O diferencial está no carbeto
de mononíquel (NiC), material desenvolvido na dissertação de mestrado de Fábio
André Moura Nóbrega, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química. O
pesquisador explica que o objetivo foi criar um método simples e viável para a
produção do carbeto, com potencial para ser ampliado em escala industrial e
utilizado como catalisador em diferentes áreas, como a geração de hidrogênio e
células de combustível.
“Simultaneamente, permitindo
controle sobre os tamanhos de partícula, morfologia e fase cristalina do
material produzido, obtendo carbeto de níquel em escala nanométrica, com
estrutura cristalina cúbica e alto teor de pureza. Por conseguinte, gerando grandes
benefícios econômicos, sociais e ambientais para nossa região”, afirma Fábio.
Além dele, participaram do
estudo os pesquisadores André Luis Lopes Moriyama, Camila Pacelly Brandão de
Araújo, Carlson Pereira de Souza e Ila Gabriele Diniz Dias de Azevedo. O pedido
de patente foi registrado como “Processo de obtenção de carbeto de mononíquel
nanométrico em reator de leito fixo por reação gás-sólido”.
A orientadora da pesquisa,
professora Camila de Araújo, destaca que os testes iniciais foram feitos em
escala laboratorial, com mais de 50 ensaios realizados, e que a expectativa é
avançar para etapas em planta-piloto. Ela reforça ainda o caráter inovador do
trabalho, devido à escassez de estudos sobre o carbeto de mononíquel. O
protótipo da invenção se apresenta como um pó escuro de granulação fina.
“Exemplos de diferenciais são
o custo-benefício e a segurança, pois a tecnologia utiliza níquel, um metal
mais abundante e barato que os materiais nobres como platina e paládio,
usualmente empregados em catalisadores, e é considerado mais seguro operacionalmente
que o níquel de Raney, que é explosivo”, explica a docente da Escola de Ciência
e Tecnologia (ECT).
Camila lembra ainda que a
pesquisa dialoga com o campo da transição energética, área na qual a UFRN
aprovou recentemente a criação de um novo Programa de Recursos Humanos (PRH),
em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). “A expectativa é que a
criação e consolidação desse PRH na ECT intensifique o desenvolvimento de mais
pesquisas de qualidade e impacto para esse setor de transição energética”,
acrescenta.
A produção do carbeto de
níquel envolveu reação gás-sólido com uso de nitrato de níquel, carvão ativado,
metano e hidrogênio, em processo que incluiu etapas de tratamento térmico,
homogeneização, adição de carbono e resfriamento.
Segundo a pesquisadora Camila
Pacelly Brandão de Araújo, o trabalho só foi possível graças à forte
colaboração interdepartamental, unindo conhecimentos de engenharia, química e
física. O grupo também vem expandindo cooperação científica internacional com
instituições da França, Inglaterra e Canadá, onde a invenção deverá ser testada
em breve.
Tribuna do Norte

Nenhum comentário:
Postar um comentário