sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Governo vai decidir sobre decreto de emergência na próxima semana

O Governo do RN vai decidir na próxima semana sobre o decreto de emergência no Estado por conta dos efeitos da seca. A informação foi confirmada em nota oficial. A TRIBUNA DO NORTE adiantou, na edição de quinta-feira (21) que o Gabinete Civil pediu informações a diversos órgãos sobre acumulado de chuvas, abastecimento de água, nível de reservatórios, entre outros, para decidir sobre um possível decreto de emergência. Segundo o governo, “estudos apontam agravamento do quadro de seca e necessidade de eventual decreto sobre situação de emergência para ampliar celeridade e alcance às ações do Estado”.

O Comitê de Acompanhamento Hídrico considera que a medida busca simplificar os trâmites dos processos, garantindo maior agilidade para que os gestores possam responder às demandas. O agravamento da seca e da estiagem, sobretudo nas regiões Seridó, Central e Oeste, levou 75 municípios do Rio Grande do Norte a decretarem situação de emergência. Segundo a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, até esta quinta-feira (21), 70 municípios já estão contemplados pela Operação Carro-Pipa, programa do Governo Federal.

Os dados levantados por técnicos de diferentes órgãos orientam a formulação do Plano de Ações e servirão de referência para definir a abrangência do decreto — quais municípios serão incluídos e quais medidas deverão ser adotadas.

A decretação de emergência compõe o Plano de Ações do Governo do Estado, que abrange desde a ampliação dos subsídios para compra de ração animal e concessão de crédito até investimentos e estratégias logísticas para otimizar o uso dos recursos hídricos em curto, médio e longo prazos. O planejamento considera o abastecimento humano, a dessedentação animal e as necessidades da agricultura.

O governo aponta que, independente do término dessa análise técnica, vem atuando em algumas frentes para mitigar os efeitos da estiagem. Estão em andamento o programa de perfuração de poços — a meta é chegar a 500 poços perfurados e instalados até o término de 2026 —, além da construção de quase 500 cisternas.

Para o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Paulo Varella, o planejamento considera quais medidas precisamos adotar neste momento, e que tenham alcance além de dezembro deste ano porque os reservatórios registraram baixa recarga em 2025, o que tornaria o próximo ano mais difícil.

O Governo disse na nota que constrói cerca de 1.300 quilômetros de adutoras e rede de distribuição, recupera 28 açudes e barragens e instala mais de 140 dessalinizadores. A gestão estadual também relatou a execução do Programa de Perfuração de Poços Artesianos e a construção do Complexo de Oiticica.

Segundo o governo, os investimentos estão distribuídos em todas as regiões, com o objetivo de ampliar a capacidade de armazenamento e garantir abastecimento em áreas do semiárido. As ações, de acordo com a administração estadual, são realizadas em parceria com o Governo Federal e incluem a interligação de reservatórios por meio de uma rede de tubulações.

O governo destacou o Complexo Hidrossocial Oiticica, formado pela barragem, três agrovilas e a comunidade Nova Barra de Santana. O reservatório, segundo a gestão estadual, é o segundo maior do estado e deve beneficiar aproximadamente 1,8 milhão de pessoas. O investimento, de R$ 893 milhões, foi ampliado em relação ao projeto inicial, que previa apenas a barragem e o reassentamento da comunidade Barra de Santana, passando a incluir agrovilas.

O Governo do RN também informou que, em localidades onde as adutoras não chegam, buscou junto ao Governo Federal a instalação de cisternas e sistemas de dessalinização. São mais de 140 equipamentos em funcionamento e a previsão de construção de 2.487 cisternas, com capacidade para 16 mil litros cada.

De acordo com a gestão estadual, as cisternas atenderão prioritariamente famílias de baixa renda em áreas rurais afetadas pela seca, incluindo 1.740 famílias chefiadas por mulheres e 747 de povos tradicionais — indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pescadores artesanais — em 28 municípios. O governo informou que serão investidos R$ 15 milhões, com contrapartida estadual de R$ 400 mil.

Tribuna do Norte

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