Na reta final para a Páscoa,
um dos períodos mais importantes para o comércio de chocolates, o cenário chama
atenção com preços mais altos e um consumidor mais cauteloso. Nos últimos dias,
quem foi às compras já sentiu o impacto do aumento nos preços dos chocolates e
de seus insumos. Na Grande Natal, os consumidores têm buscado alternativas mais
rentáveis, apesar das expectativas de crescimento nas vendas do segmento até o
Domingo de Páscoa, com opções que variam de R$ 6 a R$ 90.
Para a gerente do Nordestão Lagoa Nova, Cláudia Confessor, 47, houve uma mudança bastante expressiva nos hábitos dos consumidores. “Ao invés de dar preferência aos ovos de Páscoa, ou levar apenas ovos de chocolate, o consumidor também prefere levar caixas de bombons. Mas o movimento não diminuiu. Esse período sazonal é um momento em família, para confraternizar, principalmente para quem é religioso. Então, o almoço da Sexta-feira Santa faz com que o consumidor adquira os produtos, mesmo diante do aumento dos itens sazonais”, destaca.
Segundo a gerente, durante o
período pascal, as marcas tradicionais ainda se mantêm como as preferidas dos
clientes. As caixas de bombons concentram cerca de 70% das vendas, enquanto os
ovos de Páscoa seguem entre os itens mais requisitados. Cláudia ressalta que
produtos de fabricação própria, com sabores variados e custo de R$ 40, têm sido
uma alternativa frequente para os clientes, dentro da estratégia de vendas da
empresa.
A enfermeira Paula Medeiros,
37, era uma das clientes que se preparavam para as compras do período e afirmou
ter notado aumento significativo em relação ao ano passado, inclusive nos ovos
artesanais.
“Dei só um ovo de Páscoa para
minha filha, por ser criança, desses que vêm com brinquedo, mas optei por um
ovo artesanal, com mais opções para ela montar. É bem mais barato e interativo.
Ela mesma monta o ovo, acho interessante. Como os preços estão bem altos,
optamos por barras, porque é mais viável e conseguimos presentear a mãe, a avó
e os sobrinhos. A barrinha de chocolate não pesa no bolso”, pontua.
Buscando opções com melhor
custo-benefício, a professora Francisca Macedo, 64, diz que está levando ovos
de chocolate e caixas de bombons por “ousadia”, diante dos preços altos. Em
suas compras, ela optou por produtos de marcas tradicionais e algumas caixas
para complementar.
“O preço aumentou bastante e
tudo está caro. A gente leva para agradar um sobrinho, uma vizinha que tem um
bebê e não tem condições de comprar. Está bem caro, mas doce é a alegria de
todo mundo nessa época”, afirma.
Para Daniel Olinto, 28,
supervisor da loja Docelândia, no Midway Mall, os consumidores têm se preparado
com antecedência. “Alguns já sabem o que querem e pesquisam bastante os preços.
Os vendedores precisam ter jogo de cintura e estratégias com valores promocionais”,
afirma.
Alta nos preços afeta a
procura por ovos
Conforme Gilvan Mikelyson
Góis, presidente da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte
(Assurn), o balanço das vendas de Páscoa começa nesta Sexta-feira Santa (3) e
segue até o Domingo de Páscoa (5). No entanto, ele destaca que tanto as compras
quanto a oferta de ovos por parte das indústrias foram reduzidas.
“Essa elevação dos preços vem
trazendo uma migração para caixas de bombons e tabletes de chocolate. Os preços
elevados diminuem bastante as compras. O chocolate aumentou muito,
principalmente os ovos de Páscoa, que têm apelos como brinquedos, personagens e
direitos de imagem a serem pagos. Isso encarece o produto e reduz o consumo”,
afirma.

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