As vendas de veículos novos no
Rio Grande do Norte cresceram 20,62% em 2025, o que representa mais que o dobro
da média nacional, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de
Veículos Automotores (Fenabrave). No ano passado, foram vendidos 67.351
veículos no estado, enquanto no ano anterior esse dado foi de 55.836. O
crescimento foi puxado principalmente pelas motos, que responderam por 61,30%
do total das vendas, com 41.288 unidades comercializadas em 2025.
O crescimento acumulado nas vendas do setor no estado no ano passado foi cerca de 2,6 vezes maior que a média nacional, que foi de 8,02%, o que correspondeu à comercialização de 5.124.544 unidades. No RN, apenas em dezembro foram vendidos 7.388 veículos novos, incluindo todas as categorias, o que corresponde a um crescimento de 44,83% ante o mesmo período de 2024, quando foram vendidos 5.101.
Erick Guilherme (gestor)| Foto:
Adriano Abreu
Em relação à alta participação do segmento de motos nas vendas do Rio Grande do
Norte, o gestor da unidade da Nacional Veículos em Natal, Erick Guilherme,
aponta que a acessibilidade financeira, “uberização”, mobilidade urbana e
preços dos combustíveis são os principais fatores que levam os consumidores a
investirem nesses veículos. “Tem muitas pessoas que trabalham por meio do Uber,
seja na entrega de mercadorias, alimentação, entre outros [serviços]”, aponta.
Rodolfo Sales (gerente)| Foto:
Adriano Abreu
Rodolfo Sales, gerente da Natal Veículos, observa, por outro lado, que o menor
ticket médio e valores de entrada mais baixos, diante da Taxa Selic de 15%,
podem explicar o protagonismo tanto das motos quanto dos veículos seminovos nas
vendas. “Escolher ter uma mobilidade adquirindo um seminovo ou até mesmo uma
moto é mais acessível”, ressalta.
Taxa Selic
O economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia
do Estado (Corecon/RN), aponta que o aumento nas vendas, mesmo com a Taxa Selic
fixada em 15% em 2025, pode ser explicado por fatores econômicos e sociais. É o
caso da chamada “uberização”, com trabalhadores investindo na compra de
veículos para realizarem corridas por aplicativo, e da necessidade de melhorar
a própria mobilidade diante da precariedade do transporte público.
A necessidade de se locomover com maior praticidade, de acordo com ele, também
pode ter contribuído para o aumento nas vendas de motos. “Fora isso, teve o
barateamento de alguns carros elétricos que chegaram a um preço mais acessível
no Brasil, além do crescimento bastante expressivo desse setor. Isso teve
interferência e influência nesse volume de crescimento superior aos 20% nas
vendas”, explica Ricardo Valério.
Novos lançamentos
Nas concessionárias de Natal, o crescimento é atribuído aos lançamentos
desejados pelo mercado, além da qualidade e garantia dos novos produtos. É o
que aponta Erick Guilherme, da Nacional Veículos. Entre os modelos que
lideraram a procura do público, ele aponta o Volkswagen Tera, que é um SUV
compacto, além do T-Cross.
Rodolfo Sales, da Natal Veículos, aponta ainda a migração dos condutores para
os modelos SUV como determinante para o aumento nas vendas. Aliado a isso, ele
esclarece que a chegada de marcas chinesas no Rio Grande do Norte favoreceu a
entrada de modelos que se destacam pela tecnologia.
“São dois nichos que se destacam, o carro de entrada, com faixa de preço pouco
acima de R$ 120 mil, e o carro de uma linha do SUV, de cerca de R$ 300 mil.
Então esses dois nichos de carros elétricos e híbridos se destacam em Natal e
impulsionaram fortemente o crescimento do Rio Grande do Norte em relação ao
Brasil”, completa.
Próximos meses
Para o gerente, a expectativa é que o crescimento siga acelerado em 2026, seja
nas vendas de motos e de seminovos, ou na de veículos novos. “O que contribui
muito, principalmente aqui no mercado de Natal, é a expansão de crédito. Tem
muita taxa subsidiada pelas montadoras, além da forma de pagamento, pois
aceitamos veículos seminovos com uma valorização bem próximo da tabela FIPE, e
ofertas diversificadas”, afirma Rodolfo Sales.
Do ponto de vista macroeconômico, Ricardo Valério observa que a expectativa de
redução gradual da Taxa Selic, a partir de março deste ano, deve favorecer o
aquecimento do mercado automobilístico.
“Se não houver nenhum problema de natureza mundial, a tendência é que a taxa
Selic feche entre 12 a 12,25% neste ano. Assim, o lado que podia travar, que
era o financiamento, vai baixar substancialmente, e projetando a continuação
desse crescimento da venda dos veículos em todo o Brasil em 2026”, completa.

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