Os tribunais brasileiros
adotaram medidas “desproporcionais para minar a liberdade de expressão” e na
internet, afirma um relatório anual sobre direitos humanos modificado pelo
Departamento de Estado para acomodar as prioridades do presidente americano, Donald
Trump, em política externa.
Além disso, bloquearam “o
acesso à informação” em uma plataforma de redes sociais, queixou-se Washington.
Em 2024, Moraes bloqueou temporariamente o X no Brasil até que a rede social
cumprisse sua ordem de remover as contas acusadas de disseminar desinformação.
Posteriormente, ordenou
suspender o Rumble, porque essa plataforma de compartilhamento de vídeos,
popular entre conservadores e a extrema direita, se recusava a bloquear a conta
do blogueiro Allan dos Santos, residente nos Estados Unidos e procurado por disseminar
desinformação.
O governo brasileiro “minou o
debate democrático ao restringir o acesso a conteúdo online considerado como
‘que mina a democracia’”, lamenta o relatório. O texto afirma que o Brasil
reprimiu “de maneira desproporcional a expressão dos partidários” de Bolsonaro,
assim como de jornalistas e políticos, “muitas vezes em procedimentos secretos
que careciam de garantias de devido processo legal”.
Segundo Washington, Brasília
também reprimiu discursos que lhe eram “politicamente prejudiciais,
argumentando que constituíam ‘discurso de ódio’”. Entre os problemas de
direitos humanos citados no relatório estão “execuções arbitrárias ou ilegais,
tortura ou tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes, prisões ou
detenções arbitrárias e graves restrições à liberdade de expressão e à
liberdade de imprensa”.
Congresso
O “relatório de práticas de
direitos humanos de países em 2024” foi entregue nesta terça-feira ao Congresso
americano. Ele é composto por avaliações de 196 países membros da Organização
das Nações Unidas (ONU) e é referência mundial —usado, por exemplo, em
tribunais dos EUA e internacionais. O relatório é divulgado anualmente.
O relatório de direitos
humanos sobre o Brasil vocaliza críticas semelhantes a adotadas por Trump desde
que anunciou um tarifaço aos produtos brasileiros. Ao justificar a tarifa,
Trump citou perseguição política ao ex-presidente Bolsonaro, seu aliado. O relatório
mostra uma mudança em relação ao o divulgado em 2024, feito sob a administração
de Joe Biden (Partido Democrata), rival de Trump.
Tribuna do Norte

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