macio, enquanto Petrópolis surpreendeu positivamente com a
maior valorização em 12 meses. Já a situação da Praia do Meio, que apresentou
queda, “pode estar ligada a fatores pontuais como menor demanda, perfil mais
específico de imóvel ou necessidade de revitalização urbana”.
Wescley Magalhães diz que o resultado por bairros reflete uma preferência do
consumidor por conveniência e bem-estar. “Tirol e Petrópolis mantêm sua força
como eixos tradicionais, enquanto Capim Macio e Ponta Negra consolidam a
vocação turística e infraestrutura de serviços”.
NÚMEROS
Preço de venda residencial das
capitais (março/2026)
Fortaleza (+1,33%)
Vitória (+1,21%)
Natal (+1,17%)
Aracaju (+1,14%)
Manaus (+1,11%)
Preço médio de venda por
bairros (março/2026)
Capim Macio: R$ 7.067 /m²
Tirol: R$ 7.055 /m²
Ponta Negra: R$ 6.963 /m²
Lagoa Nova: R$ 6.656 /m²
Petrópolis: R$ 6.130 /m²
Ribeira: R$ 6.098 /m²
Neópolis: R$ 5.899 /m²
Candelária: R$ 5.179 /m²
Nova Descoberta: R$ 4.945 /m²
Praia do Meio: R$ 3.980 /m²
Fonte: Índice FipeZAP
Tribuna do Norte

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