Foto: Official White House Photo by Molly Riley
O presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (29), em entrevista ao jornal
britânico Financial Times, que as negociações indiretas com o Irã estão
“indo muito bem”, mas voltou a adotar um tom agressivo ao declarar que sua
preferência seria “tomar o petróleo” do rival.
A fala ocorre em meio à escalada da crise no Oriente Médio, intensificada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, e em um momento de forte pressão sobre o mercado internacional de energia. Segundo as informações apresentadas, o barril do petróleo Brent superou os US$ 116 na manhã desta segunda-feira (30), na Ásia, após subir mais de 50% em um mês.
Durante a entrevista, Trump
afirmou que uma das possibilidades em avaliação seria assumir o controle da
ilha iraniana de Kharg, no golfo Pérsico, principal centro de exportação de
petróleo do país.
“Para ser honesto com você,
minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irã”, disse o presidente ao Financial
Times. Em outro trecho, acrescentou: “Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez
não. Temos muitas opções”.
Ilha de Kharg é vista como
ponto estratégico
A ilha de Kharg é considerada
uma estrutura crucial para a economia iraniana, já que concentra grande parte
das exportações de petróleo do país. Um eventual ataque ou ocupação da área, no
entanto, ampliaria significativamente o risco de agravamento do conflito e
poderia prolongar a presença militar americana na região.
Trump admitiu essa
possibilidade ao comentar que, caso os EUA assumissem o controle do terminal
petrolífero, seria necessário manter tropas no local por algum tempo.
“Isso também significaria que
teríamos que ficar lá por um tempo”, declarou. Ao ser questionado sobre a
defesa iraniana na ilha, afirmou: “Não acho que eles tenham qualquer defesa.
Poderíamos tomá-la muito facilmente”.
As declarações ocorrem
enquanto Washington amplia sua presença militar no Oriente Médio. De acordo com
as informações divulgadas, o Pentágono determinou o envio de 10 mil soldados
treinados para tomar e manter território na região.
Desse total, cerca de 3.500
militares chegaram na sexta-feira (27), incluindo aproximadamente 2.200
fuzileiros navais. Outros 2.200 marines estariam a caminho, além de milhares de
soldados da 82ª Divisão Aerotransportada.
Especialistas avaliam, porém,
que uma ofensiva direta contra a infraestrutura petrolífera iraniana elevaria o
risco de baixas entre militares americanos e aumentaria o custo político,
econômico e operacional da guerra.
Nos últimos dias, o conflito
ganhou novos contornos regionais. Um ataque a uma base aérea na Arábia Saudita,
na sexta-feira (27), feriu 12 soldados americanos e danificou uma aeronave de
vigilância E-3 Sentry dos EUA, avaliada em cerca de R$ 1,4 bilhão.
Além disso, rebeldes houthis
no Iêmen dispararam mísseis contra Israel, em um movimento que, segundo
analistas, pode aprofundar ainda mais a crise energética global.
A tensão também se concentra
no estreito de Hormuz, rota por onde normalmente passa cerca de um quinto do
petróleo consumido no mundo. O temor de interrupções no tráfego marítimo ajuda
a sustentar a alta das commodities energéticas.
Trump fala em acordo, mas
mantém ameaças
Apesar do discurso
beligerante, Trump afirmou que as conversas indiretas entre Estados Unidos e
Irã, conduzidas por meio de emissários paquistaneses, estariam avançando.
Segundo ele, o governo americano estabeleceu 6 de abril como prazo para que
Teerã aceite um acordo que encerre a guerra ou enfrente novos ataques ao setor
energético.
Questionado sobre a
possibilidade de um cessar-fogo nos próximos dias, Trump evitou detalhar as
negociações, mas indicou que um entendimento poderia ser alcançado rapidamente.
“Temos cerca de 3.000 alvos
restantes. Bombardeamos 13 mil alvos e mais alguns milhares de alvos para
atacar. Um acordo poderia ser feito rapidamente”, declarou.
Na entrevista, o presidente
dos EUA também afirmou que o Irã permitiu a passagem de navios-tanque
paquistaneses pelo estreito de Hormuz como um “presente” à Casa Branca. Segundo
Trump, inicialmente dez embarcações haviam recebido autorização e, agora, esse
número teria subido para 20.
A alegação, no entanto,
segundo o próprio relato apresentado, não pôde ser verificada de imediato.
Trump ainda afirmou que o Irã
já teria passado por uma “mudança de regime” após a morte do aiatolá Ali
Khamenei e de outros integrantes do alto escalão iraniano no início da guerra.
Ele disse também que Mojtaba Khamenei, apontado por ele como novo líder supremo
do país, poderia estar morto ou gravemente ferido.
“O filho está morto ou em
condições extremamente ruins. Não tivemos notícias dele. Ele sumiu”, afirmou.
Teerã, por sua vez, sustenta
que o chefe de Estado iraniano está são e salvo, apesar da ausência pública que
alimentou especulações recentes sobre seu estado de saúde.
As declarações de Trump
reforçam a contradição que marca o atual estágio da crise: ao mesmo tempo em
que a Casa Branca sinaliza avanço diplomático nas negociações com o Irã, o
presidente americano mantém ameaças diretas contra ativos estratégicos do rival
e fala abertamente em assumir o controle de sua produção de petróleo.
Para o mercado e para os
aliados dos EUA na região, a combinação de negociações em curso, reforço
militar e retórica agressiva amplia a incerteza sobre os próximos passos do
conflito e sobre o impacto global no fornecimento de energia.

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