Até 30 de junho de 2025,
foram 17 casos, o que representa média de 2,83 por mês. Em 2024, foram 25 em
todo o ano, equivalendo à média de 2,08. Essa diferença
significa acréscimo de 36% na média mensal.
A Transpetro chama os furtos
de “derivação clandestina” de combustível, quando criminosos fazem furos nas
estruturas subterrâneas para desviar produtos líquidos das tubulações. Em
fevereiro, por exemplo, uma ação no Rio de Janeiro apontou o contraventor
Vinícius Dumond como líder de uma quadrilha.
A Transpetro opera uma
malha logística de 8,5 mil quilômetros de dutos pelo país. Para efeito
de dimensão, essa distância equivale a uma linha reta de Porto Alegre a Natal,
ida e volta. Nesses tubos são transportados petróleo e derivados, como gasolina
e diesel. Os oleodutos são as principais formas de fazer o petróleo
chegar a refinarias.
Além de prejuízo financeiro, o
furto em dutos pode causar outros efeitos negativos como desabastecimento de
regiões, danos ambientais e risco à segurança de envolvidos e comunidades
vizinhas.
Números da companhia mostram que o recorde de casos foi em 2018, com 261 ocorrências identificadas. Nos dois anos seguintes, os casos ficaram em cerca de 200, despencando para 102 em 2021. A Transpetro não divulga o montante de prejuízo causado pelos furtos.
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Confira a evolução ano a ano: |
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2018 |
261 |
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2019 |
203 |
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2020 |
202 |
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2021 |
102 |
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2022 |
58 |
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2023 |
28 |
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2024 |
25 |
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2025 |
17 até junho |
Prevenção e segurança
A companhia informa que investe
R$ 100 milhões anualmente para ampliar a segurança na faixa de dutos.
De acordo com o gerente
executivo de Proteção de Dutos da Transpetro, Júlio Barreto, mesmo com a
trajetória de redução de casos nos últimos anos, os furtos ainda são
uma preocupação, “pois basta uma derivação clandestina para trazer danos ao
meio ambiente ou às pessoas”.
Barreto explicou à Agência
Brasil que a redução mais intensa observada no começo da década se
deve à implementação do Centro de Controle de Proteção de Dutos, que funcionava
na sede da subsidiária, no Rio de Janeiro.
“Uma área dedicada ao
monitoramento exclusivo, visando ações de terceiros nas faixas de dutos que
funciona ininterruptamente 24 horas por dia, sete dias na semana.
O gerente executivo detalhou
que a empresa adota uma estratégia integrada para reduzir ao máximo os furtos,
que conjuga:
Tecnologias para rápida
detecção remota de vazamentos;
Equipes de inspeção
especializadas;
Parcerias estratégicas com
ministérios públicos (estaduais e federais) e órgãos de segurança;
Esforço de conscientização com
comunidades vizinhas aos dutos, sobre a importância de comunicarem à estatal
qualquer sinal ou desconfiança de ação criminosa.
Ao defender a integridade dos
sistemas de dutos, a Transpetro enfatiza que esse meio de transporte de
combustível evita 99,5% das emissões de gases do efeito estufa
– causadores do aquecimento global – se comparado ao transporte
rodoviário. Um único dia de transporte por dutos equivale a retirar
mais de 20 mil caminhões-tanque das rodovias.
Disque 168
A empresa deixa à disposição
de qualquer cidadão, 24 horas por dia, gratuito e com anonimato garantido
o Disque 168, serviço telefônico para denúncias e suspeitas. A
número é uma referência ao 16 de agosto (16/8), dia escolhido pela Transpetro
para uma série de atividades de conscientização em diversas localidades.
No sábado (16), haverá ações
em Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Pernambuco, Rio de Janeiro,
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
Serão oferecidos serviços à
população, como emissão de carteiras de identidade, aplicação de vacinas,
aferição de pressão e glicose, serviços de saúde bucal, além de apresentações
culturais.
Perfil dos criminosos
O perfil de criminosos que
atuam nesse ramo exige, de acordo com fontes ligadas ao tema, certo grau de
especialização. Os ladrões precisam ter conhecimento para fazer furos nas
tubulações e conseguir extrair e transportar o combustível. Operações
de combate ao crime já flagraram quadrilhas fazendo uso de caminhão-tanque
avaliado em R$ 300 mil.
Os criminosos dão preferência
para agir em áreas remotas, longe de grandes centros e vizinhanças populosas,
assim como escolhem o horário noturno, como forma de fazer o furto passar
despercebido. Outro meio de esconder a derivação clandestina é subtrair volumes
reduzidos.
Em alguns casos, quando o
furto é feito à noite, os criminosos fazem uma espécie de camuflagem no duto
perfurado, de forma que o crime não seja percebido no dia seguinte. Há
quadrilhas sofisticadas a ponto de alugarem imóveis próximo de onde passam os
dutos subterrâneos e cavar túneis até a estrutura.
De acordo com a Transpetro,
equipes da empresa são especializadas para detectar os mínimos sinais de
irregularidade. Drones e ferramentas de inteligência artificial (IA)
também são empregados na prevenção e no combate.
Legislação
A Transpetro defende que o
crime de adulteração clandestina seja mais bem tipificado e coibido pela
legislação. Quatro projetos de lei (PLs) tramitam no Congresso.
PL 8.455/2017 e PL 1.482/2019:
tipificam o crime;
PL 131/2021: transforma em
crime hediondo (extremamente grave);
PL 828/2022: aumenta penas
previstas no Código Penal.
Barreto destaca que o PL 8.455
“visa ao endurecimento da pena para quem pratica esse delito, que atualmente é
comparável ao crime de furto comum”.
“A Transpetro acompanha com
atenção os PLs relacionados ao tema e está à disposição para contribuir
tecnicamente com o debate”, afirma.
Agência Brasil

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