terça-feira, 19 de agosto de 2025

UFRN cria tecnologia para produção de hidrogênio e adoçantes a partir de carbeto de níquel

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram uma tecnologia capaz de impulsionar a produção e o armazenamento de hidrogênio, transformar o soro de leite em adoçante de baixo teor calórico e ainda atuar no tratamento de resíduos do petróleo. O resultado originou o mais novo depósito de pedido de patente da instituição, protocolado em julho junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

O diferencial está no carbeto de mononíquel (NiC), material desenvolvido na dissertação de mestrado de Fábio André Moura Nóbrega, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química. O pesquisador explica que o objetivo foi criar um método simples e viável para a produção do carbeto, com potencial para ser ampliado em escala industrial e utilizado como catalisador em diferentes áreas, como a geração de hidrogênio e células de combustível.

“Simultaneamente, permitindo controle sobre os tamanhos de partícula, morfologia e fase cristalina do material produzido, obtendo carbeto de níquel em escala nanométrica, com estrutura cristalina cúbica e alto teor de pureza. Por conseguinte, gerando grandes benefícios econômicos, sociais e ambientais para nossa região”, afirma Fábio.

Além dele, participaram do estudo os pesquisadores André Luis Lopes Moriyama, Camila Pacelly Brandão de Araújo, Carlson Pereira de Souza e Ila Gabriele Diniz Dias de Azevedo. O pedido de patente foi registrado como “Processo de obtenção de carbeto de mononíquel nanométrico em reator de leito fixo por reação gás-sólido”.

A orientadora da pesquisa, professora Camila de Araújo, destaca que os testes iniciais foram feitos em escala laboratorial, com mais de 50 ensaios realizados, e que a expectativa é avançar para etapas em planta-piloto. Ela reforça ainda o caráter inovador do trabalho, devido à escassez de estudos sobre o carbeto de mononíquel. O protótipo da invenção se apresenta como um pó escuro de granulação fina.

“Exemplos de diferenciais são o custo-benefício e a segurança, pois a tecnologia utiliza níquel, um metal mais abundante e barato que os materiais nobres como platina e paládio, usualmente empregados em catalisadores, e é considerado mais seguro operacionalmente que o níquel de Raney, que é explosivo”, explica a docente da Escola de Ciência e Tecnologia (ECT).

Camila lembra ainda que a pesquisa dialoga com o campo da transição energética, área na qual a UFRN aprovou recentemente a criação de um novo Programa de Recursos Humanos (PRH), em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). “A expectativa é que a criação e consolidação desse PRH na ECT intensifique o desenvolvimento de mais pesquisas de qualidade e impacto para esse setor de transição energética”, acrescenta.

A produção do carbeto de níquel envolveu reação gás-sólido com uso de nitrato de níquel, carvão ativado, metano e hidrogênio, em processo que incluiu etapas de tratamento térmico, homogeneização, adição de carbono e resfriamento.

Segundo a pesquisadora Camila Pacelly Brandão de Araújo, o trabalho só foi possível graças à forte colaboração interdepartamental, unindo conhecimentos de engenharia, química e física. O grupo também vem expandindo cooperação científica internacional com instituições da França, Inglaterra e Canadá, onde a invenção deverá ser testada em breve.

Tribuna do Norte

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