A expansão da matriz solar é
uma das apostas para os próximos anos. A potência fotovoltaica instalada deve
chegar a 9,4 GW até 2032, o que reforça o movimento de diversificação da matriz
elétrica potiguar. Segundo o boletim da Sedec, nos primeiros seis meses de 2025
foram implantadas sete novas usinas solares, que geraram em potência instalada
256,11 MW. Em 2024 foram 18 e apenas uma em 2023, considerando o mesmo período.
No mesmo recorte, a fonte
eólica apresentou uma desaceleração na instalação de novos parques, passando de
26 sistemas em 2023 para 23 em 2024 e apenas dois no primeiro semestre deste
ano. Para a Sedec, esse comportamento é resultado do fato de que a maior parte
dos empreendimentos eólicos já foi contratada e entrou em operação nos últimos
anos. O documento aponta ainda que a queda do custo relativo e a maior
facilidade de instalação têm impulsionado o avanço dos projetos solares.
De janeiro a junho, o
município de Açu liderou o ranking de novos empreendimentos, recebendo quatro
usinas fotovoltaicas. Em seguida aparecem São Gonçalo do Amarante, Santana do
Matos e Parnamirim, com uma unidade cada – estas últimas destinadas ao mercado
livre na modalidade de autoprodução, garantindo energia para uma rede de
supermercados. Já Areia Branca recebeu duas usinas eólicas no mesmo período,
também pelo mercado livre, na modalidade de produção independente.
As perspectivas de crescimento
do setor, no entanto, estão diretamente ligadas à ampliação da infraestrutura
de transmissão. O boletim da Sedec ressalta que o estado será contemplado com a
instalação de cinco compensadores síncronos nos leilões de transmissão 04/2025,
previsto para outubro deste ano, e 01/2026, marcado para março do próximo ano.
Esses equipamentos têm capacidade de estabilizar os níveis de tensão e
frequência do sistema, além de aumentar a segurança e a flexibilidade da rede
elétrica, o que permitirá o escoamento de um volume maior de energia gerada
pelas usinas.
Para Williman Oliveira,
presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER), os
investimentos em transmissão são urgentes. “Resolver a curto prazo não é fácil,
o governo federal precisa sim ser mais célere e criar meios pelos órgãos
reguladores que não obstruam esse crescimento, regular com urgência o
armazenamento com uso de baterias e investir em rede de transmissão”, afirma.
O dirigente alerta que a falta
de infraestrutura tem gerado prejuízos e que os leilões vão ajudar na extensão
e ampliação da rede de distribuição. “Sem esse escoamento sustentável, vamos
incorrer no problema de hoje, onde grandes usinas, seja de solar ou eólicas,
estão sendo obrigadas a se desligarem nos finais de semana, causando prejuízos
incalculáveis. E essa conta pode, ficar certo, quem vai pagar será o consumidor
final”, adverte.
Oliveira também chama atenção
para a necessidade de pensar em novas fontes e tecnologias, como o hidrogênio
verde e a biomassa, mas aponta desafios estruturais. “Acreditamos que possam
chegar, porém ainda são investimentos caros e nossa infraestrutura não ajuda
devido ao polo industrial perder concorrência para Pernambuco e Ceará”,
explica.

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