A OMS destaca que entre 60% e 80% dos casos de cegueira são evitáveis com hábitos saudáveis | Foto: Alex Régis
O mês de abril é marcado pela campanha Abril Marrom, voltada à conscientização sobre a prevenção da cegueira e a importância do diagnóstico precoce de doenças oculares. A iniciativa busca alertar a população de que grande parte das causas de perda visual pode ser evitada ou tratada quando identificada a tempo.
De acordo com o oftalmologista Valério Florêncio, muitas doenças oculares
evoluem de forma silenciosa, o que reforça a necessidade de consultas
regulares, mesmo na ausência de sintomas.
Entre as principais causas de cegueira estão a catarata, o glaucoma, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), a retinopatia diabética e, em casos mais avançados, o ceratocone. “Dentre essas condições, a catarata é totalmente tratável por meio de cirurgia, enquanto doenças como glaucoma e retinopatia diabética podem ser controladas, desde que diagnosticadas precocemente. Já a DMRI, embora tenha opções de tratamento, está mais associada a fatores como envelhecimento e predisposição genética”, explica.
Um dos principais desafios no combate à cegueira é o diagnóstico tardio. Isso
ocorre porque muitas dessas doenças não apresentam sintomas nas fases iniciais.
O glaucoma, por exemplo, compromete gradualmente a visão periférica sem que o
paciente perceba. Da mesma forma, a retinopatia diabética pode evoluir
silenciosamente até estágios mais avançados.
A recomendação é que adultos realizem avaliação oftalmológica periódica, mesmo
sem apresentar queixas.
“Em geral, consultas a cada um
ou dois anos são indicadas para pessoas sem fatores de risco. A partir dos 40
anos, o acompanhamento anual torna-se ainda mais importante. Já pacientes com
doenças sistêmicas, como diabetes e hipertensão, devem manter controle mais
rigoroso”, orienta o especialista.
Além das consultas regulares, hábitos simples no dia a dia contribuem para a
saúde ocular. O uso de óculos com proteção ultravioleta, pausas durante o uso
prolongado de telas, controle de doenças sistêmicas, alimentação equilibrada e
cuidados com lentes de contato estão entre as principais recomendações.
Evitar coçar os olhos também é essencial, especialmente pela relação com o
desenvolvimento e a progressão do ceratocone.
Automedicação pode causar
doenças
Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de colírios. A automedicação,
especialmente com produtos que contêm corticoides, pode trazer riscos
importantes à visão.
Entre as possíveis complicações estão o aumento da pressão intraocular — que
pode levar ao glaucoma —, o desenvolvimento de catarata precoce, além do
mascaramento de infecções oculares e atraso na cicatrização.
O uso de colírios exige atenção e responsabilidade, já que esses produtos são
medicamentos e devem ser utilizados apenas com prescrição médica. “A orientação
é clara: colírios são medicamentos e devem ser utilizados apenas com prescrição
médica”, destaca Valério Florêncio.
A automedicação pode mascarar sintomas, agravar problemas oculares e provocar
efeitos adversos, como aumento da pressão intraocular e risco de doenças mais
graves. Por isso, qualquer tratamento deve ser orientado por um oftalmologista.
A campanha Abril Marrom reforça que cuidar da visão é também cuidar da
qualidade de vida. O diagnóstico precoce e a prevenção continuam sendo as
principais ferramentas para reduzir os índices de cegueira evitável na
população.
Tribuna do Norte

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